RODOANEL PAULISTA E SUA FALTA DE ESTRUTURA



Imagem: Site Oficial do Rodoanel


O Rodoanel é uma das mais importantes obras rodoviárias feitas no estado de São Paulo, talvez só suplantada pelo trecho de serra da Rodovia dos Imigrantes, com suas inúmeras obras de arte. Seu objetivo principal é ordenar o tráfego de entrada e saída da cidade de São Paulo, não adentrando em nenhum município, além de disciplinar a circulação de caminhões de grande porte na capital.

O projeto total está dividido em quatro trechos. O primeiro, conhecido como Trecho Oeste, está em operação desde outubro de 2002, possui 32 quilômetros de extensão e liga as rodovias Régis Bittencourt (para Curitiba), Raposo Tavares, Castello Branco, Bandeirantes e Anhanguera. Seu traçado passa por Osasco, Santana do Parnaíba, Barueri, Carapicuíba e Cotia.

O Trecho Sul, inaugurado em maio de 2010, tem 57 quilômetros de extensão, passando por Mauá, Santo André, São Bernardo, Itapecerica da Serra e Embu. Junto com o Trecho Oeste interliga as principais rodovias do interior do estado de São Paulo às vias Anchieta e Imigrantes, que levam à Baixada Santista, onde está situado o maior porto da América Latina, na cidade de Santos, bem como o Parque Industrial de Cubatão. O Trecho Sul começa no trevo da Régis Bittencourt (Trecho Oeste), cruza a Imigrantes e a Anchieta e chega até a cidade de Mauá, de onde é possível atingir-se a Avenida Jacu-Pêssego, que dá acesso às rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra (Rio de Janeiro).

Estes são os dois trechos já inaugurados do Rodoanel, o que totaliza aproximadamente 90 quilômetros de extensão. O Trecho Leste que terá 43,5 quilômetros fará a ligação entre o Trecho Sul até as rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra (para o Rio de Janeiro). Já o Trecho Norte, com extensão prevista de 44 quilômetros, irá interligar a Rodovia Fernão Dias (para Belo Horizonte) aos trechos Leste e Oeste do Rodoanel.

Quando totalmente pronto, as rodovias interligadas serão: Anhanguera, Bandeirantes, Castello Branco, Raposo Tavares, Régis Bittencourt, Imigrantes, Anchieta, Ayrton Senna, Presidente Dutra e Fernão Dias. E ainda trará na bagagem a rodovia D. Pedro I, que faz a ligação da Dutra com a região de Campinas, e que poderá ser acessada próximo a Arujá, através da via Dutra.

O Rodoanel tem pista dupla ao longo de todo o percurso, conta com três a quatro faixas de rolamento em bom estado de conservação, acostamentos de três metros, um canteiro central gramado em boa parte de sua extensão, além de três túneis, onde se deve ter a atenção redobrada, principalmente devido ao excesso de caminhões. A velocidade máxima na pista principal é de 100 km/h para veículos leves e 80 km/h para veículos pesados, velocidade esta controlada por radares instalados em vários pontos. Mas não há pegadinhas e todos os radares estão devidamente sinalizados. A sinalização aérea e de solo é muito boa. Os pedágios não são caros, mas, além dos pedágios principais, paga-se também em qualquer ponto de saída do Rodoanel.

O grande problema do Rodoanel é a sua total falta de estrutura ao longo de seus – por enquanto – 90 quilômetros. Não há postos de abastecimento, lojas de conveniência, sanitários, lanchonetes e pontos de apoio aos motoristas. Retorno é coisa rara (errou, dançou), assim como rara também é a presença da Polícia Rodoviária Estadual. Com a pouca fiscalização e a proibição de circular na capital (Avenida Bandeirantes e Marginal Pinheiros), os caminhoneiros fizeram do Rodoanel uma espécie de parque de diversões, onde os motoristas dos veículos leves estão constantemente ameaçados de abalroamento e até de acidentes mais graves. Os congestionamentos já são uma constante nos dois sentidos, principalmente próximo às saídas para as rodovias Castello Branco e Régis Bittencourt. E não adianta muito escolher horário, pois são imprevisíveis. Mas os picos de congestionamento costumam ocorrer no período da manhã (em dias de semana).

Apesar de ser uma excelente opção para evitar o trânsito caótico da capital paulista, o Rodoanel exige boa dose de prevenção do motorista. Calcule bem o seu combustível, considerando que pode ficar preso num congestionamento e aí o consumo aumenta. E, se acabar o combustível, um abraço. Além da multa, o transtorno inevitável, pois, como já disse anteriormente, não existem postos de abastecimento. Não esqueça de levar água potável, pois não vai encontrá-la para comprar em lugar algum da rodovia. Evite viajar no período noturno. O Rodoanel é um verdadeiro breu e, se durante o dia a estrutura de apoio é zero, à noite alcança valores negativos. Leve sempre uma lanterna com pilhas novas ou, se possível, um rabicho de 12 Volts para ligar diretamente na bateria do veículo. E tem mais: o sinal de celular é inexistente em vários locais da rodovia.

Como a inauguração do Trecho Sul deu-se por motivos eleitoreiros (o ex-governador José Serra era candidato a presidente da República), muito do que ainda não se vê no Rodoanel deve-se exatamente a isso. No dia da sua entrega ao tráfego fui um dos primeiros a passar por ali. E pude verificar que, em termos de segurança, faltava até o básico, como guard-rails e placas orientativas. Passado mais de um ano, ele ainda deixa muito a desejar e não é, nem de longe, aquilo que pretendem que ele seja.

Dependendo do dia, do horário da sua viagem e do seu destino, é bem melhor encarar o trânsito paulistano do que arriscar-se no Rodoanel. Eu já faço isso. Siga em paz e boa viagem.

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Arnaldo Agria Huss
Enviado por Arnaldo Agria Huss em 05/07/2011
Código do texto: T3076038
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