A impiedosa inflação

Estamos assistindo, mais uma vez, a instalação de um processo perverso de encarecimento de preços.

Desta vez ela vem de fora do país, está sendo importada através do aumento dos preços das commodities, bens comercializados no assim chamado mercado livre, sujeitos à implacável lei da oferta e da procura.

O terreno sobre qual ela se manifesta é propício. Todas as mercadorias negociadas em dólares no mercado internacional estão sendo aviltadas, pois o dólar vem se desvalorizando.

Então a partir desse fato monetário, a perda do valor da moeda norte-americana, o sistema inteiro está ameaçado de naufragar.

Ora, se os dólares perdem o valor, é lógico que o preço das mercadorias tem que aumentar.

A primeira mercadoria que se valoriza é o petróleo, multiplicando o efeito do encarecimento por toda a economia mundial, já que o petróleo está na base de todo o sistema produtivo e de transportes.

Isso ocorre porque os investidores detentores de capitais de risco deixam de aplicar no mercado de ações e apostam todas as suas fichas no mercado de comodities. Não é à toa que um quadro de Monet chega a ser vendido pela astronômica soma de 129 milhões de dólares.

Então, o que estamos assistindo poderá vir a se tornar um marco decisivo do fim do império americano como potência hegemônica, se as autoridades que comandam aquele país não conseguirem encontrar as soluções necessárias para resolver o problema monetário-financeiro em que se meteram.

As soluções, obviamente, não se limitam a medidas monetárias ou financeiras, já que são problemas estruturais que desequilibram o sistema. Não é concebível que uma simples mudança em taxas de juros sejam a solução. Esta depende de mudança de paradigmas na matriz energética, redução do uso do petróleo, fontes alternativas de energia, que não pressionem a produção de alimentos, fim de guerras que só visam a questão das reservas de petróleo, controle da emissão de poluentes, seja eles os gases do efeito estufa ou os dólares em excesso que promovem o efeito estufa-dólares.

Enquanto isso os países ditos emergentes correm o risco de ver a sua recente estabilidade econômico-política, conquistada com tanto esforço, ameaçada pela impiedosa inflação que se re-acende. Para estes o núcleo da questão é se livrar dos dólares, o Brasil já tem mais de duzentos bilhões acumulados, antes que eles não valham mais nada.