O BARROCO: A VIDA COMO UM BANQUETE

Este artigo objetiva retratar e analisar a vida no movimento artístico-cultural de fundo religioso denominado Barrroco, através da produção cinematográfica “Vatel: um banquete para o rei”.

O Barroco, movimento literário e artístico surgido no século XVII, é caracterizado por mudanças bruscas causadas por contradições governamentais e principalmente religiosas.

O jogo por contrastes e o dualismo são característicos desse movimento, os quais aparecem por meios simbólicos e iconográficos no filme.

A vida no século XVII, mais especificamente, neste período é marcada pela exuberância da aparência. Construções arquitetônicas e roupas luxuosas, excessivos gastos supérfulos fazem parte dos meios pelos quais a ideologia do movimento aspira, ou seja, ao prazer de viver o presente, ou simplesmente, carpe diem.

A chegada de Luís XIV no Castelo de Chantilly acarreta mudanças em âmbito administrativo para o príncipe Condé. Festas, banquetes e espetáculos são produzidos para o deleite da corte real.

Os contrastes de ambiente percebidos claramente no filme, como a falta de higiene na cozinha e a suntuosa elegância frente aos convidados, revela o caráter principal do Barroco, o parecer com o que não é.

Outro elemento iconográfico que traduz esta perspectiva, é o vaso de açúcar, enviado a uma convidada do rei por Vatel, através dele, percebemos o caráter supérfluo do Barroco, o vaso possui uma incrível beleza, mas se quebra em pedaços, mostrando que a beleza em questão não possui valor e é passageira, já que se “quebrou” por um incidente.

A caveira também significa uma mensagem importante a respeito do movimento e do filme, ela aparece na estante de Vatel, enquanto este bebe veneno, causando sua morte. Simbolizando, pela sua presença, o eterno retorno às origens, ou seja, o homem e pó e ao pó voltará.

Desta forma, dentre as características especificadas no Barroco, entre outras, podemos distinguir claramente os papéis da sociedade da época, ou seja, o comando por governantes absolutamente despreocupados com seu meio e voltados excessivamente para o se bel prazer.

Assim, podemos fazer um paralelo um diálogo entre passado e presente através do filme.

Distinguimos por comportamentos absurdos, uma sociedade individualista e voltada excessivamente para o seu ego e prazer. Infelizmente, esta mesma sociedade, é a “moderna” na qual vivemos hoje e nos prendemos a ela por seus traços de cultura e modismos.

Ivan Reis
Enviado por Ivan Reis em 19/07/2008
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