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As cebolas do Egito [Sermo XVIII)

AS CEBOLAS DO EGITO

Esqueço-me das coisas que atrás ficam,
e avanço para as que estão adiante


Nosso tema para hoje é a perseverança. Tenho certeza que vocês sabem o que é perseverar. Ou não sabem? Perseverar, basicamente é fazer aquilo, aquele conjunto de providências espirituais e materiais que Deus espera de nós, isto é, ir em frente, ser solidário, não desistir, não perder o foco de nossa vida espiritual e – sobretudo – de nossa vocação. Perseverar é ser insistente, constante, obstinado até. O fato é que muita gente tenta ser perseverante, mas acaba se desviando, perdendo o sentido daquilo que um dia foi seu grande ideal.

Àqueles que perseverarem, Deus lhes promete vitória. Paulo afirma que “...quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fl 3,13s).

A idéia de perseverança está intimamente ligada à fidelidade. Nós todos fomos e somos chamados para alguma coisa, mas todo esse chamamento implica em ser fiel a uma vocação, seja ela qual for, e que nos envolve com a graça de Deus que nos oferece seu amor e sua paternidade. É bom refletir sobre o assunto, pois a falta de perseverança é um dos maiores problemas que afligem a espiritualidade das pessoas.

Nas Sagradas Escrituras há uma narrativa curiosa e, ao mesmo tempo, sintomática. Conta a história bíblica que durante a caminhada pelo deserto, o povo hebreu começou a murmurar contra Moisés (e por extensão contra Deus) pelas agruras daquele êxodo, pois não via sentido naquela peregrinação na direção de uma “terra prometida” que não chegava nunca. Nessa reclamação, o povo faminto dizia-se saudoso do Egito, onde podia desfrutar a degustação das cebolas, melões e pepinos daquele país (cf. Nm 11,4ss). De lá para cá, a idéia da saudade das cebolas do Egito configura aquele imediatismo de quem não tem paciência de esperar a elaboração de um projeto, e que logo se exaspera quando as coisas não ocorrem com aquela tempestividade esperada.
 
Na romaria aludida nesse episódio, curioso e rico daquela pedagogia reveladora que brota da Palavra de Deus e, sobretudo de sua ação libertadora, nos chega como uma advertência, pois muitas vezes preferimos a fartura da casa do pecado às dificuldades temporárias da obtenção da liberdade definitiva. Conquistar a liberdade e a plenitude sempre custa algum sacrifício. No relato, o povo, por causa de umas míseras cebolas, estava disposto a voltar ao cativeiro, perdendo o bem que à frente se aproximava. Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas; não suportamos o desafio constante, sempre iminente, sempre exigente, do deserto. Somos muitas vezes covardes; temos medo do futuro.

É preciso que a gente “abra o olho”. O inimigo está sempre atento às nossas vacilações. Se dermos espaços ele toma conta de nossa vida, afastando-nos dos projetos e do bom caminho. Muitas vezes os “convertidos” ou aqueles que pensam estar na trilha do bem, se tornam alvo do diabo, caindo fragorosamente. Quanto mais espiritualizados formos, quanto maior for nossa liderança ou capacidade de influir, maior a cobiça do maligno, visando nos desencaminhar. Uma pessoa, cujo espírito que não pratica a virtude e a vigilância, torna-se presa fácil das forças malignas. O texto para reflexão de hoje é Mt 12, 43-45.

Quando um espírito mau sai de um homem, ele fica vagando em lugares desertos, procurando repouso, e não o encontra. Então ele diz: “Vou já voltar para a casa de onde saí”. Quando ele chega, encontra a casa vazia, varrida e arrumada. Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. Eles entram e moram aí; no fim, esse homem fica em condição pior do que antes. É o que vai acontecer com esta geração má.

Vejam como o “espírito mau” procura repouso e não o encontra e por isto se sente atraído pelo homem mau, por aquele coração inconverso, por aquela personalidade inconsistente, incapaz de perseverar na virtude. O diabo tem prazer em habitar no espírito de um homem assim. Essa situação é descrita como “casa vazia”. Embora varrida e arrumada, pela ausência da virtude, ela se mostra disponível.

Quando não trazemos Deus para preencher o nosso espírito, ele se torna morada do maligno. Provavelmente o número sete se refere à possessão demoníaca mais intensa. Mais do que sete seres maus, o numero aponta para uma totalidade, um grande número, algo exagerado. O primeiro ser era mau, indutor de pecados, desajustes e rupturas. Imaginem sete, piores que ele.

Imaginem alguém a caminho da libertação e de repente decide preferir o cativeiro. É como querer a escuridão ao invés da luz, ou o “filho pródigo” na volta à casa paterna sentir saudade da comida dos porcos. Triste, não é? Este é o caso daquelas pessoas, irmãos nossos, ou nós mesmos, quando nos cansamos da virtude e queremos jogar tudo para o alto, chutando o balde e trocando o bem, cuja imagem ainda não é bem nítida, pelo mal, no qual estivemos afogados há pouco tempo. Sentimos saudades das cebolas quando perdemos a fé ou relaxamos na esperança de um futuro mais digno e nos deixamos ficar, caídos no chão, tombados no meio da caminhada.

No desânimo daquela semente sem profundidade (cf. Mt 13,6), julgamos que nunca vamos chegar à germinação do espírito, e por essa razão desistimos da missão e capitulamos da busca da santidade, renunciando àquele projeto de amorosa realização que Deus criou para nós, talvez não hoje, talvez não amanhã, mas seguramente em um futuro próximo, pleno daquelas riquezas, coisas que os olhos não viram, os ouvidos não escutaram e os corações ainda não sentiram, bens que a Sabedoria e o Amor prepararam para seus amados.

São Pedro usa figuras duras e incisivas para nos alertar a respeito da “recaída” que às vezes assalta alguns membros da Igreja. Vamos meditar:

Sejam sóbrios e fiquem de prontidão! Pois o diabo, que é o inimigo de vocês, os rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar. Resistam ao diabo, permanecendo firmes na fé, pois vocês sabem que essa mesma espécie de sofrimento atinge os seus irmãos que estão espalhados pelo mundo. Depois de sofrerem um pouco, o Deus de toda graça, aquele que os chamou em Cristo para a sua glória eterna, ele os restabelecerá, firmará e fortalecerá, e fará com que vocês sejam inabaláveis. A Deus pertence todo o poder para sempre. Amém! (1Pd 5, 8-11).

Este é um texto que alerta contra as investidas do Maligno, sugere vigilância e persistência e revela a providência divina fortalecendo o povo fiel. O termo usado sóbrios, usado pelo apóstolo indica o zelo e a temperança de quem deseja sobreviver aos ataques do mal. Mais tarde, referindo-se aos que se deixaram seduzir pela corrupção e pelo pecado, o apóstolo comenta:

Aconteceu com eles o que diz o provérbio: “O cão volta ao próprio vômito”, e ainda: “a porca lavada torna a revolver-se no lamaçal” (2Pd 2, 22).

Aqui o autor quer mostrar que o pecado é repelente e horrendo, tal como um vômito. Retornar ao mesmo revela uma alma pervertida. O ato de chafurdar na lama, tão característico dos porcos é a comparação que Pedro encontrou para quem despreza a graça e volta ao estado anterior de pecado. Rebaixados ao nível dos cães e dos porcos, esta é a situação dos pecadores que estiveram “limpos” e optaram por voltar aos seus pecados. É a falta de perseverança que conduz a isto.

Historicamente, sabemos como era dura a vida do povo hebreu no Egito. As autoridades locais temiam que crescessem demais, com riscos para o império. Foram perseguidos e reduzidos à condição de escravos, onde eram reservados para eles os trabalhos mais pesados. Deus viu a aflição de seu povo e enviou Moisés para libertá-los e conduzi-los à terra prometida, onde “corria leite e mel”.

Para chegarem à Canaã prometida, deviam atravessar um deserto inóspito. Durante a longa travessia, que durou cerca de quarenta anos, começaram as repetidas queixas contra Moisés: “Quem nos dera comer carne! Estamos lembrados dos peixes que comíamos de graça no Egito, dos pepinos, melancias, cebolas e alhos! Agora estamos definhando à míngua de tudo. Não vemos outra coisa senão maná” (Nm 11, 5 e 6).

Observa-se aqui um contraste. Trata-se do conflito que se apresenta, muitas vezes, entre valores de ordem diferente. No caso presente, os hebreus tinham, no Egito, comida à vontade. O faraó, para explorar sua mão-de-obra, dava-lhe comida, mas retirava a liberdade. Na longa travessia do deserto, tinham liberdade, mas faltava o pão e a água. Em todos os lugares e em todos os tempos, a história se repete. Virtude e pecado são valores irreconciliáveis, incapazes de se harmonizar.

Mais tarde, São Paulo advertiria: “A carne tem tendências contrárias aos desejos do espírito e o espírito possui desejos contrários às tendências da carne. As obras da carne são manifestas, a saber: prostituição, impureza, ódios, discórdias, invejas, bebedeiras, orgias e outras como estas, das quais vos previno. Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência” (Gl 5,16). A palavra de Deus é clara: as obras da carne, o lucro imediato, “as cebolas do Egito” não servem de critério para o cristão pautar suas ações. Podem parecer boas, mas depois deixam na boca aquele gosto amargo das grandes decepções.

Mas por que alguns preferem as trevas? Simplesmente porque a luz vai desnudar sua hipocrisia ou revelar que suas obras são más. “Se a luz que existe em você é escuridão, quão grandes serão suas trevas!” (cf. Mt 6,23). Portanto, é salutar a gente ver sempre que tipo de luz nós somos. Será que a nossa luz não é escuridão (cf. Lc 11,35) nem ocasião de tropeço e queda para muitos? Mas para os que são, de fato, filhos de Deus e perseveram no evangelho, as trevas não prevalecem sobre a luz (cf. Jo 1,5).

A libertação nos tira da casa das trevas e nos leva à luz de Deus. O pecado, por mais sedutor e insinuante que possa parecer, oprime e degrada a pessoa humana. É um equívoco muito grande rejeitar a libertação e preferir a escravidão. Então, como funciona a libertação, nesse caso e em tantos outros? Libertar-se dos grilhões é caminhar para frente, seguindo a luz de Deus, sem se de deixar atrair pelo que ficou para trás. No deserto muitos tentaram voltar, reclamando que, pelo menos, no Egito, eles tinham as cebolas, apesar da servidão. Este exemplo do pecado de Israel transforma-se em um aviso familiar aos fiéis: “Hoje, se ouvires a voz de Deus, não endureças o teu coração como no dia da tentação no deserto” (Hb 3,7).

A verdade é que Javé não aprovou a murmuração do povo e seu desejo de voltar às coisas do Egito: “Todos os homens que viram a minha glória e os sinais que eu fiz no Egito e no deserto, já me puseram à prova e não me obedeceram. Eles não verão a terra que jurei dar a seus pais. Nenhum daqueles que me desprezou verá essa terra” (Nm 14, 22s). Como será que hoje ele enxerga nossa tibieza, omissão, desleixo com a vocação e falta de atitude?

A idéia de que Deus havia preparado inúmeras bênçãos para eles, nunca lhes pareceu passar além do físico. Gente de cabeça dura não conseguiu enxergar o transcendente. Cansaram do maná e queriam carne, melões, alhos e cebolas do Egito. Em vez de olhar para o projeto de Deus em Canaã, olharam de volta para o cativeiro do Egito. Foi Deus quem os tirou do Egito. Eles se rejubilavam diante dos milagres e logo em seguida blasfemavam, querendo as cebolas do Egito. O coração de muitos deles ficara no Egito! Os desejos deles ainda apontavam para as coisas passadas. Assim, muitos de nós, mesmo a caminho da terra da graça, depois de haver passado pelo deserto da provação, parece desconhecer o objetivo final da jornada, demonstrando saudade da vida passada, onde abundou o pecado.

Biblicamente, a expressão deserto possui uma riqueza de significado e de pedagogia. Vocês sabem o que é um deserto? Na teologia bíblica deserto é sinônimo de algum estágio temporário de provação. Mais do que provação, purificação. Deus conduz o povo ao deserto para experimentar sua fidelidade. Ás vezes as dores, a doença, a incompreensão, embora não sejam oriundas dele, servem para que sejam avaliadas nossas condições de devoção e dedicação. O motivo da murmuração do povo no deserto era a saudade daquela vidinha ordinária que levavam no Egito, por mais penosa que ela fosse, era preferível a essa vida extraordinária, entregues aos cuidados de Deus. A cegueira espiritual do povo não permitia enxergar essas realidades. Quem não vê a luz, invariavelmente vai terminar caindo.

Em alguns lugares, especialmente na cultura dos retiros espirituais, “fazer deserto” significa observar silêncio, abrir espaços para a meditação interior, ou criar oportunidades para escutar a voz de Deus. É uma situação metafórica um pouco desvinculada da idéia original, onde deserto é sinônimo de provação; temporária mas decisiva.,

Se alguém nos disser que a vida com Jesus é um mar de rosas, sem lutas, sem problemas, mentiu. Isto é um triunfalismo vazio sem fundamento na Palavra. Se alguém afirmar que é só luta e sofrimento se enganou também. Nenhum dos dois disse a verdade! Há lutas sim e mas há vitórias também! Há promessas e desertos e a conquista da promessa! Não nos deixemos enganar. Deus é bom e misericordioso. Ele tem uma terra reservada para os seus filhos. O caminho pode ser deserto e já vimos que é, mas ele tem realidades concretas e eficazes para a nossa vida.

O deserto é, portanto, o caminho escolhido por Deus para nos levar até o lugar das promessas. Não abram mão destas quando estiverem no deserto! É preciso, pela perseverança, enxergar mais longe. Foi no deserto que os patriarcas fizeram experiências religiosas decisivas, escrevendo a história segundo o projeto de Deus.

Contra o descuido de muitos, não perseverando e voltando aos estados anteriores de corrupção e pecado, há outra admoestação notável de São Pedro que vale a pena refletir:

Por isso, façam esforço para colocar mais virtude na fé, mais conhecimento na virtude, mais autodomínio no conhecimento, mais perseverança no autodomínio, mais piedade na perseverança, mais fraternidade na piedade e mais amor na fraternidade. Mas aquele que não tem essas virtudes é cego e míope, pois se esqueceu de purificar seus pecados antigos (2Pd 1,5-9).

Vocês sabem o que é ser santo? Quem quer ser santo? Qual o segredo dos santos? Não sabem? A perseverança! É ela que mantém a fidelidade dos verdadeiros discípulos de Jesus. O santo é alguém que optou pela santidade. Todos podem ser santos. Jesus recomendou que fôssemos santos como o Pai é santo e perfeito (cf. Mt 5,48). Ora, sabemos que ele não faz jogo de palavras. Se ele recomendou a santidade é porque ela é acessível a nós. Basta querer; é preciso perseverar na virtude, na esperança e no amor,

A perseverança se alicerça a partir de um desejo de comunhão e de um ponderável espírito crítico de quem não aceita nenhuma verdade sem passá-la primeiro pelo crivo do evangelho. Santo é aquele que conhecendo suas limitações, se reconhece fraco e pecador, e se entrega incondicionalmente nas mãos do Deus Uno e Trino. Frágeis e vulneráveis, nós não conseguimos ser perseverantes por muito tempo. Com o auxílio de Deus e a fidelidade ao evangelho podemos vencer a tentação, o desânimo e a indiferença. Como diz o vidente de Patmos, “Aqui se fundamenta a perseverança e a fé dos santos” (Ap 13,10).
A perseverança revela a prática dos crentes genuínos. A Bíblia nos diz: “Vocês serão odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mc 13,13).
 
No terreno da moral é bem viva a comparação de certas sensações com resultados bons ou maus. Nem tudo que parece bom (o prazer de comer as cebolas e os melões do Egito) ou que se afigura como custoso (a caminhada pelo deserto) tem uma avaliação definitiva. O ato de comer os frutos do Egito, é extrinsecamente bom, mas pode se tornar algo irreversivelmente mau, pois vai significar um retrocesso, uma volta à escravidão e ao sofrimento sem remédio do exílio.

De outro lado, uma provação de quarenta anos pelo deserto (algo mau à primeira vista) traz consigo um resultado intrinsecamente bom, pois aponta para uma terra própria, ampla, espaçosa, onde jorra leite e mel. O problema do povo hebreu no deserto foi a falta de persistência. Igual a muitos de nós, eles louvaram a Javé pela libertação do Egito e por alguns sinais miraculosos. São os apóstolos das horas boas. Depois, porém, quando as coisas caíram na rotina, quando vieram as dificuldades, se revoltaram e deixaram de perseverar.

Que lição podemos tirar das imagens das “cebolas do Egito” e da caminhada à “terra prometida”? É preciso argüir sempre onde está o projeto de Deus. Uma vez identificado esse plano, mesmo que as aparências ou as primeiras sensações não sejam tão coloridas, é aí que se encontrará a verdadeira felicidade. Descoberto o projeto de Deus, nos cabe observar se caminhamos com ele ou na contramão dele. É prudente não esquecermos as promessas de Jesus, entre elas “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mc 13,13).

Uma meditação sempre deve nos encaminhar a uma reflexão madura e edificante. Nós ajudamos ou dificultamos a perseverança dos outros? Somos ocasião de tropeço ou de reerguimento? Apontamos para a “terra prometida” ou para a “casa da servidão”? Este é o tema de nossa reflexão para esta manhã.





Pregação feita a um grupo de padres da Arquidiocese de Porto Alegre, num retiro espiritual ocorrido em Cidreira (RS) em setembro de 2004.
Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 15/12/2008
Código do texto: T1336974

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Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 76 anos
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