A FACE HEDIONDA DA INDIFERENÇA

Alguém, n'algum lugar, já dizia que não há nada que machuque mais do que a indiferença. Sim! Acima mesmo do ódio e do desprezo. Atinge mais. É mais letal à sensibilidade humana. Se quiser, portanto, fazer uso dos sentimentos mais mesquinhos visando atingir algum desafeto, melhor se conscientizar de que o ódio ainda demonstra algum grau de amor. Você se importa com a pessoa, de algum modo. De alguma forma às avessas aquele ser, objeto do seu desprezo, o incomoda, o enreda! E você, sabendo disso ou não, se acha atado a ele, escravizado, em decorrência de um estilo de afetividade em negativo!

Mas com a indiferença, não. É mortal! Pergunte a qualquer um que passe por um fim de relacionamento amoroso; que tenha ouvido a famigerada sugestão para que "sejam bons amigos", ou pelo menos que se aperceba que o parceiro ou parceira em questão já está tão desconectado após apenas três dias que nem mesmo se recorda mais de sua existência, envolvido com outro ou com outra. Nunca vi ditado mais acertado!

Existem umas fotos espantosas que já de há anos circulam na internet e volta e meia retornam à minha caixa de e-mails, retratando a miséria escatológica no continente Africano. E, dentre todas elas, em especial uma, ganhadora do prêmio Pulitzer, marcou provavelmente, e para sempre, não apenas a minha emotividade, mas a de todos que a ela tiveram acesso: a da criança agonizante arrastando-se no chão de pó batido em direção ao campo de alimentação das Nações Unidas; uma criança bem pequena - não teria mais que cinco anos! E, por detrás dela, o abutre, à espreita apenas de que exalasse o seu último suspiro para enfim se alimentar.
 
Horrível! Dantesco! Uma das coisas mais famigeradas que já vi em toda a minha vida! Li outro dia que o fotógrafo ganhador do prêmio caiu em depressão depois daquilo e suicidou. Quanto ao destino da pobre criança, ninguém conhece. Não se sabe se alguém, o próprio fotógrafo talvez, a tenha socorrido antes do suspiro final, ou alguma alma cristã que ali por perto também presenciasse a cena tenebrosa, salvando a tempo o pequenino ser em estado de profunda indigência material, emocional e em todos os possíveis sentidos cabíveis a um ser humano abandonado tão precocemente à própria, ingrata, e profundamente solitária sorte!
 
Fato, contudo, meus caros, é que vem a pretexto desta foto este artigo, ao receber por e-mail talvez pela décima vez a mesma série fotográfica que roda o planeta tentando alertar a humanidade para o grau catastrófico extremo que um tal cenário representa para o mundo e para o cinismo implacável da sua indiferença, acenando brutalmente para o que deveria evocar em todos nós vergonha indescritível dos princípios da nossa civilização falida ao permitir esta enormidade inconcebível de mazelas que tantos e tamanhos crimes desencadeiam contra a humanidade!
 
É, esta foto, meus amigos, a face mais hedionda do estágio de indiferença ao qual chegamos, sob os pretextos mais descabidos, acobertado pelos mais falsos vernizes de civilização alardeados e celebrados pelo universo aberrativo dos prêmios Nobels, dos ídolos da Fórmula 1, dos avanços confortáveis da tecnologia e da inversão de valores mais calamitosa jamais presenciada na história da humanidade, cujos benefícios enganosos se destinam apenas a uma fatia reduzida da população: a dos inocentes úteis e a dos homens de inteligência imersos conscientemente em dantesca ironia para com estes contrastes intoleráveis num planeta pródigo de recursos naturais qual a Terra - recursos estes que jamais poderiam ser monopolizados em benefício apenas de alguns privilegiados que houveram nascido, por golpe de sorte, em países do dito bloco capitalista do mundo!
 
Há uma música atualmente que, frente a tanto desgoverno, pergunta todo o tempo por quê?! 
 
Por quê a agressão gratuita ao meio-ambiente, que arrasta o próprio homem à sua destruição? Por quê, do mesmo modo, caros, a agressão gratuita ao próprio homem?! 
 
Em qual tábua da lei está escrito que crianças africanas merecem se esvair em fome, agonizando em horripilante morte lenta, indefesas frente ao assédio voraz das aves de rapina famintas em expectativa, enquanto crianças do ocidente americano padecem obesidade na era dos fast-foods, expelindo sanduíches e gordura por todos os poros até a saciedade, até ao desperdício de toneladas de alimentos nas lixeiras descartáveis dos lares e das indústrias?!
 
Por quê?! Quem nos deu este direito?!
 
Amigos, de há muito é passado o tempo de se acordar para o fato de que a Terra é um organismo vivo ao qual somos todos indiscutivelmente conectados em processo de simbiose vital! Para a verdade de que em se agredindo e atentando gratuitamente contra esta vida – seja destruindo indiscriminadamente árvores, fauna oceânica, o precioso curso da vida de um único ser humano – desencadeia-se reação proporcional e em ordem direta para com a fonte da agressão; para com o agressor!...
 
Que Deus se apiede de tudo que vimos atraindo através de nossas escolhas.
Christina Nunes
Enviado por Christina Nunes em 03/02/2009
Código do texto: T1420431
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