SERGIO NAYA – FIM DA LUTA PELO PODER

SERGIO NAYA – FIM DA LUTA PELO PODER

Ao iniciar-se o Carnaval 2009, morre na cidade de Ilhéus, na Bahia, o ex deputado federal Sergio Naya, construtor dos Edifício Palace I e II que desabaram no Rio de janeiro há 10 anos, matando oito pessoas.

O empresário estava em Ilhéus, terra de Jorge Amado, há uma semana, negociando a construção de um grande shopping Center e uma casa de convivência para idosos. Na noite anterior à sua morte, chegou ao hotel bem tarde e recolheu-se ao seu apartamento. Como não apareceu para o café da manhã nem para o almoço, seu motorista acionou a gerência que abriu os aposentos do empresário, encontrando-o morto, provavelmente, vítima de um ataque cardíaco.

Aos 66 anos de idade, um homem milionário viveu os últimos dez anos travando batalhas judiciais para isentar-se do pagamento de indenizações às vítimas do Palace. Foi vitorioso em algumas ações, tendo sido absolvido quanto à sua participação dolosa na estrutura dos prédios que desabaram. Não creio que ele tivesse ação direta neste episódio, vez que suas obras eram terceirizadas. Os engenheiros e empreiteiros que planejaram, executaram e fiscalizaram a construção, certamente são os culpados. Fala-se que foi utilizada areia da praia e metade do cimento necessário para a segurança dos prédios. E esta ‘economia’ ceifou vidas e trouxe grandes prejuízos materiais às famílias que adquiriram os apartamentos de boa fé.

Há cerca de 5 anos, o Sergio Naya envolveu-se em outro escândalo, desta feita aqui em Vitória da Conquista, quando, utilizando-se de documentos falsos, tentou transferir um dos seus bens para terceiros, uma fraude que visava impedir que tal bem fosse leiloado para pagar as tais indenizações. Cartórios de Conquista participaram da falcatrua, descoberta a tempo. Não há notícia de punição aos culpados, agentes públicos coniventes com tais atos ilícitos.

Chega ao fim, ainda cedo, a vida de um homem que acordava e deitava pensando em acumular riquezas. Sua morte vai facilitar o trâmite dos processos de indenizações e deixar ricos os seus herdeiros. Pena que Sergio Naya não tenha se conscientizado da fugacidade da vida e dos desígnios misteriosos que não temos como mensurar, para viver mais ou menos tempo, para acumular fortunas ou viver com o necessário para uma existência confortável, dentro dos padrões sociais.

Agora fico a pensar no que se passa na cabeça do deputado federal Edmar Mendes com seu ‘castelo’ de 25 milhões de dólares. O homem não aprende mesmo, nem com tão evidentes sinais que perpassam nosso dia-a-dia. Ter e não Ser.

Que Deus tenha piedade da sua alma, Sergio Naya e leve conforto a sua família. E que os juízes apressem a indenização dos prejudicados pela incúria e pela avareza de outro ser humano.

Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 21/02/2009
Reeditado em 27/02/2009
Código do texto: T1450413
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