REFORMA ORTOGRÁFICA POLITICAMENTE INCORRETA

O Professor Raimundo Galvão, da Universidade Federal de Sergipe, pronunciou importante palestra sobre a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, durante sessão realizada na ASL (Academia Sergipana de Letras), na segunda-feira, dia 9 de março de 2009.

Pelo Brasil inteiro, o prato do dia, a sugestão da casa ou ainda o popular PF é esta mísera reforma, mais para o “retombo”, palavra popular usada no nordeste brasileiro para designar um serviço mal feito.

Sim, fique indignado quem quiser, mas a um simples piscar de olhos em busca de alguma lógica nas determinações, a comentada reforma não resiste ao sopro de um passarinho.

Há duas faces que definem a mudança ortográfica que vai acarretar alterações fonéticas, sem a menor sombra de dúvida.

A primeira face é a do facilzinho, relativa ao pseudo-banimento do trema, pois que ele resistirá em nomes estrangeiros. Nem venha você me dizer se esse pseudo-banimento tem ou não hífen. Enquanto houver tolerância, farei uso dela. Mas, continuando com o facilzinho, até os mais desligados da norma gramatical já estão absorvendo mais ou menos as noções das alterações mínimas.

A segunda face é “o bicho”. Esse uso do hífen já se fazia de forma muito sofrida e sofrível, agora danou-se. Não aposto sequer um centavo de real que um dia alguém empregará o hífen corretamente (dentro do estipulado). Esse lado maligno da reforma reduziu em torno de 99 % o índice de pessoas capazes de usar palavras compostas por justaposição. Quem quiser reprovação nos concursos, encha as provas de questões sobre o emprego do hífen,

É algo incrível a criação de dígrafos em alguns casos, com alguns prefixos seguidos de alguma coisa. É de cair o queixo a reforma falar de verdadeiros e falsos prefixos. Mas quem sabe quanto a essa verdade ou falsidade? Ficamos quase todos de mãos aglutinadas e incapazes de escrever. Temos medo das compostas da mesma forma que criamos pânico por termos enfrentado situações de violência extrema, como aquelas dos assaltos nas cidades grandes.

Nem me venham esses metidinhos a modernos, espíritos subjugados que aceitam e usam o ridículo argumento do “já está aí, vamos obedecer”. É o manda quem pode, obedece quem tem juízo. As leis são imperfeitas, pois são criadas pelo homem e podem e devem ser questionadas. Principalmente leis sobre a língua.

Ninguém está obrigado a dizer aleluias para as novas leis sobre a escrita da língua portuguesa. Não devemos adotar o fatalismo das mulheres que, mal informadas, acreditam que têm um filho atrás do outro porque Deus assim o quer.

Eu faço caretas, beiços, caras e bicos para essa reformazinha mal pensada, nada democrática e barata tonta. Por que continuamos, em pleno século de transformações propaladas ad nauseam, tão preocupados com a opinião de Portugal? Que mania de colonização. Quando seremos linguísticamente independentes? Quando chamaremos nossa língua pelo melhor nome que ela pode ter, língua brasileira?

Quanto à questão da pronúncia, não é tão simples e nem por cima dela se pode passar achando que não se transformará. Os alfabetizandos de 2012 em diante dirão a palavra final.

Mudando de pau para cacete, vale lembrar que o inglês americano é diferente do inglês inglês, mas os EUA se respeitam, tanto que o inglês que manda no mundo é o deles. Portugal é vizinho da Espanha e deveria naturalmente influenciar e ser influenciado pela língua espanhola. Cadê D. Pedro para mandar os laços fora?

Voltando à carga, a reforma é inconsistente e ilógica; não respeitou a democracia, não consultou o dono e senhor da língua, o povo; não respeitou as pesquisas científicas na área da Linguística.

Pensando bem, não ter acentos gráficos, como o inglês, é uma maravilha, até para digitar o texto. Mas, como ficaremos nós sem o til e sem a cedilha, que também não existem naquele idioma? Nao sei, nao. A bencao, senhor pai dos burros.

A partir de agora, colocarei a culpa nos digitadores. E qualquer autoridade em língua portuguesa que disser que sabe colocar hífen de acordo com a medida nova, é mentirosa.

Façamos a contra-reforma. Se Lutero pôde, então a gente pode. Ei, isto não é um trocadilho.

Os que inventaram essa mudança humilhante (ainda se escreve humilhante com h?) estão escondidos por aí com vergonha da mancada que deram. Nota zero para eles. Talvez com muitos anos de estudos filológicos possamos reconhecer falsos e verdadeiros prefixos. Os reformadores também. E quero é ver quem manda em psicopedagogos, pedagogos e psicólogos, do jeito que adoram brincar de prefixação e hifenização.

Avisos: 1..Se você encontrou erros neste texto, foi o digitador ou o pc que não salvou.

2.. Não abra qualquer e-mail cujo assunto seja Reforma Ortográfica, é vírus.

3. Abandonei o Professor Raimundo lá no primeiro parágrafo e esqueci de dizer que a conferência foi ótima.