EXERCÍCIO DA MEDICINA E DA DOENÇA

Embora a medicina reconheça o poder curativo das boas vibrações, ainda abomina a reza como agente de cura. Os curandeiros, que em alguns países tem treinamento e reconhecimento científico, no Brasil são vistos como charlatães pela medicina. Onde são conhecidos e reconhecidos têm sua área de atuação restrita, trabalhando, muitas vezes, acompanhados de um médico. O povo brasileiro, que não quer saber dos códigos médicos, os prestigia, caso contrário não existiriam.

Contudo, se o exercício da cura não é permitido, a ajuda em fazer adoecer sempre é muito respeitada. Palpiteiros de toda a ordem, sem nenhum conhecimento médico, ficam fazendo “alertas” em emissoras de rádio ou televisão. O que teria o objetivo de informar a população sobre os riscos e perigos de certas atitudes acaba funcionando para espalhar pânico no público que, via de regra, costuma dar mais atenção à desgraça que ao bem estar.

O caso mais recente da gripe suína é apenas o exemplo mais atual. O medo inicial, justificável em parte, deveria ter cedido lugar ao bom senso. Embora alguns profissionais de saúde insistam em dizer que a gripe é menos letal que as formas conhecidas, que ela é mais facilmente combatida, que o tempo de manifestação é menor, outros setores insistem em espalhar o pânico. Provavelmente alguém ainda vai levantar os números, mas com certeza nunca houve tanto tempo de mídia dedicado a tão poucas mortes. Muito estardalhaço para pouca ameaça.

Ora, os profissionais de saúde (ou de doença) sabem que há inúmeros seres microscópicos oportunistas que só agem quando encontram situações favoráveis. Infelizmente ainda existem aqueles que não vêem a mente e o corpo como intrinsecamente interligados. Não consideram que o estímulo a esses seres microscópicos está justamente no medo e na insegurança das pessoas.

O medo gerado faz com que todos corram para as farmácias sem saber exatamente para que finalidade. Assim, os médicos que combatem o charlatanismo representado pelos curandeiros, rezadeiras, pegadores de rasgaduras ou outro nome que venham a ter, aplaudem o pânico gerado por uma dúzia de mortes em três meses de atuação de uma pandemia que existe apenas na imprensa.

Para quem pensa que o noticiário é justificável poderíamos formular algumas perguntas sobre temas que são muito mais letais que a chamada gripe suína. Sem querer entrar no tema “aborto” que mata inúmeros seres humanos sem defesa e, de quebra, muito mais parturientes que a Influenza A, temos muitos outros males na população mundial.

Não posso deixar de citar as mais de 500 mortes que acontecem todos os meses no Brasil apenas pela ingestão de alimentos contaminados. Mesmo o número sendo vinte vezes maior que o da gripe suína raramente recebe atenção da imprensa.

Poderíamos desfilar um rosário de outros riscos que vão desde os acidentes domésticos aos de trânsito e culminando nos assaltos, mas a intenção não é entrar no contra senso comum e gerar pânico. Quando focamos a mente no mal, deixamos de ver o bem. Programas de televisão costumam dar enfoque todo especial às “doenças” novas que surgem ou que possam surgir. O pânico ajuda a vender remédios.

Talvez devêssemos ter mais carinho com as rezadeiras e mais cautela com os espalhadores de pânico.

Luiz Lauschner – Escritor e Empresário

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Luiz Lauschner
Enviado por Luiz Lauschner em 01/08/2009
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