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OS HOMENS AMAM MAIS QUE AS MULHERES


Romeu Prisco
 
Está provado, estatística e cientificamente, que os homens amam mais que as mulheres.
 
Considerando que, segundo as estatísticas, os homens são responsáveis pelo maior número de portadores de cardiopatias e considerando, ainda, que segundo as pesquisas científicas, a maior causa das cardiopatias é o amor, resulta claro que o sexo masculino ama mais que o sexo feminino.
 
Essas são as conclusões a que chegou o grande cientista, pesquisador e escritor Edmond d'Avigon (*). Durante anos, d'Avignon submeteu-se a uma avaliação histórica e cronológica. Destarte, constatou ter amado, intensamente, o solo onde nasceu e seus símbolos.  Os pais, irmãos e demais familiares. Amigos, professores e o time de futebol. Livros e respectivos autores. Namoradas e amantes. Mulher e filhos. Veículos, casas, utensílios e objetos de uso pessoal e profissional. Empregos e respectivos patrões. Clientes e até mesmo alguns inimigos.
 
Resultado: seu coração dobrou de tamanho, encontrando-se literalmente ocupado. O átrio esquerdo está lotado, a espera de vagas na área interna. As vias de acesso estão congestionadas, enquanto a sinalização do ritmo sinusal funciona precariamente. A realização de novas pontes, com a duplicação das pistas de circulação hemática, aliadas a um novo revestimento das paredes ventriculares, podem trazer algum alívio, a médio prazo.
 
D'Avignon descarta e desaconselha a substituição total do aparelho cardíaco, salvo em casos de extrema necessidade. Afinal, por mais que um aparelho recondicionado seja compatível com o mecanismo que vai recebê-lo, não há nenhuma garantia de que as suas especificações correspondam exatamente àquelas do aparelho substituído, havendo sério risco de perda da raiz aortica original.
 
Em decorrência desse estudo e depois de ter sido admitido como membro honorário de vários clubes masculinos, como o tradicional "Men's Love Association", Edmond d'Avignon foi indicado para receber o Prêmio Nobel de Medicina Cardioperiférica.
 
(*) Personagem fictício. Pseudônimo literário do autor.
Romeu Prisco
Enviado por Romeu Prisco em 14/06/2006
Código do texto: T175206


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Sobre o autor
Romeu Prisco
São Paulo - São Paulo - Brasil
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