“CENÁRIO ECONÔMICO: OUTUBRO DE 2009”

“CENÁRIO ECONÔMICO: OUTUBRO DE 2009”

Welinton dos Santos é economista

O mês de outubro começa com muitas novidades boas, o país dos $onho$ de muitos investidores, passou a ter grau de investimento por mais uma empresa de avaliação de risco no mês passado e de quebra têm projeções de aporte de capital externo 21% superior ao de 2008, totalizando US$ 42,7 bilhões. (estimativa total)

País do Pré-Sal, das Olimpíadas, das commodities agrícolas, único com perspectivas de aumento de capitais na América Latina, potência ambiental e mineral, credor internacional, com mercado interno aquecido, desperta interesses de inúmeros grupos empresariais de várias partes do mundo.

Aplicar na poupança este mês ainda é uma boa opção. Ações do setor do entretenimento turístico e imobiliário do Rio de Janeiro terão forte valorização.

As medidas anticíclicas implantadas pelo governo impactaram em torno de 2% do PIB brasileiro de 2009, mas falta atenção ao setor de exportações, que é um grande gerador de empregos. O seguimento demanda um volume considerável de mão-de-obra preparada, com valor agregado de rendimentos superior à média salarial brasileira, a cada US$ 1 milhão de exportações, são gerados em média 24 empregos diretos e indiretos, segundo estimativa do IBGE.

As previsões de entrada da ordem US$ 63,7 Bilhões de fluxo de capital estrangeiro em 2010, apontado pelo IIF – Instituto de Finanças Internacionais pode ser menor ou maior dependendo de como o governo brasileiro irá gerenciar o potencial de crescimento do país no próximo ano. O fator político ditará as regras. O país está passando por um momento excepcional, com volume de reservas externas subindo, já ultrapassando os US$ 230 bilhões, o que permitiu a ousadia de querer fazer parte do NAB, dos quais, os países emergentes querem contribuir com US$ 80 bilhões no auxílio ao FMI na ajuda a outros países.

O dólar perdeu por volta de 10% do valor de face no último semestre, em comparação ao Euro e Iene, provocando perda de vantagem competitiva européia e japonesa frente aos produtos americanos. O mercado interno dos EUA está começando a mostrar sinais de recuperação, porém o consumidor americano está mais propenso a poupar do que gastar, provocando uma sinergia inversa frente ao realizado durante anos de um consumismo selvagem e desmedido.

Com o consumo interno brasileiro acelerado, surge à pressão sob a inflação, indicando aumento nos índices de correção dos próximos meses, tendência de aumento das taxas de juros no curto e médio prazo, portanto, mesmo com a diminuição dos incentivos de IPI sobre automóveis, ainda compensa adquirir um veículo com os valores financeiros cobrados atualmente no mercado, que tendem a elevar-se nos próximos meses, além da possibilidade de correção dos preços das tabelas automotivas.

Fazemos parte do G20, mas existe uma articulação entre EUA, Japão e União Européia, para que a China fique mais próxima e cooperativa com estes países, como um G4, será que governo chinês vai ceder as antigas potências e esquecer de seu mercado e dos acordos com Rússia, Brasil, Índia e investimentos que está fazendo no mundo todo? Não acredito nesta hipótese, pois, o escoamento dos produtos chineses está pulverizado, mesmo sendo o maior credor da economia americana, a China quer fortalecer-se estrategicamente como potência econômica mundial e não cederá espaço as vontades políticas da velha hierarquia internacional. Estes movimentos comprovam que a Europa Ocidental e os EUA, estão perdendo espaços políticos e econômicos na nova estrutura de gestão do mercado global.

Os movimentos de instabilidade do câmbio continuarão presentes no mês de outubro. Perspectivas de forte aceleração no nível de emprego em outubro.

Em um novo cenário brasileiro duas questões pairam no ar: o elevado aumento dos gastos do governo que pode provocar desequilíbrio fiscal e o aumento das importações, motivados pela queda do dólar, que colocam em risco os produtos brasileiros e tendências de aumento do desemprego.