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Um número feliz - Adalberto Nascimento

Abordaremos algumas curiosidades sobre números, entremeando nossa narrativa, como de hábito, com algumas divagações. Não seguiremos a ordem numérica natural. Começaremos pelo número sete. Ele é um número diferenciado entre os dez primeiros. Não é múltiplo nem divisor de nenhum deles. Não é, por exemplo, como o oito, múltiplo de dois e quatro, ou como o três, que é divisor de seis e nove. É, portanto, um número solitário. Mas é um número feliz, como veremos ao final. E charmoso. Teria graça James Bond como agente 008?

Em sânscrito, sete era “sapta”; em grego, “hepta”; em latim, “septem”; em inglês arcaico, “seofon”; no inglês atual, “seven”. O nosso sete é obviamente originário do latim, assim como setembro, sétimo mês do primitivo calendário romano que continha apenas dez meses.

Os hindus representavam o sete como uma curvinha encimada por um arco. Era mais ou menos semelhante a um J com escoliose e de ponta cabeça. Era, digamos, um “tortinho”. Hoje, segundo essa bobagem hipócrita do “politicamente correto”, seria um “portador de deficiência gráfica”.

Os árabes, depois dos hindus, foram desentortando o sete e tornaram-no um V de ponta-cabeça. Em seguida levantaram um lado do V invertido até ficar parecido com a representação atual. Mas, com aquela nova configuração, passou a ser confundido com o um. Para evitar a confusão, os europeus introduziram uma pequena linha horizontal, “cortando” o sete com um “tracinho”.

Na Internet volta e meia aparecem fantasiosas descrições sobre as formas gráficas dos algarismos. As coisas da Internet têm de ser vistas de forma crítica. Tem muita gozação com ar de coisa séria. Uma delas é a representação dos algarismos “boladas por um gênio marroquino”, na qual são utilizadas figuras geométricas com a quantidade de ângulos de cada figura igual ao do respectivo número.

As mudanças em caracteres gráficos acontecem de forma lenta. Como exemplo de mudança gráfica, temos o cedilha. Cedilha vem de “ceda”, nome dado à letra Z no espanhol arcaico, mais -ilha, sufixo diminutivo. Em muitos manuscritos antigos era empregada a seqüência CZ no lugar hoje ocupado pelo cê-cedilha. Com o tempo, os copistas medievais reduziram o tamanho do Z e o colocaram sob o C, resultando numa forma semelhante ao de um “pequeno anzol”. É “iço” aí.

Às vezes ocorrem mudanças gráficas instantâneas. Lembro-me, do tempo do “Estadão”, que, quando um professor estava voltado para a lousa, um aluno, na maior tranqüilidade, tirou a tampa da caneta “Parker” do mestre, abriu a caderneta e transformou a sua nota em 8, grudando ao 3 que havia tirado um “3 especular” O professor, ao ditar as médias no final do mês e talvez para não admitir um erro seu, consignou uma média alta a um aluno que, pelo ar inquisitório, não seria capaz daquela façanha.

Tirando um desse oito fajuto temos o sete, que é marcante na história da humanidade. Sete é a duração de cada uma das quatro fases da lua. Em função disso, sete são os dias da semana (que etimologicamente significa “sete manhãs”), sete são os pecados capitais (ou da nossa capital?), sete são as maravilhas do mundo, as cores do arco-íris, os anões da Branca de Neve, as esposas do Barba Azul, etc. É tanto sete que ele acabou virando conta de mentiroso.

Os chineses têm duas datas importantes relacionadas ao sete. Uma delas é o Yan Yat, considerado como o dia universal da criação da humanidade, no sétimo dia do ano novo chinês. E há uma cerimônia especial no quadragésimo nono (sete vezes sete) dia depois do falecimento de uma pessoa. Já os japoneses comemoram a vinda de uma criança no sétimo dia após o nascimento. Para cerimônias referentes à morte são utilizados o sétimo dia e a sétima semana depois do evento. Aqui temos também missas de sétimo dia e covas que eram feitas com a profundidade de sete palmos. Disso nem é bom pensar; melhor saber porque o sete é considerado um número feliz. Seria por causa das tais danças de sete véus?

Na verdade, o tal conceito de “felicidade numérica” é creditado aos russos. Talvez por causa do frio intenso, os russos foram pródigos em passatempos com números. Agora existe a televisão para “estar idiotalizando” todo mundo.

Para saber se um número é feliz, você primeiramente eleva-o ao quadrado, ou seja, multiplica-o por ele mesmo. Fazendo isso com o sete, obtemos 49. Em seguida você faz a soma do quadrado do 4 com o quadrado do 9. Ou seja, 16+81=97. E repete o procedimento, somando o quadrado do 9 com o do 7; e 81+49=130. E do mesmo jeitão: 1+9+0=10. E novamente: 1+0=1. Quando der 1, como foi o caso do 7, temos que o número inicial é feliz. Do 1 ao 20, temos 5 números felizes. Tirando o 1, o 7 e o 10 (que vivem em eterna felicidade), tente descobrir os outros dois.

Não tem paciência? Então “pinte o sete”.

De: Adalberto Nascimento
Douglas Lara
Enviado por Douglas Lara em 06/10/2009
Código do texto: T1850517
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Sobre o autor
Douglas Lara
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 80 anos
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