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Quando criança, repetia achando graça, um trava-línguas que até hoje me lembra o tempo dos passeios pela praça...

O sol desaparecia sob as cortinas voil da tarde e no caminho para casa repetíamos, num coro um tanto covarde:

- O rio Capibaribe está descapibaribado, quem o descapibaribou, foi o descapibaribador.

E a frase seguia com uma risada.

Hoje, adulta, sinto o impacto da tão inocente brincadeira. O riso amarelou e o peso da realidade já nos cobra atitudes verdadeiras.

São 240 km de sofrimento, de descaso...

Suplico aos pernambucanos: unam-se e salvem nosso rio! Só assim poderemos nos orgulhar da “Veneza Brasileira”.

Passeando por 35 pontos turísticos, infelizmente não explorados, temos uma grande responsabilidade com o futuro deste rio maravilhoso, que corre choroso por entre as pontes da nossa cidade.

O descapibaribar não tem mais graça, agora o importante é RECAPIBARIBAR, o quanto antes, pois o rio tem pressa.
 
E foi partindo deste texto que cheguei numa dessas manhãs no Capibar, o bar do casal Maria do Socorro e André Cantanhede, que juntos lutam há mais de 28 anos por um Capibaribe digno. O projeto Recapibaribe nasceu assim, dessa insatisfação, descrita por Socorro numa conversa à beira do rio, onde, vez por outra parávamos para observar algo não identificado boiando.
 
Disse-me Socorro, que quando criança, nadava e brincava no rio e que ele representou tudo  em  sua vida e na de seus pais, que tiravam dali todo o sustento da família e que agora ela devia-lhe ajuda.
 
Tem sido uma luta diária, numa causa mais do que nobre. O reconhecimento é este, entrevistas, fotos, aplausos por tentar salvar um rio que é de todos nós, ajuda no trabalho de estudantes, um exemplo a ser seguido, etc, etc, etc.... Mas etc. não ajuda muito, ajudaria um reconhecimento da cidade pelo trabalho, pela mágica que tem que fazer quando junta, como em 28 de agosto último, mais de 150 pescadores em 79 barcos, do Capibar (sede do Recapibaribe), até o Ginásio Pernambucano e retira 20 toneladas de lixo. O seu barco, que recolhia também tanto lixo, está parado, por falta de manutenção.
 
 
A cada dia mais e mais prédios maravilhosos são construídos às suas margens e mais esgotos são jogados, sem menor preocupação com o meio ambiente.
 
Trata-se de uma urgência. Não é possível que com tanto modernismo as pessoas ditas “cultas e inteligentes” possam estar fechando os olhos para essa tragédia ecológica. Vamos dar as mãos para salvar o que é nosso, o que a natureza nos deu de presente para nossa própria sobrevivência.
 
E assim, entre uma e outra pergunta, o belo e bucólico cenário visto do Capibar, permaneceu triste em minha mente e lembrei-me da frase que repetia quando criança, mas desta vez, com vontade de chorar...
 
Hoje em dia, as crianças estão atentas, estudando a fragilidade atual do nosso planeta e aprendem que pequenas ações (como reciclar e economizar água) já contribuem bastante para a melhoria do nosso meio ambiente.
 
Algumas escolas orientam e ensinam de forma dinâmica nesse sentido, fazendo-os perceberem a grande responsabilidade que a nova geração tem para com o futuro da natureza que nos cerca e consequentemente, do bem estar de todos nós.
 
 
Existem alguns outros grupos empenhados em projetos de revitalização do Capibaribe, como o pessoal do  
“Eu quero nadar no Capibaribe. E você?”. O objetivo principal é estimular, através do audiovisual e de debates, a prática de ações que contribuam para uma melhor qualidade de vida e a preservação do meio ambiente.

O Projeto “Capibaribe Melhor”, da prefeitura, trata-se de uma conjugação de intervenções de caráter urbanístico, ambiental e social, e quer promover a requalificação ambiental da bacia do Capibaribe, no perímetro do projeto e a redução da vulnerabilidade urbana e social da população. O trecho vai da bacia do rio Capibaribe, situado à jusante da BR-101 até a Avenida Agamenon Magalhães.
 
Numa audiência pública, no último 21/10/2009, houve debate a respeito das necessidades das comunidades envolvidas nas intervenções do Projeto Capibaribe Melhor. As questões dos reassentamentos e exatidão dos pontos por onde a obra vai passar são algumas das preocupações dos moradores.
 Além de Vicente André Gomes (PCdoB), a mesa contou com César Barros, representando a Secretaria de Planejamento da PCR e a URB; Aline Sobral, representando todas as comunidades do bairro de Casa Forte; e Renata, representando a CPRH. O Parlamentar explicou que "através de um pedido de informação podemos explicar, mais claramente, que casas serão derrubadas, pois é isso que os preocupa. Outra questão é se a quantidade de quartos das novas moradias é suficiente para receber famílias grandes".   
A terceira perimetral, parte dessas obras, envolve moradores das comunidades de Santana, Vila do Vitém, Lemos Torres, Poço da Panela, entre outras. Nela, a construção de um viaduto que vai ligar o bairro de Casa Forte ao bairro do Caxangá, desobstruindo as vias do entorno, facilitando o trânsito dos carros. Eles temem serem alocados para endereços distantes das comunidades onde moram, pois não querem ficar longe do ambiente de trabalho e de suas origens. “Queremos apenas estar bem informados dos pontos que se enquadram nas intervenções. A Prefeitura ainda não dispos de um documento que possamos compreender essas intervenções", disse Aline Sobral. 
O arquiteto César Barros, responsável pela coordenação do Projeto Capibaribe Melhor, falou que o Projeto não prejudicará a população. "A área saneada que hoje é de 25% irá para 60%; palafitas não existirão mais; três parques serão construídos, além da revitalização de todas as margens do Capibaribe", garantiu. "Também estamos montando um 'calendário' que mostrará o local exato da execução das obras, e poderá ser acessado por todo cidadão em breve", completou.
Ao final do debate ficou o compromisso de aguardar esse 'calendário', para acompanhar as intervenções concretas da obra. 
Os vereadores Luciano Siqueira (PCdoB), Jurandir Liberal (PT) estiveram presentes a audiência.
Em 21.10.2009, às 13h. (texto tirado do site da Câmara Municipal do Recife)
 
 
 “O rio está ligado da maneira mais íntima à história da cidade. O rio, o mar e os mangues. Assassinatos, cheias, revoluções, fugas de escravos, assaltos de bandidos às pontes, fazem da história do Capibaribe a história do Recife.”

(
Gilberto Freyre, Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife, 1942).
 
 
“Dia nítido lavado pelo Capibaribe,

O rio ninando o Recife,
O Recife criança em seus braços “

(
Mauro Mota, Domingo no Recife. In: Elegias, 1952) 

 VALE RESSALTAR QUE TODO E QUALQUER TRABALHO EM PROL  DO CAPIBARIBE SERÁ EM VÃO,  SE A  POPULAÇÃO NÃO FOR  DEVIDAMENTE ORIENTADA E REEDUCADA,  SEJA LÁ COMO  FOR,  PARA  MANTER O QUE QUER QUE SEJA FEITO.
 
Na foto: Escultura de João cabral de Melo  Neto,  à beira do Capibaribe.

AQUI VOCÊ PODE DENUNCIAR QUALQUER ABUSO CONTRA A NATUREZA:
 
MINISTÉRIO PÚBLICO DE PERNAMBUCO

Ligue: 0800 2819455


http://www.mp.pe.gov.br/
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Taciana Valença
TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 04/11/2009
Reeditado em 04/11/2009
Código do texto: T1904665

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Sobre a autora
TACIANA VALENÇA
Recife - Pernambuco - Brasil
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