Mateus, o Publicano

PALAVRAS DE VIDA

Pastor Serafim Isidoro.

“Não vim chamar os justos, e sim os pecadores” – Mt. 9.13.

Os motivos e as razões de Deus nos serão sempre ocultos, todas as vezes que procurarmos indagar o porquê de Seus atos. Há uma tendência humana em querer equipará-Lo aos Seus seres criados, o que dificulta o entender-se a Sua majestade. O que as sagradas escrituras nos dizem sobre Deus o colocam em uma esfera infinitamente acima de tudo o que humano. Ele é o Excelso e Sublime, Deus. A lógica humana jamais alcançará com clareza a Sua divina Pessoa.

Escrevendo o Evangelho que contem 1.071 versículos na língua portuguesa, o mais extenso deles, Mateus também chamado Levi somente no capítulo nono menciona sua própria história, seu chamamento ao aprendizado que durou três anos e meio na companhia de Jesus. Denota-nos a humildade que não atribui em sua própria causa, destacando com veemência a pessoa do Senhor, Jesus. Este, o Mestre, passando pela coletoria aplicada aos negócios de Roma, depara-se com esse traidor cobrador de impostos em detrimento de seu próprio povo, ganhando certamente ótimo salário. Era por isto odiado pelos judeus, impedido de pertencer ou entrar na sinagoga, centro da religião e do estudo das sagradas letras. Um marginal quanto ao judaísmo.

Certos cargos discriminam seus oficiais perante o povo. Haja vista o funcionalismo público de quase todas as autarquias arrecadatórias. Parece haver sempre uma grande separação entre os que estão de dentro e os que estão de fora do balcão. Seus amigos, às vezes, são poucos. Ser coletor de impostos em favor do governo romano torna esse Mateus indigno perante seus compatriotas. Separado. À margem. Escrevo hoje a uma classe de pessoas que, vitimas de desprezo ou desdém, como aquele judeu sentem-se humilhadas, prejudicadas e sem serem alvo de afeição.

Jesus sempre faz a diferença. Não apaga o morrão que fumega. Não discrimina. Afirma: “Todo o que o Pai me der, virá a mim; e o que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora”; “Felizes os humildes de espírito”; “Vinde a mim, todos vós que sois cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. - Na passagem em apreço, não foi Levi, Mateus, quem procurou o Mestre. Este, em pessoa, adentra a coletoria e ordena – ou convida – “Segue-me” – e ele O seguiu. Narrativa simples de um homem também simples. E saindo dali, certamente sem mais seimportar com o emprego público, Mateus conduz o Senhor Jesus e, por certo, os seus outros aprendizes para sua casa, surpreendendo a cozinheira e oferecendo refeição de regozijo ao seu novo amigo, mestre e senhor.

Os doze homens que tiveram a subida honra de pertencer aos escolhidos discípulos e apóstolos – enviados – de Jesus foram os mais simples ou desprezados do povo. Os fariseus, classe A da sociedade judaica, protestaram: “Por que come o vosso mestre com publicanos e pecadores?” – Nunca o mundo entenderá por que Deus escolheu as coisas que não são para confundir as que são. Os pequenos e não os grandes. Os indoutos e não os sábios: os pescadores, os iletrados, os marginais da orgulhosa sociedade.

Quando lemos os evangelhos com ótica concentrada na pessoa de Jesus, somos tocados pela Sua humildade, pelo Seu largo perdão aos pecadores e transgressores. Seu desprezo à religião formal e hipócrita dos Seus dias e Seu carinho e apreço aos menos favorecidos mas abertos a uma sinceridade quando trazidos à Sua presença. Ele não muda. Receber-te-á também.

Só Jesus.

O Pr. Th. D. Honoris Teologia, D.D. Serafim Isidoro, oferece seus livros, apostilas e aulas do grego koinê: serafimprdr@ig.com.br

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