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O sentido do amor



Mesmo diante de tudo que já se falou e é escrito nos livros de auto-estima, não sabemos ainda o que é o “amor”. Será ele puramente uma presença metafísica, haja visto sua existência não possuir uma vivência como ente, um ser vivo, mortal ou não, racional ou não? Para resolver tal questão de forma aprofundada e com as ferramentas do conhecimento humano, se faz preciso a ciência da metafísica, como conhecimento que está além da física, para digerir a natureza do amor. Por metafísica queremos entender segundo o conceito de Schopenhauer: “toda pretensão a conhecimento que busque ultrapassar o campo da experiência possível e, por conseguinte a natureza”.
Distingamos então três etapas para o conhecimento do amor: primeiro o estudo da metafísica como meio para conhecê-lo. Em seguida, deve-se relacionar a metafísica com o amor. Uma terceira etapa, caso se torne necessária, seria o amor em seu estado físico, espiritual e apeiron (termo grego utilizado por Anaximandro para designar “aquilo que não tem limiar, extremidade ou limite”, sendo considerado, pois como “infinito” e “imenso”, como o princípio original dos seres, tanto de seu aparecimento quanto de sua dissolução).
Como “filósofos do jardim” – assim eram conhecidos os discípulos de Epicuro –, devemos dar prioridade e maior importância ao conhecimento da natureza, da essência, da etimologia e acima de tudo, buscar em todos os lugares a “identidade” do amor, seja para usufruir um prazer individual ou para contribuir com o seu florescimento em toda humanidade. No acúmulo de informações a respeito do amor, devemos contemplar o amor em diversos filósofos, teólogos e antropólogos, encontrando em certos livros como “O Banquete”, “A arte de amar”, “Amor ‘energia atômica’ da realização humana”, escritos por Platão, Érick Fromm e Mário G. Reis respectivamente, extrato e subsídios para compreender de forma mais aproximada possível essa disposição humana encarnada nas relações do meio e para consigo.
Jamais irá esgotar o assunto dos mais sublimes que existem, nem chegar a um conceito absoluto. Entretanto, de acordo com as circunstâncias capazes de fornecer-nos a prioridade devida diante de tal assunto dos mais especiais em nossas vidas, devemos realizar uma investigação filosófica entre os variados ensinamentos, racionais ou não, que vislumbrem o caminho pelo qual se deve percorrer para todos almejarem nesta vida o amor, ou melhor, ser amor, viver no amor, amar...
Dom Chautard assim afirma: “É a inteligência que descobre a verdade, mas a vontade pode incitá-la a perscrutar mais profundamente e a descobrir sempre novas razões para melhor conhecê-la. O amor apropria-se então do verdadeiro, do bem e do belo para irradiá-los melhor e deles usufruir mais, tornando-nos clarividentes e insaciáveis de verdade, de beleza e do verdadeiro bem”.
Sendo assim, podemos chegar por meio da razão ao amor, encontrando-o no que é “verdadeiro” e “belo”, e em todos os lugares pelos quais estivermos dispostos a manter os olhos abertos e a mente acessível para a penetração de tal conhecimento.

Publicado:
Jornal de Hoje 1ª Edição
Natal, 10 de maio de 2006.
Hugo Galvão
Enviado por Hugo Galvão em 02/12/2006
Código do texto: T307742
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Sobre o autor
Hugo Galvão
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 40 anos
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