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Reféns da impotencialidade.

De uma maneira generalizada é lastimável a forma como se encontra o sistema educacional em nosso país. Salvo algumas experiências que dão certo, é degradante o rumo que o Brasil do futuro terá. Muitos professores desacreditados pelo sistema, seguem este exemplo e desacreditam-se em si mesmos, pois fingem que dão aula enquanto os alunos fingem que aprendem. Já os profissionais da educação com fortes ideais de transformação social se encontram em uma situação mais delicada ainda. Pois na intenção de estimular o raciocínio, assimilação de informações e juízo crítico dos alunos, o professor enfrenta uma enorme barreira: “o interesse dos estudantes”. E como se não bastasse, em virtude da falta de respeito, dar uma aula pode ser uma tarefa de alta periculosidade. Exemplos não faltam para elucidar a afirmação acima.
Os professores se encontram, não na totalidade, de mãos amarradas para reverter a questão do desrespeito do aluno; pois se a escola da rede pública repreende um estudante, o Estado repreende a escola por estimular a evasão escolar. Já na rede particular o cliente que paga o salário do professor acha que tem o poder para fazer o que quer e na hora que quer. A escola, sê em crise financeira, acaba acatando os caprichos de seus alunos clientes, deixando o professor mais uma vez de mão atadas.
Com certeza ninguém quer a volta da palmatória e do grão de milho, porque isso seria um descomunal retrocesso pedagógico. O que é necessário é a valorização e autonomia para que este profissional possa realizar plenamente a sua função. Pois transmitir informação, estimular o conhecimento, aprimorar a velocidade de raciocínio, incentivar o juízo crítico e a valorização do ser humano enquanto um todo é de fundamental importância em qualquer nação do mundo. Nenhum país pode evoluir sem o mínimo estímulo a intelectualização de seu povo.
A exacerbada violência que incide na sociedade só será combatida de fato no dia em que as pessoas souberem dialogar, no dia em que tiverem valores humanos no seu agir. Para tanto, a escola não poderá mais permitir passivamente que prodígios de corruptos, sonegadores, vândalos, ignorantes e medíocres saiam todos os anos com um diploma. Pois este tipo de indivíduo se juntará a outros tantos para compor o câncer social do país.
Um professor qualificado e valorizado sabe muito bem que o conformismo é o maior aliado da elite dominante. Ele sabe que instigar o pensamento pode ser algo muito perigoso para quem se fundamenta na ignorância dos outros. Sabe que o conhecimento abre horizontes, quebra doutrinas e cura a cegueira social. Segundo o filósofo indiano Bragwan Shee Rajneesh o saber não é algo pronto e estático, ele deve ser buscado. Nesta linha de raciocínio o educador Paulo Freire preconiza pela autonomia do indivíduo. Pois somente uma sociedade capaz de pensar com autonomia pode ter um certo controle sobre o seu futuro. Pode, além de cobrar do seu governo, ser  a solução para os problemas que a aflige.
O indivíduo que compõe uma sociedade autônoma pode, inclusive, ler este artigo e de maneira alguma  pensar sobre o autor: “Em que nuvem ele mora”?

Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 04/01/2007
Código do texto: T336403
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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 39 anos
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Hermison Frazzon da Cunha