Já escrevi um texto falando o que penso sobre celular (Amigo Útil Muito Inútil), mas decidi apresentar um novo apresentando uma reflexão oportuna.

1- Como viver sem celular nos dias atuais?

Eu vivo sem celular tranquilamente.

Acho possível não ter celular e praticamente nem sequer perceber tal ausência.

Indagarão que as pessoas não podem conversar comigo imediatamente, que estou privado de um diálogo por não utilizar o famoso aparelho.

Vale ressaltar que há uma grande confusão nesse argumento tão comum.

Existe uma enorme diferença entre conversar e tagarelar.

O que as pessoas costumam fazer com o celular na mão é tagarelar, ou seja, conversar bobagens, fofocar, dar risada sobre um fato irrelevante.

Você que está me lendo, tente responder:

O que você conversou hoje no celular realmente interessante, útil, válido?
O que foi dialogado que você considera imprescindível?

Alguns responderão que conversaram o que quiseram, que eu não tenho nada com isso, que exercitaram o livre direito de falar besteira...
E daí?

Eu adoro um desafio, portanto vou escutar tal resposta educada numa boa.

Se você admite que conversou o que quis, que é um problema seu, apenas reforça o que eu disse:

Você tagarelou, não conversou.

Devo aproveitar o ensejo para dizer que os beberrões vivem alegres quando bebem, no entanto, apesar de toda a animação, eles não impedem as doenças e os problemas que o ato de beber demais provoca.

Enfim, somos livres para fazer o que bem entendemos, inclusive temos o direito de praticar a imbecilidade.

2- Vamos permanecer discutindo o caráter das conversas dos usuários de celulares.

Atualmente temos 242 milhões de aparelhos celulares para 192 milhões de brasileiros.

Todos admitirão que, caso o celular seja realmente necessário, basta um para cada pessoa.

Sendo assim, se as pessoas vivem trocando de celular, mudando para um modelo mais atualizado, usando dois ou três celulares, permitam que eu afirme que isso nada tem a ver com necessidade.

Isso caracteriza loucura, modismo ou qualquer outra coisa, mas não é necessidade.

3- O que mais considero estranho é a ausência de diálogo entre as pessoas que usam celular.

Elas não dialogam, não conversam, não sabem ouvir, não gastam um minuto sequer tendo um intercâmbio com alguém, no entanto adoram tagarelar no celular alegando que estâo conversando.

Eu conheci uma pessoa que possuía dois celulares, no entanto há mais de dois anos impede que eu diga dez palavras, recusando radicalmente um simples diálogo comigo.

Os noivos se casam hoje, amanhã se separam. Muitos deles nunca conversaram mais do que uma dúzia de vocábulos.

A violência cresce assustadoramente.
Diante de um desentendimento, quantas brigas não teriam sido evitadas com um simples diálogo?

Constatando o fato de que as pessoas estão dialogando quase nada, como aceitar que o celular é necessário exatamente para conversar?

Não dá! Realmente não dá!

4- Lendo este artigo, alguns dirão que conversam diariamente com os entes queridos, procurando saber onde eles estão, se há algum problema etc.

Parece louvável, não?
Conversa fiada!

Nesse intercâmbio tão habitual, é possível que encontrando a pessoa cara a cara, fiquemos sem saber o que dizer, porém, tagarelando com a mesma pessoa no celular, puxemos mil assuntos.

Além disso, saber onde a pessoa está muitas vezes acaba com o sossego da outra pessoa.

É o famoso controle excessivo que pais tentam exercer em relação a filhos ou namorados e cônjuges em relação ao infeliz ou à infeliz que recebe a ligação.

Eis aí outro exemplo de loucura.

Penso também que podemos querer falar com alguém e não conseguir. Qual é o problema?

Conversa depois!

Mas nós somos caprichosos, né?
Queremos conversar agora, tem que ser agora!

Eu quero agora, não pode ser depois!

Ô bebezão! Ô bebezona!

A vida costuma rejeitar nossas vontades e nossos caprichos.

Às vezes a vida diz não!

Vale a pena aceitar isso.

5- Escuto muito dizer que certas profissões exigem o uso do celular.

Vale fazer aqui uma importante retificação.

Não é a profissão que exige, mas as pessoas que buscam esse profissional as quais jamais aceitariam encontrá-lo sem um celular.

Ou seja, o modismo, vício ou loucura coletiva obriga tal profissional a ter um celular.

Existiam ótimos advogados e médicos antes de existir o bendito aparelho.

6- Para finalizar, muitos dirão que usam, continuarão usando e que não estão nem aí para a minha crítica.

Devo esclarecer que nunca foi minha intenção convencer alguém a não ter celular.

Também jamais tive a presunção de que um modesto artigo suscitasse esse efeito.

Eu apenas quero registrar que, salvo umas duas situações, a maioria das vezes que alguém utiliza o celular, tal uso é totalmente inútil e irrelevante.

Já há pesquisas que apontam as pessoas usando mais o celular para jogar do que conversar.

7- E o computador?

Dirão que eu uso bastante, não?

Ultimamente mais de 90% da minha navegação está direcionada ao Recanto das Letras.

Mas me recordo que, no ano passado, fiquei cerca de sete dias sem computador.

Quando o PC chegou, senti falta do que eu pararia de fazer exatamente por estar navegando.

Durante a espera do produto, vi mais DVDs, relaxei um bocado, dormi menos ansioso e por mais tempo, enfim, ficar sem computador não foi tão ruim assim.

Mas não é possível comparar nosso querido computador com nosso inútil celular!

Com um computador leio e-mails, faço compras virtuais, uso o Word para preparar aulas, publico textos no RL...

E com o celular?
O que é que eu faço?

Um abraço!


Só para informar, o meu telefone fixo possui um identificador de chamadas.
Posso sempre verificar quem ligou, ficando à vontade para retornar qualquer ligação.
Ilmar
Enviado por Ilmar em 21/05/2012
Reeditado em 27/06/2012
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