ZONA FRANCA. FECHAR OU ABRIR:EIS A QUESTÃO

Ao completar 30 anos de vida no estado do Amazonas, preciso fazer uma reflexão sobre as principais mudanças que ocorreram neste tempo. Aparentemente tudo mudou, mas na essência as mudanças foram pífias. Desde que aqui cheguei ouço que a Zona Franca de Manaus tem inimigos poderosos que querem acabar com ela. E estes inimigos seriam do sul, São Paulo, principalmente, mas também de Santa Catarina, terra que me viu nascer.

O bairrismo nem sempre é um sentimento negativo, por isso São Paulo, ao defender seus interesses na terra da garoa pode, de roldão, ferir interesses externos. Afinal, qualquer mexida na estrutura de um estado do porte de São Paulo afetará sempre os outros estados da nação. São Paulo é a capital econômica e financeira do Brasil o que não quer dizer que seus habitantes queiram achacar os habitantes dos outros estados. Os amazonenses de Manaus sempre defenderão seus interesses embora isso possa ferir os interesses dos vizinhos de Roraima. Fazer o que?Analogamente, a euforia ou a depressão de uma grande empresa podem afetar as menores de uma região.

A primeira campanha para eleição para Presidente da República, depois do golpe de 1964 aconteceu em 1989 e os eleitores do Amazonas eram orientados para não votarem em “paulistas” porque iriam fechar a Zona Franca. Discurso esse repetido até hoje, em menor escala. A burocracia para se usufruir dos incentivos legais acaba apenas sendo cumprida por empresas fortemente estruturadas. As mais bem estruturadas se encontram justamente no Sul do Brasil. Para os pequenos, a Zona Franca de Manauas sempre esteve fechada e, pelo andar da carruagem não vai abrir nunca. Benefícios para estes, só de maneira indireta.

Trazer o patrão de fora para se aproveitar da mão de obra local sempre foi a tônica dos discursos dos políticos amazonenses que defendem a Zona Franca. As primeiras empresas que aqui aportaram realmente “importavam” seus executivos e deixavam o trabalho braçal para o povo daqui. Vencido o primeiro choque cultural, hoje há amazonenses em todos os níveis das empresas do Pólo Industrial, desde operário a presidente.

As mudanças que ocorreram na sociedade não acontecem no órgão máximo de desenvolvimento. Já se deveria repensar para que pequenos empreendedores tivessem seu acesso facilitado aos benefícios. As contrapartidas exigidas dos grandes deveriam ser dispensadas aos pequenos, principalmente das cidades do interior. Para isso são necessárias mudanças profundas, principalmente na maneira de pensar.

O governo tem uma boa ferramenta na mão. Se bem usada, poderia evitar gastos como as diversas bolsas que são distribuídas sem a exigência de retorno algum.

Luiz Lauschner – Escritor e Empresário

Luiz Lauschner
Enviado por Luiz Lauschner em 29/06/2012
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