NOSSOS FANTASMAS DE SAIAS E GRAVATAS

Todos os que assistiram o desenho devem sentir saudades. Eu sinto. Estou falando do “Gasparzinho”. E para a minha desilusão, uma peça publicitária de um partido político reviveu o trio de tios malvados do fantasminha camarada. Quem se lembra do Estica, do Gordo e do Catinga?

Catinga! Nome sugestivo quando o assunto é a política brasileira. Que neste momento, tem assustado a sociedade bem mais que os três tios fantasmas juntos. E se ainda não entramos numa casa mal assombrada, uma porta rangendo já foi aberta.

A Copa do Mundo, que era para ser a “festa” antes das eleições, foi um chute de canela com efeito contrário. Parte dos brasileiros está mostrando que a nossa índole não é assim tão hospitaleira, ordeira ou de paz. Apenas camuflamos nosso “jeitinho” de ser.

Passamos décadas vendendo essa imagem para o mundo. De repente, quando o mundo realmente está olhando para o Brasil, vê outra coisa. Outra realidade. E começa a ficar assustado. Afinal, aqui não é o paraíso. Deus não é brasileiro. E se Ele fosse, mudaria de nacionalidade.

Estamos fazendo descobertas que nos deixam amedrontados. Com a mesma facilidade que comemoramos um gol, ou cantamos a capela do Hino Nacional, por não saber cantá-lo inteiro, destruímos e saqueamos o patrimônio alheio. Assusta como fazemos isto parecer natural e normal. Que podemos tudo e não seremos punidos.

Será este o legado da Copa do Mundo? Ou será este o legado do Partido dos Trabalhadores para o Brasil? Uma expressão cultural do crime.

É triste ver crianças como atores de peças publicitárias sobre futebol e seleção brasileira. O civismo de uma nação não se faz com uma camisa amarela enfeitada com cinco estrelas. Ou com o sonho da sexta. O civismo e o cidadão devem ser moldados e forjados pela educação. Sempre pelos livros. Nunca pelos gols. Nunca como um sonho.

Descobri que os nossos fantasmas têm as mesmas características dos humanos. Quando acuados eles reagem e atacam. A primeira ação do desespero é botar medo. Na psicologia seria como desacorrentar os diabinhos. Parece ser essa a situação do Partido dos Trabalhadores, nesse momento.

E não existe nada mais fácil do que botar medo num país de despolitizados. Hoje eles invadem as ruas. Em outubro, comungarão calados com as promessas do continuísmo.

O meu temor não é dos fantasmas do passado. Eu temo os fantasmas do presente e do futuro. Alguns nada bobos que se disfarçam de “Gasparzinho”. Ou outros insistentes no epitáfio que não sabiam de nada.