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ALHOS COM BUGALHOS


Pediram que eu não falasse mais em política, que falasse apenas de comida. Talvez porque, por um lado, a alimentação seja uma necessidade diária assim como a comunicação o é por outro, torna-se impossível não misturar política à mesa das refeições. Quando escrevi a saga de uma família de descendentes alemãs no Brasil, dei o título: Chucrute, Churrasco e Jaraqui. As pessoas que gostam de falar de livros, mas têm preguiça de ler, pensam que é um livro de receitas. Pode até ter, mas não são receitas de culinária.
 O hábito egoísta da farinha pouca, meu pirão primeiro ignora propositadamente a quem caberá pagar o pato até porque, nesta salada de frutas que se tornou nossa política, ninguém mais quer descascar abacaxi de ninguém. Quer mesmo é ficar livre do pepino e dar uma banana a quem o critica dizendo que também é farinha do mesmo saco.  Pensar que o trabalhador é aquele que faz parte da panelinha do partido que usa esse nome é comer gato por lebre. Aliás, é uma ofensa a quem rebola mais que carne dura em boca de velho para ganhar o pão de cada dia.
No fundo todos querem meter o pé na jaca uma vez que as punições são um docinho de coco. No caldeirão da corrupção nacional, onde o caldo nunca parece entornar, os advogados, qual manteiga derretida, ficam enchendo linguiça durante anos, falando abobrinhas para provar que seus clientes não meteram a mão na massa na esperança que tudo acabe em pizza.  De quebra, acusam seus adversários de viajar na maionese. A imunidade beneficia aos reis da cocada preta que, de qualquer forma, já estão por cima da carne seca.
 Até mesmo o Presidente do STF que todos pensavam que fosse um osso duro de roer e que gostasse do pão-pão queijo-queijo fez apenas alguns dos corruptos comer o pão que o diabo amassou. Mas, como a carne é fraca, teve de entregar a rapadura antes de o angu ficar totalmente pronto. Há até suspeita de que essa turma de meia tigela o tenha mandado plantar batatas.
Mesmo com todas as restrições burocráticas do IBAMA parece não faltar carvão para que todos possam puxar a brasa para sua sardinha nesse banquete para mais de mil talheres. Enquanto alguns são tratados a pão de ló, o povo que acreditava poder participar deste repasto, continua mais quebrado que arroz de terceira. Todos querem mexer na panela sem a preocupação se a comida fica insossa ou salgada. Até quando o povo terá de engolir tudo isso? Ficar assistindo quietinho enquanto alguns mamam nas tetas do governo sem poder adoçar a boca?
Contudo, nem todo leite foi derramado. O povo sabe que o apressado come cru, por isso fica esperando que a conversa chegue até a cozinha. Ainda restam as urnas. Quem sabe não está aí uma boa receita? Colocar ali todos os temperos e esperar que, no frigir dos ovos, sobre um bom caldo? Um novo prato poderá surgir dela.
Seria muito bom. Seria como juntar a fome com a vontade de comer. Comer? Sim, comer. Comer frio, porque o prato da vingança se come frio.

Luiz Lauschner
Enviado por Luiz Lauschner em 04/06/2014
Código do texto: T4832492
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Luiz Lauschner
Manaus - Amazonas - Brasil, 68 anos
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1 e-livros (101 leituras)
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Luiz Lauschner