O brasileiro deve parar de voar...e morrer...

O brasileiro deve parar de voar...e morrer...

Que uma crise no setor aeroviário nacional está instalada e muito longe de qualquer tipo de solução plausível, que possa pelo menos minimizar a atual situação, isso todo brasileiro sabe.

Ora são os controladores de vôo, que fazem greve, corpo mole e travam todo o sistema de monitoramento de vôo no país, depois, acontecem graves acidentes, fatos que ficarão marcados para sempre na história recente do país.

Por sabotagem, como foi ventilado, ou por defeito real, o sistema de vigilância aérea da Amazônia entra em pane geral, desligando os radares e computadores do controle de tráfego aéreo, causando um apagão em todo país, prejudicando até os vôos internacionais, alguns tiveram que retornar a seus países de origem, pela falta de segurança para viajar no espaço aéreo brasileiro.

No meio desta crise toda, na semana mais negra da história da aviação do Brasil, com um desastre que vitimou até agora, segundo divulgado da TAM, 199 pessoas, o incompetente presidente da ANAC, recebe a Comenda Santos Dumont, a mais alta honraria da Aeronáutica. Ninguém sabe porque, por quais serviços prestados à nação. Foi a coisa mais absurda que já se viu até hoje, nos piores dias para a aviação brasileira, a Aeronáutica promove uma festa pra entregar uma medalha para quem absolutamente não merece.

Para coroar tudo isso, o Presidente Lula, parece não ter autoridade sobre seus comandados do setor aeroviário e de defesa, pois, nada do que ele determina é feito, nenhuma atitude é tomada para resolver a questão, todas as ações executadas, são inócuas e não surtem efeito, muito pelo contrário, acabam por criar outros novos problemas.

O que o governo precisa entender e os empresários do setor também é que o Aeroporto de Congonhas precisa, necessita urgentemente, que sejam tomadas providências no sentido de acabar com os problemas de segurança, pois, os acidentes vêm acontecendo há muito tempo, sem que ninguém dê a menor importância para o fato.

Todos os dias, milhares de pessoas colocam suas vidas em risco, alheias ao perigo que estão correndo. E o perigo não está, só em Congonhas, quase todos os aeroportos do país tem problemas de segurança, com raras exceções.

Bem, os problemas estão colocados, o Aeroporto de Congonhas precisa ser fechado, pelo menos temporariamente e só reaberto, quando realmente, todas as normas de segurança, de padrão internacional, tiverem sido cumpridas, e até que uma comissão internacional de segurança de vôo dê a liberação.

Esta é a realidade daquele lugar que está se tornando o Aeroporto da Morte.

Os problemas que o governo tem para resolver estão, mais ou menos, expostos acima.

Vamos agora analisar a questão por outro ângulo. Começo com algumas perguntas.

1 - Será que o povo brasileiro tem tanta necessidade assim de viajar de avião?

No Brasil, até pouquíssimo tempo atrás, não se tinha tradição em viagens aéreas, elas eram feitas de acordo com a necessidade de deslocamento das pessoas, e só eram feitas em casos de necessidade.

As aeronaves andavam no máximo com metade da sua lotação, as companhias aéreas viviam na pendenga, com dificuldades financeiras, baseando suas receitas nas viagens de funcionários do governo e de grandes empresas.

A VASP quebrou, a VARIG quebrou, o povo andava menos de avião. Que fenômeno será este? O povo está mais rico ou está se endividando mais, só pra mostrar um status que o povo brasileiro na realidade não tem?

Bem cada um sabe onde o sapato aperta. Não quero criticar este ou aquele, a realidade é que o povo está viajando mais de avião, não que esteja mais rico, está é mais endividado, com certeza. Além é claro de dar um certo charme, poder dizer aos colegas de trabalho, que nas férias foi de avião para aqui ou acolá.

2 - Não estará o setor aeroviário nacional esgotado em sua capacidade, tentando levar uma carga para a qual não está preparado?

Com toda certeza, este é um dos motivos do caos aéreo que se instalou no país, o excesso de gente viajando, seja por qual motivo for. A ganância das empresas do setor, faz com que as aeronaves decolem na sua lotação máxima, o que implica, em caso de acidente em mais vítimas.

Embora isso seja negado pelos encarregados do setor, nossos aeroportos não têm infraestrutura para suportar a demanda de serviço, quer seja no atendimento, quer seja nas pistas de pouso, que são velhas e cheias de defeitos, sem a devida manutenção preventiva e, inadequadas para aeronaves modernas de grande porte, como o caso do A320. Quem quiser pode negar isso, mas a gente sabe que essa afirmação é verdade, se não o fosse, os acidentes não aconteceriam.

Congonhas, que está na berlinda, é uma armadilha, uma arapuca onde tragédias podem acontecer todos os dias, só não acontecendo, pela perícia dos profissionais que ali executam seu trabalho, heroicamente, diga-se de passagem.

A pista é curta, não tem área de escape, nem de emergência. No caso do acidente da semana passada, se a pista tivesse mais quinhentos metros de extensão, o avião teria parado com certeza e duzentas vidas teriam sido poupadas.

3 - Há tanta necessidade assim, de milhares de pessoas exporem suas vidas inutilmente assim, todos os dias?

Para ser sincero, eu, não exporia minha vida dessa maneira, não com o nível de segurança que temos hoje no setor aeroviário. Na época atual, eu só viajaria de avião, pra qualquer lugar em caso de necessidade extrema, como para me tratar de alguma doença, cujo risco de morte fosse maior do que andar de avião hoje no Brasil.

As pessoas estão viajando de avião, por status, por comodidade, pela rapidez, não pela necessidade.

Que diferença faz na vida da gente mais algumas horas? Pensemos um pouco nisso. Faço aqui um alerta e um pedido, avalie bem antes de viajar, se sua viagem é realmente necessária, senão, poupe sua vida, ela é muito preciosa.

4 - Se o fluxo de passageiros diminuir, pelo motivo da insegurança estabelecida no setor, será que as companhias e o próprio governo não tomaria providências mais rapidamente?

Certamente, se o número de passageiros diminuísse e conseqüentemente a receita das empresas do setor, elas rapidinho tomariam providências para melhorar, em tempo recorde, as condições de segurança dos vôos no Brasil.

O setor passa por uma crise tão grave, que o governo deveria contratar uma empresa de consultoria e auditoria internacional para fazer uma avaliação das condições dos aeroportos e equipamentos de proteção de vôo no Brasil. Todos os aeroportos seriam fechados, com toda certeza.

5 - Será que todas aquelas pessoas que aparecem nas reportagens da TV, aglomerando-se nos aeroportos, protestando, xingando, sendo xingadas, passando todo tipo de privação e humilhação necessita realmente passar por tudo aquilo ou poderia tomar outras providências com respeito a sua viagem?

Volto a falar, vamos avaliar a necessidade da viagem. Naquele fatídico vôo havia uma família inteira, pai, mãe e dois filhos, que agora já não estão entre nós, eles tinham ido ao Rio Grande do Sul por puro prazer, de férias. Será que estas férias valeram à pena?

6 - Poderemos nós, como usuários do sistema aeroviário nacional, ter plena confiança, a ponto de colocar nossas vidas em risco, num sistema de controle de tráfego aéreo e na infraestrutura dos aeroportos nacionais, que apresenta panes e defeitos a todo o momento?

A resposta á clara. Não, obviamente que não.

Todos os que ainda continuam viajando poderão estar cometendo suicídio, dispondo suas vidas em vôos cegos, em aeronaves sem controle e aeroportos sem segurança.

Urge que algo se faça. E bem pode começar a ser feito por nós, pelo povo, já que o governo, tarda a reagir, pois, quando eles viajam, o fazem com toda segurança.

Se em todo Brasil, durante uma semana, nenhum avião levantasse vôo por falta de passageiros, as providências viriam com a velocidade da luz.

Elas precisam ser tomadas, sabemos quais são, mas não são tomadas porque estamos parados...

Acreucho
Enviado por Acreucho em 24/07/2007
Reeditado em 24/07/2007
Código do texto: T577036