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A Paciência


Na maioria das vezes, em nosso íntimo, tentamos entender com a vida funciona. E buscamos de todas as maneiras, a melhor forma possível para realizarmos os nossos desejos. Afinal, quem não deseja uma vida perfeita, absolutamente melhor; sem frustrações, sem medos, com filhos educados, com pais generosos, com um trabalho limpo e se possível com um chefe bonzinho; sem discussões no lar, sem contas impagáveis, com o salário que dê e sobre no final do mês, a saúde então deve ser impecável; todos nós desejamos, mesmo que inconscientemente, atingir um alto status em alguma área da sociedade, se possível, com a absoluta ausência de burocracias, nada de filas ou esperas, na verdade em nosso íntimo deveríamos nascer e imediatamente já sermos promovidos ao titulo de “alguém na vida”. Todos nós temos a ambição por uma vida assim; em linha reta, nada de curvas, nada de problemas, nada de concorrentes e nada de frustrações.

Contudo, é necessário compreendermos que essa perfeição não é possível. Por estarmos em um planeta de provas e expiações, na maioria das vezes, as coisas não saem exatamente como planejamos.

E por nossa incapacidade de reverter os quadros, buscamos a saída nos muitos despropósitos que nos são oferecidos. Passamos a andar na contra mão, e assim, cavamos a nossa própria cova; pois nos esquecemos que a semeadura pode ser livre, mas a colheita é obrigatória. Colhemos hoje, os frutos das sementes que plantamos ontem em solo fértil. Essa é a inevitável lei divina da ação e reação.

Os descaminhos nos conduzem a um encontro indesejável e infalível. É nessas horas que recebemos a visita de uma professora severa e intransigente, recebemos a visita da “dor”, que tem a missão de nos re-alinhar, de corrigir os nossos rumos, que nos auxilia na retomada das rédeas de nossa existência, separando-no as tendências inferiores que nos inspiram.

Oportunamente, devemos entender a dor como algo muito complexo, não a limitando apenas às dores físicas, mas também às dores morais, aos nossos constantes desencontros, às nossas angústias e os nossos defeitos. E também, não devemos acreditar que a “dor” é um castigo divino, mas sim, que a “dor” é uma benção, uma sublime forma de regeneração, em busca de resgatar nossos erros do passado, que são a razão do nosso desvio de felicidade no presente.

Sei que podemos nos perguntar: como explicar a dor como uma benção, se em alguns casos as pessoas chegam ao desespero. O pai, jamais depositaria um fardo pesado em ombros frágeis. Assim, nós recebemos a dor proporcionalmente às nossas capacidades e depende única e exclusivamente de nós mesmos, encontrar os meios para suportá-la. Caso não estejamos bem alicerçados ela sempre parecerá maior quer a realidade. Deus não desampara ninguém que o procura, na verdade a dificuldade toda está em nós para chegarmos até ele.

Mas para que possamos compreender e conceber a dor como uma benção de Deus, é necessário desenvolvermos um sentimento que está cada vez mais em desuso: a paciência.

É fazendo uso desta virtude, que diante da dor, podemos compreender, que as dificuldades são obstáculos que podemos transpor sem precisarmos nos revoltar. A dor vista com os olhos da paciência, nos leva a progredir moralmente e a aprender que a vida tem a cor que nós damos a ela.

Pelo meio do aprendizado, que a paciência proporciona, encontramos a serenidade capaz de fazer parar o nosso sofrimento, além de manter a disciplina das nossas emoções, nos proporcionando uma reforma íntima. A paciência nos aflora o hábito da caridade, nos auxilia na reconciliação com os nossos desafetos, consolidando nossos laços afetivos.

É o exercício da paciência que nos impede de ficarmos parados à margem do caminho, com a mente fixada nas dificuldades, imóveis, apenas deixando a vida girar como um carrossel, onde as peças centrais são nossos dilemas, que nos ameaçam e nos deixam apavorados. É a paciência, transformada em atitude conseqüente, que impede a perda do poder de raciocinar e agir com espontaneidade.

Amigo leitor, lembre-se, que a paciência, esta maravilhosa ferramenta que o criador nos concedeu, é a virtude que harmoniza os processos internos e externos da natureza em nós.

Reginaldo Cordoa, é administrador de empresas e apaixonado pela vida.
Matão SP cordinha.ma@ig.com.br
07/08/2007
Reginaldo Cordoa
Enviado por Reginaldo Cordoa em 07/08/2007
Código do texto: T596831
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Sobre o autor
Reginaldo Cordoa
Matão - São Paulo - Brasil, 48 anos
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Reginaldo Cordoa