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SOBRE O ASSÉDIO MORAL - A VIOLÊNCIA PERVERSA

Você já foi vítima de descriminação em seu trabalho, na escola, família ou em algum meio social?
Todo mundo, de alguma forma, já experimentou algum tipo de discriminação ou assédio humilhante deste tipo.  Existem nas relações humanos, muitas formas de competição: uma delas é a competição perversa ou patológica, que se apresenta sob forma de crueldade e violência sobre a dignidade do outro.

 O assédio moral constitui-se de uma invasão perversa, progressiva e violenta no território psíquico do outro. É possível destruir alguém com palavras, olhares, subentendidos e levá-la a um verdadeiro assassinato psíquico. O objetivo é levar a vítima à confusão nas informações e na impotência. Ou seja, para desestabilizar o outro, o agressor perverso passa a zombar de suas idéias, ridicularizar seus desejos, denegri-lo, debochar de seus pontos fracos e fazer alusões desabonadoras a seu respeito.

O agressor perverso tem, geralmente uma personalidade narcísica e é movido pela inveja, cujo objetivo é a apropriação do poder e do que é do outro. Do encontro do desejo de poder com a perversidade nasce a violência e a perseguição Não obstante, vale dizer que nem todos os traços narcísicos de personalidade – egocentrismo, necessidade de ser admirado, intolerância à crítica, etc, - podem ser considerados patológicos. Estes se distinguem dos perversos por serem ocasionais e seguidos de remorso ou arrependimento. O perverso, geralmente, não apresenta nenhum sinal de arrependimento ou culpa, pelo contrário, ele se vangloria e sente prazer com o sofrimento alheio.

A vítima é escolhida pelo perverso pelos seus pontos fracos e é justamente o que ele ataca, o ponto vulnerável do outro. O agressor procura no outro o embrião da auto-destruição. Com calúnias, mentiras, manobras invejosas, leva ao descrédito a vítima de tal modo que ela percebe o que se passa sem poder se defender.

No mundo do trabalho, nas universidades, nas instituições, as formas de assédio, são muito estereotipadas e igualmente destrutivas. O assédio aqui é entendido como toda conduta abusiva que pode trazer danos à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa.

Nas escolas de 1º e 2º graus, tem sido detectado um número muito grande de crianças e jovens vítimas de agressores. É o fenômeno do “bulling” que tem como característica a agressão sistemática e progressiva sobre uma criança que acaba sendo um ‘saco de pancadas’ e motivo de gozação de seus colegas. Ele vai se tornar o mais fraco, o inferiorizado e o foco de ‘tudo de ruim’ para os colegas. Estudos comprovam que essas crianças têm uma auto-estima muito baixa e não tem muitos recursos internos de auto proteção. Geralmente essas crianças não encontram (por alguma razão) um vínculo de confiança e proteção em seus lares e sofrem caladas as humilhações e agressões. Passam a desenvolver sintomas fóbicos, associados de pavores noturnos, baixo rendimento escolar, gagueira, etc.

A violência perversa é muitas vezes negada ou banalizada, nas escolas, instituições e na família.  A criança fica sem saber a quem pedir ajuda e começam a achar que ela é humilhada por não merecer amor, por ser inferior ou por não ser importante. Cresce com muito medo do mundo e por vezes, se paralisam na vida. Outras podem chegar a romper um surto psicótico, e numa fúria paranóica, cometer assassinatos ou suicídios.

A família tem um papel fundamental no sentido de orientação e proteção de seus filhos. É preciso educá-los para que respeitem os outros e para que saibam se defender de violências perversas desse tipo em qualquer ocasião. O vínculo de amor e confiança é o que vai construir uma estrutura emocional forte na criança para que ela tenha segurança em si e amor próprio suficiente para não se tornar vítima de tais agressores.

Quanto às instituições, e ao espaço público, é necessário que haja uma conscientização fraterna de proteção às vítimas de assédio moral e a necessidade de intervenção do agressor, já que a legislação a respeito é ainda muito tolerante e omissa. É importante que o papel daqueles que têm o poder de decisão nas Instituições, seja o de zelar para que a pessoa humana seja respeitada em todas as situações.


Marisa Queiroz
Enviado por Marisa Queiroz em 10/09/2007
Reeditado em 28/06/2008
Código do texto: T647121

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Sobre a autora
Marisa Queiroz
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