POBREZA X PROSPERIDADE.

“Nosso Senhor pregava a doutrina da vida com abundância. Portanto, quem é do lado de Deus prega a doutrina da prosperidade e quem é do lado do ladrão prega a doutrina da miséria”. (Edir Macedo — Artigo Folha Universal).

Essa frase foi dita pelo “papa” da igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, em um de seus artigos publicado no (folha) universal com o propósito de atacar laconicamente a igreja Católica e sua “teologia da pobreza” em simultâneo, fazer apologia à sua famigerada “teologia da prosperidade”. É inegável que desde o nascedouro da nossa pátria nossa gente fora solapada pela igreja católica com seus ensinamentos tacanhos explorando a fé do nosso povo com o intuito de enriquecesse com a desgraça destes menos favorecidos pela vida, ainda que para isso, tivesse que difundir a Teologia da pobreza fazendo-a confundida com a humildade e santidade; destarte, ser pobre era ser uma pessoa humilde e salva. O povo passou a acreditar na miséria e na pobreza como garantia da salvação, e nas riquezas em um mundo vindouro (paraíso ou céu). A filosofia adotada era que as grandes riquezas ficassem em mãos de uma minoria apocopada nesse caso, os clérigos, pois assim seria mais fácil controlá-la e administrá-la; isso, por parte de alguns. Com isso criou-se uma cultura de pobreza em nosso país onde os países latinos herdam a herança maldita de terceiro-mundista, o oposto da Inglaterra, E.U. A e outros onde a cultura protestante prevaleceu hegemonicamente transformando aquelas sociedades; por exemplo, as lutas contra a segregação racial que hospedou em seu âmago gente como o pastor batista Marthin Luther King. Entretanto, aqui no Brasil a igreja católica nada fez para controlar o trabalho escravo do índio e do negro, pelo contrário! Apoiava a importação dos africanos barganhando uma porcentagem por cada negro comercializado, ganhando duplamente, visto que os negros eram mais fáceis de serem catequizados. A igreja, não combateu a escravatura, e de todas as formas procurou trazê-la ao seu meio por intermédio do ensino da doutrina, das práticas e dos preceitos católicos visando o aumento da mão de obra escrava. As missas eram celebradas em latim para que ninguém tomasse o conhecimento; esse também era para alguns poucos — do clérigo é claro. As bíblias eram queimadas aos montes inclusive, com aqueles que quisessem professar outra fé. Pessoas eram queimadas para que suas propriedades viessem fazer parte do patrimônio da igreja enquanto ela, pregava a teologia da miséria enriquecendo seus cofres.

A pobreza só tinha validade para a sociedade, ou melhor, para as massas silenciosas dos miseráveis enquanto a igreja na base do nepotismo fazia com que os seus clérigos vivessem cercados de luxo e de riquezas nababescas; de veludo escarlate, aos anéis episcopais, tudo era muito fausto. A pobreza? Essa era para as multidões, para a plebe; para a gente ignara; para o povo, povão. Por muitos anos a igreja Católica tirou as ambições, os sonhos e às esperanças da nossa gente. “Teologia da Miséria” é mesmo uma teologia satânica, maldita e contrária. Não contrária à “Teologia da Prosperidade” como afirma Edir Macedo; mas, contrária sim, aos ensinamentos de Jesus Cristo e à Sua palavra. E da mesma forma também, a “Teologia da Prosperidade”.

Repetindo a fala do nosso cronista citado à cima: “Nosso Senhor pregava a doutrina da vida com abundância. Portanto, quem é do lado de Deus prega a doutrina da prosperidade e quem é do lado do ladrão prega a doutrina da miséria”.

O texto usado pelo apologista da teologia da prosperidade é citado por Jesus em João capítulo 10, versículo 10, que diz: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Não vejo no texto usado pelo papa da "universal" qualquer base para o enriquecimento ambicioso ilícito e desmedido, nem tampouco para o empobrecimento como passaporte para a vida eterna. Jesus diz que o desejo do pastor é o bem-estar de suas ovelhas, ele não quer que elas tenham uma vida de privações e misérias. Ele quer que elas vivam plenamente suas vidas em bons pastos e boa saúde. Ele diz de proteção, que as suas ovelhas têm a Sua proteção, aquela descrita lá no salmo 91. Em nenhum momento nos diz que seremos milionários; que nunca estaremos doentes; que nunca enfrentaríamos os dissabores e as aflições nessa vida. O apóstolo dos gentios escreve: “Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação”. E continua: “Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; e a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições — grifo meu — assim o sereis também da consolação”.

Jesus disse: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”.

Ter uma vida abundante na visão dos pregoeiros da prosperidade e ser possuidor de bens materiais. É ter carro importado do ano na garagem, mansões, metros e metros de apartamentos; jatinho particular; andar sempre com roupas finas e nunca ser acometido de qualquer enfermidade ou doença. Isso vale para todos e toda família. Agora! Para tudo isso acontecer com o indivíduo, segundo, os vendilhões da fé, ele tem que ser generoso. Tem que dar primeiramente, entregara tudo. Tem que barganhar com Deus. Você dá, e recebe. Nesse caso as pessoas estão sempre dando, e nunca recebendo. Porque o reino de Deus, segundo Jesus, não é comida, nem bebida. (Rm 14.17). O culto desses mercantilistas do evangelho, nada difere da igreja católica. Qual a diferença? Eu não vejo nenhuma! É mesmo enxergar um mosquito no olho alheio e não conseguir enxergar uma trave que está no seu. Combater uma mentira com outra mentira é no mínimo uma vergonha. Mudaram os meios, mas os fins são os mesmos. Continuam com as mesmas práticas nefandas. Roubam, exploram, saqueiam, mentem descaradamente aos fiéis desavisados e de coração puro, dilapidando-os vergonhosamente. É revoltante assistir certos programas chamados evangélicos. Dá revolta, indignação, nojo, assistir a esse monte de “pastores” picaretas torcendo e retorcendo as sagradas escrituras para aplicá-la às suas práticas pervertidas. Nesse requisito, em nada diferem uma da outra. A igreja católica por muito tempo oprimiu o povo pregando a pobreza, vendendo indulgências, missas, etc., de modo a ficar com bens do povo e roubar-lhes as finanças. O neo-pentecostalismo e seus pastores com suas picaretagens eletrônicas, pregam a prosperidade para também terem seus templos cheios de fiéis com um único propósito: fraudar, roubar dilapidar os bens alheios dando continuidade a exploração — num nível maior — abusam da fé do nosso povo. Tanto a Teologia da Prosperidade quanto a Teologia da pobreza somente é favorável para Edir Macedo, Valdomiro Santiago, Silas Malafaia, Max Murdox, Morris Cerulo e outros; aqueles que estão lá no topo da cadeia alimentar. Os clérigos. A teologia de Jesus anda na contramão de tudo isso que aí está. Na contramão de toda essa gente do mal. Ele diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me”. (Mt 19.21). E outra vez: “... levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”. (Lc 6.20). Não é amar a pobreza, mas amar os pobres. Não é ser rico, ou pobre que levará uma pessoa aos céus, ou dar-lhe-á a vida eterna. Muito menos a riqueza. Disse Jesus aos seus discípulos: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus”. 2 E outra vez: “... vos digo ser mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”.

Concluo dizendo: uma pessoa somente terá a vida eterna, mediante o crer em Jesus e viver uma vida digna independente de ser rico, pobre, preto, branco; ou, da sua estratificação social. E essa pessoa mesmo crendo no Cristo e tendo certeza da sua fé; pode ser pobre, pode ter enfermidades; ser rico, ter bens materiais; ser perfeito em sua saúde, ou não. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Quem crer, é feliz na pobreza, ou na riqueza; na alegria, ou na tristeza; na saúde, ou na enfermidade. Ele é, e o será para todo sempre incircunstancialmente.