O BRASIL DE TODOS NÓS

Saímos de São Paulo e chegamos ao Rio Grande do Sul, de avião, em fins de agosto passado. Porto Alegre é linda, com o cheiro das cidades banhadas por rios, lá chamado de Lago Guaíba.

Os amigos já nos receberam no aeroporto com agasalhos pesados, luvas e cachecóis, pois sabiam que em Alagoas mal precisávamos de tanto apetrecho.

Juntos, seis casais de diversos Estados, conhecemos os pontos turísticos da cidade, envolvidos por um frio de 12 graus. Para nós nordestinos, é uma experiência nova, sentir dor nos pés.

Fomos ao Centro de Tradições Gaúchas e presenciamos as danças típicas da região, comendo o célebre churrasco e deliciosas saladas. Procurava provar tudo que fosse desconhecido, perguntando aos amigos a respeito do que era muito estranho.

Gramado e Canela merecem ser visitadas; a arquitetura de origem alemã é qualquer coisa de grandiosa.

Assistimos à missa, domingo, numa linda igreja de pedra, ao lado de um teatro, onde acontece anualmente o famoso Festival de Cinema de Gramado. Um padre gaúcho, descendente de italianos, bem gordo, de alegria contagiante, falou sobre a humildade. Lembrei-me bastante de meu pai, cuja principal característica era ser humilde. É difícil, hoje em dia, encontrar pessoas despojadas de vaidade e prepotência, principalmente na classe média e entre os ricos.

Fomos a Bento Gonçalves, região dos vinhedos e de lindas fazendas. Apesar de não conhecer bem este ou aquele vinho, degustei alguns dos que me foram oferecidos.

O passeio de trem no Maria Fumaça, até Garibaldi e João Cardoso é muito bom. São quarenta minutos de pura alegria. Grupos de danças, musicais ou teatrais animam cada vagão com apresentações curtas e bem divertidas.

Um microônibus nunca transportou pessoas tão animadas. Homogênea, a turma conseguiu divertir-se bastante, sem mau humor ou irritação de ninguém.

Éramos o único casal nordestino e o sotaque arataca chamava a atenção de gaúchos, cariocas, brasilienses e paulistas. Todos se divertiam com o nosso bom - dia sem chiado.

Retornamos a Porto Alegre e de lá, fomos num grupo de oito, a Cachoeira do Sul, mais precisamente a duas fazendas (Farroupilha e Santa Helena), no interior do Rio Grande.

Leitores queridos, a região é lindíssima, o gado de primeira qualidade, o frio menos intenso que o de Gramado e a recepção dos amigos foi muito calorosa.

Dois dias maravilhosos de mimos e afagos, reuniões regadas a vinho, churrasco de ovelha, arroz carreteiro e boas gargalhadas. Recordações dos amigos vivos e mortos com os quais convivemos por mais de trinta anos.

Sempre elogio a união sólida que liga o pessoal do Exército. Colegas de mais de quarenta anos, companheiros de trabalho de meu marido, cujas famílias se ligaram às nossas, hoje já cheias de filhos e netos, também muito queridos.

A passagem pela vida terrestre tem sido enriquecida para mim por causa das amizades adquiridas em Alagoas e nos Estados onde moramos nos anos de trabalho por nós exercidos.

Ouvindo conversas de queridos companheiros, alguns perderam filhos, esposas, outros mais alegres por vitórias alcançadas, sentimos a importância de saber conquistar o carinho das pessoas com as quais convivemos durante certo tempo.

O que valeu nesses vinte dias de viagem não foi só conhecer novas cidades deste Brasil lindo, mas rever pessoas de nossas ligações, desencontradas pelos caminhos diferentes percorridos há mais de três décadas.

Foi uma experiência fantástica!

Alari Romariz
Enviado por Alari Romariz em 23/10/2007
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