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Por uma melhor educação

                                POR UMA MELHOR EDUCAÇÃO
         Uma crítica ao programa PDE – Ação: Mais educação
   Cabe ao novo programa de educação do governo brasileiro intitulado PDE (Programa de desenvolvimento da educação) algumas críticas. Esse programa possui várias ações que visam a uma melhoria da educação básica do Brasil.
  Um exemplo para ser criticado é a ação intitulada "Mais educação".    Para um olhar superficial, essa ação do PDE certamente é benéfica. Porém, para um olhar mais atento, ela é de pouca importância para a educação brasileira, considerada em termos de qualidade.
   Essa ação visa ocupar um suposto tempo ocioso com atividades educativas, artísticas, culturais, esportivas e de lazer com o objetivo de reduzir a evasão, reprovação e distorção idade-série. Porém, essas atividades não deveriam  ser de simples ocupação de tempo ocioso. Deveria possuir  um objetivo dentro de si mesmo, um objetivo específico de desenvolvimento de habilidades e de potencialidades dos alunos nas respectivas áreas de atuação.
    A utilização dessas atividades para ampliar o tempo, melhorar o rendimento e aproveitamento escolar pretendendo-se reduzir a evasão, reprovação e distorções de idade-série revela uma problemática do ensino brasileiro.
   O sistema de ensino brasileiro visa apenas à quantificação. O governo precisa mostrar, através de números, que possui “tantos alunos na escola”, que reduziu em "tantos por cento"  a evasão escolar. É importante, para o governo, o aluno entrar na escola, passar de ano e terminar os estudos. Agora, a preocupação deles é aumentar o tempo de permanência dos alunos nas escolas e aumentar também o espaço da rede pública. O sistema integral pensado dessa maneira é uma estratégia para tapar o buraco da ineficiência do ensino público. Pois, se querem reduzir a reprovação, é certo que se reforce as aulas na disciplina que o aluno está ruim e não fazê-lo ficar mais tempo na escola para “reforçar a vivência escolar”.
Não há a preocupação com a qualidade do ensino e com o verdadeiro desenvolvimento cultural, esportivo e artístico das crianças e adolescentes. O ensino integral deve ser um sistema com uma preocupação de melhorar a qualidade do ensino público, visando não só a um aumento de carga horária, mas ao acréscimo de outras atividades que se façam produtivas e proveitosas para o aluno. A escola deveria criar expectativa de vida, estimular a auto-estima e criar uma visão de futuro às crianças e adolescentes
   A ação "Mais educação" do PDE prevê a construção de quadras poli esportivas nas escolas de educação básica. Mas não se fala em desenvolver o potencial esportivo do aluno, com o objetivo de formar atletas em potencial. A ampliação da infra-estrutura deve ser concomitante a um projeto de aproveitamento desse espaço.
   Um exemplo para o Brasil é o sistema de ensino desportivo cubano que prioriza o ensino de esporte nas escolas para a formação de atletas. É sabido de todos o potencial esportivo de Cuba. É só vê-los nas competições esportivas como Olimpíadas e Pan-Americano. Isso tudo considerando que Cuba é um país subdesenvolvido. Mas que prioriza a educação de alto nível e prioriza o desenvolvimento do potencial de seus cidadãos.  Esse é um ótimo exemplo para o Brasil de educação levada a sério.
   Na LDB, Art. 26, parágrafo 3º, se fala da educação física como componente curricular obrigatório e integrada à proposta pedagógica da escola. Porém, sabe-se que o ensino dessa disciplina, apesar de obrigatória, não é levado muito a sério nas escolas. Tem um peso menor e quase sempre é apenas para o lazer do aluno. Não é praticada como uma disciplina que ensina um esporte de verdade aos alunos e que os estimulam a serem atletas como em Cuba.
   Não se pode dizer da  possibilidade de alcance da meta prevista, pois nunca se sabe o que esperar do governo brasileiro. Não se pode dizer , também, que é uma ação de todo desnecessária. A idéia até é boa. Porém, é preciso ir mais fundo na educação brasileira. É preciso considerar que o Brasil tem potencial para ser uma nação de 1º mundo, mas somente quando se investir em educação de qualidade. Não adianta só quantidade. O governo poderia fazer ações de maior profundidade, de maior impacto e principalmente,de maiores resultados. Não estatísticos, mas de qualidade.. Só assim, veremos num Pan-Americano ou numa Olimpíada, o Brasil se equiparar no quadro de medalhas a países como Cuba e Estados Unidos. O que um simples quadro de medalha de uma competição esportiva revela não é apenas uma questão de mérito do atleta, mas de mérito do país e , conseqüentemente, do sistema educacional adotado pelo seu governo. Reflete a qualidade da educação no país. Esse sim, é um caso em que quantidade, é igual à qualidade.
   A implantação do sistema integral de ensino nas escolas públicas deveria ter como projeto mais educação, sim, porém com um objetivo mais voltado para a própria educação do que para os problemas decorrentes dela.


BIBLIOGRAFIA

LDB, Lei de diretrizes e bases.
 
www.embaixadacuba.org.br
   










Gisele Nascimento
Enviado por Gisele Nascimento em 24/10/2007
Reeditado em 01/11/2007
Código do texto: T708052

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Sobre a autora
Gisele Nascimento
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
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