RÁDIO UMA PAIXÃO ALUCINANTE

RÁDIO UMA PAIXÃO ALUCINANTE

A realidade é que o rádio apaixona e muita das vezes, vicia. É uma paixão deslumbrante, alucinante, é um casamento feliz. Com direito a convidados e honrarias. Sempre gostamos do rádio e buscamos inspiração nele. Da fase de criança até os dias atuais o rádio passou por transformações e as grandes marcas praticamente sumiram do mercado e servem a psicosfera brilhante dos colecionadores. Às vezes indagamos: aonde encontrar rádio (X) ou rádio (Y) que nos transmitia com uma perfeição fabulosa, principalmente os portáteis? Falamos em matérias anteriores sobre a Regency, que lançou no mercado o primeiro rádio transistorizado, e aqui queremos enunciar a importância do engenheiro mestre dessa empresa, Dick Koch criador do circuito chave que pôs o rádio no mercado. Desenvolveu esse circuito com muita cautela e amor, pois a perfeição era uma de suas metas. Circuito capaz de soldar componentes ligados diretamente no circuito impresso, visto que a tolerância dos circuitos não era de suma importância. Devidamente patenteado o Regency TR-1, teve sua importância definida nos anos 50, mais precisamente de 1955 a 1959. Um fato inusitado aconteceu, visto que a empresa Texas Instruments que comercializava o produto, apesar do sucesso das vendas quis reivindicar para si o registro da patente do rádio, em virtude da fábrica ter açambarcado uma dívida muito grande com a fabricante Texas Instruments (a Regency). Como a dívida era incomensurável a Regency foi obrigada a vender a patente por $ 25,000 – para reduzir o valor da dívida. Vejam o que acontece no mundo do rádio, não muito diferente do que acontece com outros produtos em grandes países.

Na época era presidente da Texas, o Sr. Erik Jonsson o principal envolvido nas negociações, Frank Masacarich advogado da IDEA foi o principal intermediador nas negociações. O advogado olhando para Jonsson ficou estático e quando se recuperou disse: “eu conheço, você é a pessoa que se recusou a me contratar quando eu saí da faculdade”. Fica aí como ensinamento o clichê popular: “Que nesse mundo até as pedras se encontram”. Em tom sarcástico disse que a Regency era um espinheiral do lado da indústria que estimulava a aplicação prática do transistor. Restou a regency aceitar as imposições da Texas, pois jamais poderiam desconhecer a inevitável evolução da eletrônica com a nova tecnologia. John Pies recorda com tristeza que perdeu em 1954, mais ou menos no mês de outubro uma quantia fabulosa de vendas natalinas, pois não conseguiram compensar a demanda que era enorme, isso aconteceu com a IDEA. Na época uma unidade custava em torno de U$ 49, 95, equivalente ao preço de hoje a U$ 250 dólares. Foram milhares de rádios vendidos, mas a Regency ponderava o preço e afirmava que o lucro era pequeno e por cima de pau e pedra continuou fabricando os Regency TR-1.

Nos anos que antecederam a 1955 - a ANF (Associação Nacional de Fabricantes) reconheceu a qualidade e a honestidade da regency que passou a produzir filmes documentários mostrando toda a sua potencialidade, onde as instalações e facilidades de produção dos Regency poderiam continuar ou ser usadas na fabricação dos Regency TR-1. Foram momentos cruciais para a regency até que o Japão decidiu entrar ou interferir nas negociações. O Japão estava em expansão tecnológica e um pequeno produtor de fitas registradoras o “Tókio Tsushin Kogyo ltd. – Totsuko”, conhecendo o avanço e a potencialidade do rádio transistorizado, com a persuasão de seus diretores , em 1953, o Ministro do Comércio e Indústria Japonês (MITI) concedeu o direito a deixá-los comprar a patente industrial para fabricação de transistores da Western Electric e da Bell Laboratories, fazendo com que em 1955, a empresa japonesa conseguisse o primeiro grande sucesso e domínio na miniaturização da indústria eletrônica mundial. Foi um processo longo para nova empresa se adaptar com a tecnologia da Western Eletric, visto que o Know-how não foi repassado, mas mesmo assim os técnicos japoneses conseguiram produzir seus próprios transistores e ainda de bolso em 1955, sendo nesta data o lançamento do primeiro rádio transistorizado japonês, o modelo TR-55 “Made in Japan”. Os americanos não adaptados à língua japonesa tiveram que preferir ou aceitar um outro nome. Então, Ibuka e seu sócio Akio Morita tiveram que propor uma palavra de origem latina que se assemelhasse ao som. Os grandes estudantes americanos saídos das faculdades eram chamados de “sonny boys”, cuja tradução era filhos jovens. Combinado os dois nomes optaram por Sony.

A produção da Sony foi muito pequena só para o consumo interno. Ressalte-se que esses rádios produzidos no Japão eram rádios de bolsos pelo seu pequeno tamanho a Sony fez uma publicidade em cima da tecnologia japonesa anunciando aos 4 cantos do mundo a comercialização do menor rádio do orbe terrestre e os americanos tiveram que confeccionar roupas com bolsos um pouco maiores. Em 1961 a Regency desistiu do negócio registrado em folhetos de propaganda no ano de 1961. Nesse curso surgiram três patentes para cobrir o circuito de um rádio transistorizado. A Idea ficou com o direito a usar as licenças e patentes e conceder a empresas estrangeiras. Todos os rádios comercializados e fabricados no Japão a posterióri foram constatados que tiveram a patente infringida ou maculada. Por isso os japoneses sofreram sanções rigorosas. O site rádios antigos tem um cabedal de ensinamentos muito grande a nos repassar e aqui pelas colocações que fizemos durante os estudos chegados com uma facilidade tremenda de como surgiu a Sony, uma marca conhecida e com tecnologia moderna e que nos dias atuais predomina no ramo da comunicação. É vivendo e aprendendo senhores. Fica aqui minha incentivação aos curiosos e estudantes do rádio.

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI-AOUVIR E ALOMERCE

Paivinhajornalista
Enviado por Paivinhajornalista em 19/05/2008
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