Dia Internacional da Mulher

 
Dia Internacional da Mulher
 
     E, como todo ano acontece ao chegar-se no oitavo dia do mês de março, comemora-se o “Dia Internacional da Mulher”. Eu, de minha parte, já coloco as barbas de molho porque sei que isso será o pretexto para que muita bobagem seja dita e feita na contra-mão do que a data deveria enaltecer. Pois é! Boa parte das pessoas não tem a menor noção do que o evento de fato representa.

     Dentre os desinformados, existem aqueles incautos que saem por aí afora declarando seu amor à mulher amada ou fazendo elegias à beleza e à graça feminina. Eu, que já me casei quatro vezes e meia, não posso censurar tais atitudes em si, contudo, não é para isso que o tal dia serve. A mulher amada deve ser reverenciada o tempo todo, porque senão ela já vai achar que estamos de olho na vizinha. E, como diria Vinícius, as muito feias que me perdoem, mas beleza ainda é fundamental a qualquer hora.


     Ainda, surgirá aquele batalhão de mães a enaltecer as virtudes inerentes às parideiras. É um tal de fazer menções à entrega, ao sacrifício, ao amor incondicional, enfim, à imprescidibilidade da mãe na vida de qualquer um, o que é uma obviedade, porque todos somos filhos de alguém. Afinal, nenhum ser humano tem chance de vir ao mundo sem uma mãe que lhe dê meios. E ressalvo que adoro minha mãe – aliás, gosto dela como se fosse minha mãe. Porém, o dia certo para isso é outro, que ocorre no segundo domingo do mês de maio. 

     Existe, ainda, o esquadrão das anacrônicas feministas. Aquelas que, sob o pretexto de quererem se igualar aos homens, acabam depreciando a própria mulher. Isso porque elas querem porque querem provar que as mulheres são melhores em tudo e, convenhamos, isso é uma atitude machista. Ora! Milênios de dominação masculina devem e podem ser revertidos, sem dúvida. Porém, não há o menor sentido em entregar a supremacia a elas, porque isso só inverteria os papéis e tornaria a situação tão deplorável quanto antes. São patéticas revanchistas fadadas ao fracasso.

     Não se pode esquecer das recalcadas. As encalhadas, largadas, trocadas ou, de qualquer forma, mal amadas que, por seus infortúnios afetivos ou falta de predicados pessoais, desandam a propagar uma choradeira sem fim e, não raro, buscam avacalhar os homens para tentar compensar o fato de que elas não têm acesso a eles; ou, pior, não têm chance de serem acessadas por eles. Ficar ressaltando de forma exageradamente negativa as características masculinas jamais tornará uma mulher melhor do que de fato seja.

     Afinal, para que serve o “Dia Internacional da Mulher”? Para enaltecer as conquistas sociais, políticas e econômicas de que elas participam, ou que patrocinam ou que dão causa. Neste mundo que resiste em ser essencialmente masculino, ainda é necessário que se promovam atos de afirmação das mulheres. É imprescindível que se enalteçam positivamente as conquistas femininas, até que o ser humano entenda que não há sentido em discriminar a parcela feminina da humanidade. Até que fique claro para todos, sem distinção, que uma mulher não é um semovente, não é um objeto, não é uma mercadoria. 


     Toda mulher é um ser humano plenamente capaz de realizar-se como indivíduo e de ser útil à construção da sociedade. Enquanto houver seres idiotas ou culturas atrasadas que não percebam isso, é indispensável que se coloquem marcos a lembrar o valor inerente às mulheres.  



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Nota do autor: É estilo meu "carregar nas tintas", ou seja, conferir um certo exagero em determinadas proposituras.  O objetivo é atribuir um tom caricato.  E há sempre quem possa se sentir ofendido com a caricatura, principalmente, quando a carapuça lhe serve. Faz tempo passei dos quarenta, estou caminhando a passos largos para os cinquenta e, certamente, angariar simpatias generalizadas mercê de pretensas atitudes politicamente corretas é algo que há décadas não está entre minhas prioridades.  A idade madura espancou de vez a hipocrisia.  Contudo, em respeito àqueles que prestigiam meus toscos escritos, é bom que eu deixe claro que o intuito jamais é o de ofender ninguém.  Destacar aspectos negativos desta ou daquela atitude humana pode até incomodar a alguém, porém, o que de fato incomoda é o fator negativo que lhe é inerente e não o fato de que eu chame a atenção para isso.  Ou seja, se as notícias são ruins, não matem o mensageiro.