Bastardos inglórios

 


Bastardos inglórios



Isto não é uma resenha! Já vou alertando, logo de início, para não induzir nenhum desavisado a erro, propiciando a chance de que se abandone estas toscas divagações já neste ponto.

Não costumo elaborar resenhas de filmes, porque elas podem me conduzir a duas de várias possíveis armadilhas. Uma delas é a de que, se eu tiver um mínimo de competência, vá desvendar os detalhes da estória que existem justamente como estímulo para quem vá assistir; ou seja, se eu contar bem o filme, que graça tem para quem gostaria de ir lá para assisti-lo. A outra armadilha – bem pior, é claro – é se eu não souber contar o filme. Daí, corro o risco de espantar a quem poderia ir lá para apreciá-lo que acabaria, assim, ficando em casa ou assistindo a outro filme qualquer – quiçá “Operação Walkiria”,que é uma droga!.

De qualquer forma, confesso: Sim! Assisti o filme “Bastardos inglórios”, do diretor Quentin Tarantino. Obviamente, se é de Tarantino, há violência explícita, porém, não é isto que faz a diferença na película. Há, sim, uma trama bastante interessante que se passa nos últimos anos da Segunda Guerra, porém sem qualquer relação ou comprometimento com fatos reais. Como qualquer filme de guerra situado naquela época, há nazistas cruéis e desumanos, judeus perseguidos e sobre-humanos, heróis invencíveis e americanos, porém – preste atenção no “porém” – há uma abordagem originalíssima, com interpretações irretocáveis e com um resultado muito bom. Na prática, demonstra que a crueldade e a insensatez não se situam em apenas um lado numa guerra, só havendo diferença que os que vencem perpetuam a idéia de que há algo de nobre em seu jeito também cruel e insensato de ser.

Outros detalhes que me chamaram a atenção foram que a trilha sonora é cheia de citações a faroestes clássicos, que Brad Pitt demonstra ser um excelente ator e não só uma cara bonitinha e, principalmente, que Cristoph Waltz (que é um ator austríaco de que eu jamais tivera notícia) está fantástico na pele de Hans Landa, que é o principal vilão que sustenta a trama. A bem da verdade, as atuações estão todas muitíssimo boas – e, pelo que notei, todos são vilões.

Na minha modestíssima concepção, Tarantino é genial, o filme é genial, a trama é genial, as atuações são geniais e o resultado, como não poderia deixar de ser é... genial! Se não é um marco na história do cinema – e certamente não o é – sem dúvida é um filme que se destaca por sua originalidade e porque prende a atenção, pois simplesmente sabe como contar uma estória com maestria e não porque está recheado de efeitos especiais.

Contudo, andei lendo e ouvindo por aí quem dissesse que dormiu durante a exibição, ou que achou tudo uma grande bobagem, ou que Tarantino perdeu a mão e só sabe mostrar carnificinas. Isso sem contar quem se indignou com a “desfiguração” do “fofo” do Brad Pitt.

Aí, fico eu me perguntando: se há quem não veja a genialidade ou se, pior, a vê mas não a entende ou, pior ainda, a entende mas não a aprecia; a gente chama pessoas assim de quê? Eu diria que são imbecis, nada mais. Entretanto, acho que daria um charme irônico, no caso, chamar pomposamente de “bastardos inglórios”. Mas que são imbecis, são!


                                               .oOo.