Faltou um "boa noite"

Faltou um “boa noite” 



Assim como eu, alguns ainda devem lembrar-se de uma série televisiva que fez sucesso na década de mil novecentos e setenta: “Os Waltons”. Tratava-se das tramas de uma família americana durante o período da Grande Depressão.

A família Walton, proprietária de uma montanha inteira – até a desgraça americana é megalomaníaca – vivia a duras penas da atividade numa serraria. Lá viviam um casal que tinha, se não me engano, uns oito filhos, além de sogro, sogra, cavalo, cachorro... papagaio não havia. Tudo girava em torno de histórias de cunho ético e moral, retratando sonhos, desenganos, encontros, desencontros e reencontros. Era bonito mesmo!

No final de cada episódio, sempre aparecia aquela “casona” à noite, com as luzes das janelas se apagando aos poucos e, assim, faziam-se ouvir as vozes do clã dos Waltons: “Boa noite, John Boy!”; que por sua vez retrucava, “Boa noite Mary Ellen!”; e, assim, um a um, iam se despedindo recíproca e mutuamente. Aquele “boa noite, fulano”, “boa noite, cicrana”, etc era uma espécie de “bordão coletivo” da série.

Sinceramente, na época eu não dava muita pelota para aquela sucessão de “boas noites”. Achava, até, de uma breguice sem tamanho. Contudo, ontem à noite, estando eu deitado aguardando o sono chegar, dei-me conta do que aquilo realmente significava. De repente, fez-me uma enorme falta ouvir um “boa noite”. A percepção de que minha alma estava devastada foi inevitável.

Não tenho dúvidas de que sou uma opção – aliás, uma boa opção! – pra muita gente. Mas muita gente, mesmo! A minha tristeza é notar que não sou prioridade para ninguém. Caso contrário, não teria me faltado um “boa noite”.