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UM DIA DE ZUMBI
Publicado por: Alelos Esmeraldinus
Data: 04/09/2010
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
Crônica de igual nome.
Versão em áudio, projeto pró-baixa visão.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Texto

Conto Nublar #003: UM DIA DE ZUMBI

     Andava pelas ruas do centro da cidade quando fui abordado por uma jovem de prancheta nas mãos, a fazer entrevistas sobre saúde e no final deixava um pequeno panfleto, indicando um local e hora de  uma certa palestra.
     A princípio não dei muita atenção, mas depois encontrei um garotinho que se dirigia para aquele lugar e fui despertado, pela curiosidade de o menino ser muito parecido comigo, tanto no físico quanto em suas ideias. Pode parecer loucura, mas ele era eu mesmo, não sei como, mas eu estava ali comigo mesmo, em idades bem antagônicas – 12 e 59 anos. Que coisa mais estranha! Não estranharia mais se me encontrasse com mais outros eus meus em outras faixas etárias. Foi isso que me levou àquele lugar.
     Uma grande propriedade, cercada por grades fortes e bem trabalhadas, fincadas sobre meia-parede. Vista de fora, aparentava um conglomerado de prédios, típicos de um campus universitário. Saudados por amáveis e gentis recepcionistas, entrei sem dificuldade pela portaria e dirigi-me para o interior do prédio, seguindo por intermináveis corredores até encontrar  uma sala onde haviam muitas pessoas vestidas de batas de pacientes de enfermaria, como se estivessem participando de algum experimento científico. Para dizer a verdade, não gostei de ver tudo aquilo, até mesmo por ter encontrado alguns familiares meus ali naquela sala, em condições de cobaias. Pense como fiquei injuriado ao ver meus entes queridos, naquele ambiente! Eles pareciam mais uns zumbis. Um deles arrancava considerável parte de sua pele enquanto outro tomava de suas mãos e comia aquela pele desfigurada. Que nojo e raiva!
     Comecei a bolar uma estratégia para os tirar de lá, mas por mais que tentasse falar com eles, mas me sentia inútil, pois era como se eu nem estivesse ali e nem me davam atenção, mas bailavam ao som de música alguma, como se ouvissem uma valsa ou balada. E nada de me ouvirem. Todos estavam zumbificados e tentavam atrair-me para aquele contexto macabro. Após muito insistir e sem sucesso, saí dali e busquei meu eu menino e convidei-o a sairmos daquele lugar deprimente, em busca de ajuda.
     Percorremos intermináveis labirinto, até chegarmos próximo da portaria, mas, ao contrário de nossa chegada, estava tudo trancado e bem guardado por hostis seguranças que não deixavam nos aproximarmos do portão de saída. Depressa, Eu e eu, escalamos as grades e ganhamos a rua, numa carreira desenfreada de bater os pés no traseiro, em desesperada busca por ajuda, sem sabermos onde ou a quem procurarmos. Correndo pela Rua da Cruz, próximo ao cruzamento da via férrea do Metrô, parei numa pequena lanchonete, para tomar um fôlego e beber uma mineral sem gás.
     Encontrei uma moça bonita, elegantemente vestida, bem produzida, com uma prancheta nas mãos entrevistando um jovem. Ao ver-me, aquela moça dirigiu-me um olhar ameaçador, mas não conseguiu me intimidar. Tentei convencer ao jovem que não respondesse qualquer pergunta e que muito menos fosse ao lugar do macabro encontro. Esforço em vão. Debalde esforcei-me para alertá-lo do perigo que ele corria, mas até parecia anestesiado, numa hipnose profunda. Então falei para aquela mulher que queria os meus queridos fora daquele lugar e tudo o que era meu que ficara detido por eles.
     Educadamente, ela me disse que estava tudo bem e que era política deles, não prender ou internar alguém sem o expresso consentimento por escrito. Então, deu-me um protocolo e pediu-me para que eu o assinasse. Desconfiado perguntei: “O que é isso? e para que devo assinar?” Ela respondeu-me que era para devolver minhas coisas que estava num envelope hermeticamente lacrado.
     Assinei o protocolo e, em contrapartida, ela deu-me o envelope esquisito, esboçando um sorriso macabro, mordendo um dos cantos dos lábios e disse-me: “Hoje mesmo, um ogro te visitará.”     Retruquei: “Para trás, demônio! Longe de mim tal coisa!” Ela desapareceu imediatamente e eu comecei a abrir o envelope enquanto cruzava a linha férrea. O envelope tinha um aspecto esquisito, como se fosse um conteúdo coloide, nada lembrando a documentos. Quando consegui romper o lacre, o mesmo odor fétido da sala de experiências invadiu minhas narinas. Rapidamente joguei o envelope na rua o qual derramou seu conteúdo pelo asfalto e logo adquiria o aspecto de um zumbi idêntico aos da sala da clínica experimental.
     Dei um salto brusco para trás, ao mesmo tempo em que minha esposa abre seus braços, deitada ao meu lado e, sem querer, bate em meu rosto”. Nesse momento, acordo sufocado, tentando respirar ofegante. Saía de uma crise de apneia, dizendo: “O que foi?” Só nesse instante foi que percebi que tudo aquilo não era mais que um pesadelo. UFA! Ainda bem! Graças a Deus que minha amada, mesmo sem querer trouxe-me para a realidade.

Minha análise para este pesadelo:
     Sei que os sonhos podem ter significado, tanto mais, se esses sonhos se repetem sucessivas vezes,  e este já foi a segunda reprise. Certamente que é mais que um sonho. Uma mensagem em código que precisa ser decifrada. Sinto que o Senhor me impele para que tome uma decisão para algo que ELE já me ordenara fazer - Ir realizar uma nova missão a nós confiada. Enquanto não tomamos a iniciativa de sair da zona de conforto e assumir a nova comissão, corremos o risco de nos tornarmos quais zumbis e infectamos uns aos outros com o nosso mau humor.
                          Deus abençoe a todos!!!!
Alelos Esmeraldinus
Enviado por Alelos Esmeraldinus em 04/09/2010
Reeditado em 10/04/2013
Código do texto: T2477594
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alelos Esmeraldinus
Gama - Distrito Federal - Brasil, 95 anos
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Alelos Esmeraldinus
Rádio Poética