Aos pais de meus netos


          Em algum lugar por aí eu já deixei uma homenagem a meu pai. Grande figura foi meu pai! Porém, por ser seu filho, obviamente minha opinião é pra lá de suspeita.

          Fico aqui pensando, todavia, que tipo de pai sou eu. Desnecessário seria dizer que adoro minha prole, mas o amor às vezes é algo estéril quando não produz resultados positivos a quem se ama.

          Sei que nunca fui ausente, que jamais lhes neguei suporte e orientação ou outras coisas do gênero; daquelas inerentes à função de pai. Mas a vida é complicada e nem sempre tudo sai como a gente gostaria.  É doloroso quando se tem que dizer a um filho coisas como “não posso”, “não sei” ou “não vai dar”.

          O pai dos meus filhos é falível, como todo pai é. Espero, ao menos, que algum dia eles possam reconhecer que nenhuma limitação  representa um fim de linha, mas uma condição da vida para que se busquem caminhos alternativos. E que eles compreendam que as derrotas não são justificativas para se abandonar as lutas, mas oportunidades para aprender a lutar melhor.

          O legado que posso deixar a eles é o mesmo que meu pai deixou a mim: o exemplo! Assim, espero que eles possam repassar isso adiante a seus filhos. 

          Desde já, homenageio os grandes pais que meus filhos, espero, um dia serão.