Deus Requer Santificação aos Cristãos 52

Publicado por: Silvio Dutra
Data: 22/02/2022
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Créditos

Texto: Silvio
Voz: Silvio

 

 

“Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” [Ap 3: 14-20]

 

Jesus repreende duramente a igreja de Laodiceia, mas diz que o faz porque repreende e disciplina a quantos Ele ama.

Então, não obstante a má condição dessa igreja, Ele continua amando e chamando-a ao arrependimento para a comunhão com Ele.

E, por que age assim com a Sua igreja, senão porque a livrou da condenação eterna por meio da Sua graça?

Ele tratou por Sua morte e obra o mal do pecado original dos que Lhe pertencem, e este é o motivo pelo qual não serão mais condenados, o que explica porque tantos ladrões e prostitutas que se arrependeram e se converteram a Ele foram e têm sido ainda salvos, enquanto outros permanecem debaixo de condenação, porque não tiveram sua natureza decaída no pecado crucificada juntamente com Jesus, pois não creram nEle.

 

Foi pelo pecado original do cabeça da raça humana, Adão, que toda sua descendência ficou sujeita, assim como ele, a uma natureza decaída da graça divina, que se opõe tenazmente à santidade de Deus, pela qual buscamos obstinadamente fazer somente a nossa vontade e não a dEle, quando que fomos criados exatamente para agir de forma oposta.

E assim, ainda que Deus não esteja incapacitado de amar a seres rebeldes como nós, como Jesus demonstrou no caso do jovem rico e em tantos outros casos, no entanto não podemos ser reconciliados com Ele, enquanto este estado de rebelião não for resolvido por meio da nossa fé em Jesus, que é o único que satisfez plenamente a justiça de Deus, para que pudéssemos ser reconciliados pelo pagamento que fez, de nossas transgressões com Seu sacrifício na cruz; por conseguinte, Deus por Sua justiça, somente pode livrar da condenação eterna e fazer viver eternamente aqueles que forem redimidos por Jesus, pois aqueles que não creem nEle permanecerão debaixo da condenação eterna, sob o estado de morte espiritual. 

 

A razão para isto é, porque somente em Jesus há a oferta do arrependimento que é para a vida eterna, pela mudança da natureza terrena para a espiritual (arrependimento é metanoia no original grego, que significa mudança, transformação de mente, de vida).

Na Lei não havia nenhum dispositivo de oferta para tal arrependimento, e isto estava representado na falta de perdão oferecido para determinados pecados, como o de adultério, homicídio, feitiçaria e práticas sexuais condenadas por Deus, mas na Nova Aliança, o sangue de Jesus não somente oferece a possibilidade de arrependimento (perdão e mudança) para a natureza decaída (pecado original), como para todos os pecados atuais praticados, exceto para o caso da blasfêmia contra o Espírito Santo.

Estes pecados e transgressões devem ser confessados e deixados, porque há na graça um perdão completo oferecido para eles, e a promessa de renovação espiritual do transgressor arrependido, uma vez que o problema principal deles já foi tratado, que é o do pecado original, relativo à velha natureza decaída. 

“Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer...” [Tg 4: 12]

 

O apóstolo Tiago nos diz que, porque Deus é um legislador soberano em Seus comandos, Ele é capaz de manter vivo e matar (salvar e fazer perecer), isto é, Sua autoridade de comando é acompanhada por tal poder, que é capaz de recompensar absolutamente e eternamente o obediente a Ele, e retornar ao desobediente uma recompensa adequada de punição - embora eu não exclua outras considerações, acho que esta de recompensas e punições eternas, é principalmente pretendido aqui.

Mas, deve ser apontado que tais recompensas e punições estão associadas ao modo como nos posicionamos em relação a Jesus, e nem tanto quanto às nossas ações consideradas em separado, pois é somente por Ele que alguém pode ser transportado da condição de castigo eterno, para a de bem-aventurança eterna, porque somente Ele pode crucificar o nosso velho homem e nos fazer de novo, como novas crituras, de modo a podermos ser aceitos pela justiça de Deus.

 

Deus nos ordena que sejamos santos. As coisas estão em tal estado e condição no mundo, que se nos esforçarmos para responder à Sua vontade na devida maneira, projetando "santidade perfeita no temor de Deus", encontraremos muita oposição e  dificuldades. Por fim, talvez possa nos custar nossas vidas; multidões de mártires o professam sem preço mais barato.

Mas, não nos enganemos neste assunto; Aquele que nos ordena que sejamos santos é o único Senhor soberano da vida e da morte; só Ele tem a disposição de ambos, e consequentemente de todas as coisas que são subservientes e conduzem a um ou a outro.

Só Ele pode matar como forma de punição, e só Ele pode manter vivo de uma forma de preservação misericordiosa.

Os santos companheiros de Daniel se comprometeram com este poder do nosso Legislador, e se preservaram em consideração a isso, quando com o terror da morte estavam ordenados a abandonar o caminho da santidade, [Dn 3: 16-18].

Com respeito a isso, nosso Senhor Jesus Cristo nos diz que, "aquele que deseja salvar a sua vida", a saber, por uma negligência pecaminosa do comando - "a perderá." 

“Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.” [Sl 44: 22]

"Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro". [Rm 8: 36]

 

A fé terá os seus momentos difíceis de provação para serem vencidos, e isto nos virá da parte do próprio Deus, para que possamos constatar que há um triunfo da vida de Jesus operando em nós, sobre todos os tipos de desânimos e mortes.

Daí, que cabe ao crente, mesmo na hora em que se sinta tão fraco, a ponto de sequer ter disposição para orar, que faça afirmação da sua fé em Jesus para a vitória, assim como fazia o rei Davi no passado. E, para isso somos ordenados pelo próprio Senhor Jesus, a não olharmos para nós mesmos e crermos em nossas possibilidades e capacidades, mas para Ele, a fim de que tenhamos bom ânimo e sejamos ressuscitados do estado de morte espiritual para o de vida eterna nEle, e por Ele.

Por isso nos diz: "não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em Mim."

Com isso teremos a certeza de que Deus tem dado à fé o poder de nos trazer a verdadeira vida e bom ânimo, e isto para toda a eternidade.

Se diante da morte negarmos o Senhor para escaparmos da mesma, nós seremos negados por Ele também, e com isso perderemos a vida eterna; os que amam o Senhor e O confessam mesmo diante da morte, viverão eternamente.

“Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” [Ap 12: 11]

 

Isso também deve ser considerado: o poder dAquele que nos ordena que sejamos santos é de forma, que Ele seja capaz de nos conduzir através de todas as dificuldades e perigos em que possamos incorrer por sermos santos.

Agora, porque o medo do homem é uma causa principal ou meio de nossa falha na santidade e obediência, seja por ataques repentinos ou tentações violentas - e ao lado disso está a consideração de outras coisas consideradas boas ou más neste mundo; a fé e o senso deste poder nos levará acima deles, nos livrará deles e nos levará por eles.

Tende bom ânimo, todos vocês que confiam no Senhor; sem medo ou amedrontado de espírito, você pode e deve engajar-se na busca da santidade universal.

Aquele que o comandou, que o exigiu de você, o sustentará nEle. Nada que seja verdadeiramente mau ou finalmente desvantajoso acontecerá com você nessa conta. Deixe o mundo se enfurecer enquanto lhe agrada, e ameace preencher todas as coisas com sangue e confusão; "a Deus, o Senhor, pertencem as saídas da morte";  somente Ele pode "matar" e "tornar vivo".

Mas, suponho que seja um poder de recompensas e punições eternas, que é principalmente significado aqui, com o "matar" usado por nosso Salvador, e se opõe a todos os males temporais, e à própria morte.

Ele diz: "Não tema os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes,  aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo". [Mt 10: 28]

 

Este "manter vivo" é uma libertação da ira que virá no porvir; isso é o que dá eficácia inevitável ao comando. Cada comando de um superior inclui tacitamente a intenção de recompensa e punição, porque uma declaração é feita do que é agradável e do que é desagradável para aquele que dá o comando; e nisso há uma promessa virtual e ameaçadora.

Existem duas razões pelas quais, na maioria das vezes, as recompensas e punições influenciam pouco a mente de homens que estão inclinados para  sua transgressão :

[1.] A primeira é que as recompensas e punições declaradas são tais, que os homens pensam que preferem, com justiça, sua própria satisfação na transgressão das leis, acima dessas questões.

[2.] Há uma apreensão secreta de que os comandantes ou legisladores não irão, ou não serão capazes de executar essas penalidades no caso de sua transgressão.

Eles atribuem muito à negligência do legislador (que eles não tomarão cuidado para ver a sanção de suas leis executadas); eles atribuem mais à sua ignorância (que o legislador não será capaz de descobrir sua transgressão), e em vários casos eles atribuem algo ao seu alcance (que o legislador não pode punir ou recompensar).

 

Por essas razões, a mente dos homens são pouco influenciadas por leis humanas além de suas próprias inclinações e interesses honestos, mas as coisas são bem diferentes com respeito à lei e aos mandamentos de Deus que devemos ser santos. As recompensas e punições que o apóstolo chamou "matar" e "manter vivo" são eternas.

Assim, nas mais altas capacidades de bem-aventurança ou miséria, elas não podem ser equilibradas por qualquer consideração deste mundo presente, sem a maior tolice e vilania para nós mesmos. Nem pode haver qualquer reserva por conta da mutabilidade, indiferença, ignorância, impotência, ou qualquer outro pretexto, que de alguma forma elas não serão executadas, portanto os mandamentos de Deus que estamos considerando, são acompanhados de promessas e ameaças de bem-aventurança eterna por um lado, ou de miséria por outro, para outros - isso certamente nos acontecerá, quando formos considerados santos ou profanos.

Por isso Jesus designa a Si mesmo como sendo a verdade, o caminho e a vida, pois é somente nEle e por Ele que podemos escapar da condenação eterna e atingir a vida eterna. Esta é a mais alta e importante verdade que importa ser conhecida pois a sua rejeição implica morte eterna, e a sua consideração vida eterna. Ele o afirma expressamente em várias partes das Escrituras, no que é seguido por seus apóstolos, e quem pensa que Ele é um salvador universal em termos de que salvará no final a todas as pessoas, inclusive os próprios demônios e Satanás, não poderá mudar esta verdade e realidade por tal forma de pensamento que contraria diretamente tudo o que Jesus ensinou sobre o céu e o inferno.

 

Todas as propriedades da natureza de Deus estão imutavelmente envolvidas neste assunto, e disso resulta em uma necessidade indispensável de ser santo.

Deus ordena que devemos ser santos, mas e se não formos?

Por que, tão certo quanto Deus é santo e poderoso, nós pereceremos eternamente, pois Seu comando é acompanhado pela ameaça dessa condição, em caso de desobediência.

E se cumprirmos o comando e nos tornarmos santos?

Com base na mesma garantia, seremos levados à felicidade eterna; isso deve ser amplamente considerado na autoridade do mandamento.

Alguns, talvez dirão que para render santa obediência a Deus com respeito a recompensas e punições é algo servil, e não convém ao espírito livre dos filhos de Deus, mas essas são imaginações vãs; a escravidão do nosso espírito pode tornar servil tudo o que fazemos.

Mas, o devido respeito pelas promessas e ameaças de Deus são a parte principal de nossa liberdade, portanto a necessidade da santidade que estamos empenhados em demonstrar, depende do comando de Deus, por causa dessa autoridade da qual procede, e com a qual é acompanhado.

Nunca devemos esquecer, que esta santidade que é requerida só pode ser encontrada por nós, em Jesus Cristo, portanto é certamente nosso dever manter um senso disso, fixado constantemente em nossas mentes, se pretendemos ser encontrados caminhando em um curso de obediência, e na prática da santidade, por cuja evidência podemos provar para nós mesmos que fomos efetivamente justificados e regenerados - isso é o que Deus pretende, principalmente em sua grande ordenança à obediência. "... Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito."  [Gn 17: 1]

 

A maneira de andar retamente, de ser sincero ou perfeito na obediência sempre deve considerar que, quem o exige de nós é o Deus Todo-Poderoso, acompanhado de toda a autoridade e poder mencionados antes, sob cujos olhos andamos continuamente.

Silvio Dutra
Enviado por Silvio Dutra em 28/01/2022
Reeditado em 19/04/2022
Código do texto: T7439185
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