UM LINDO CASO DE AMOR.
 

 
ACORDEI DESNORTEADO
NÃO VI O SOL NO NASCENTE
HAVIA UM PRÉDIO NA FRENTE
UM ATRÁS E DOIS DE LADO.
NÃO OUVI BERRO DO GADO
NEM BATIDA DE PILÃO
NEM PIADOS NO OITÃO
DE UMA NINHADA DE PINTO
OH! QUE SAUDADES EU SINTO
DE UMA NOITE NO SERTÃO.
 
DISTANTE DO MEU SERTÃO
NÃO ESCUTO OS PASSARINHOS
NÃO VEJO PELOS CAMINHOS
FLORES DE MANJERICÃO.
NÃO SE ESCUTA UM TROVÃO
BALANÇANDO O PÉ DA SERRA
UM VIOLÃO QUE ENCERRA
A NOITE DE SERENATA
UM LUAR DA COR DE PRATA
BEIJANDO OS SEIOS DA TERRA.
 
NUNCA MAIS VI PAU-DE-ARARA
NEM O GRITO DE UM VAQUEIRO
NUNCA MAIS SENTI O CHEIRO
DA FUMAÇA DE COIVARA.
NÃO SE VER CERCA DE VARA
NEM FOGUEIRA DE SÃO JOÃO
NEM XAXADO NEM BAIÃO
NEM ABOIO NEM TOADA
OH! QUE SAUDADE DANADA
DAS COISAS DO MEU SERTÃO.
 
AQUI NÃO PASSA O CARREIRO
BEM PACIENTE ABOIANDO
E O CARRO-DE-BOI CANTANDO
VAGAROSO PASSAGEIRO.
O TEMPO AQUI É LIGEIRO
TUDO PASSA URGENTIMENTE
SÓ NÃO PASSA DE REPENTE
A COISA PIOR DA VIDA
QUE É A NOITE MAL DORMIDA
LONGE DA TERRA DA GENTE.
 
QUANDO EU ESTOU NA CIDADE
NÃO ME SINTO CEM POR CENTO
NO PEITO ENTRA UM TORMENTO
EXPULSA A TRANQUILIDADE.
OS EMPURRÕES DA SAUDADE
RETIRAM MEUS PÉS DO CHÃO
DENTRO DO MEU CORAÇÃO
O SANGUE MUDA DE COR
É LINDO O CASO DE AMOR
QUE EU TENHO COM MEU SERTÃO.