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[No banco das lágrimas de sangue]
Publicado por: Rosangela Aliberti
Data: 13/11/2007
Créditos:
na voz da autora.

Texto

(...) O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente.
Que chega a fingir que é dor.
A dor que deveras sente. (...)

Fernando Pessoa


*


[No banco das lágrimas de sangue]

Todos os dias despertava com a morte
no vale bendito dos mortos mais doloridos
Esta, era sua tática obsessiva e diária:

- Quando se vive morto quem poderá nos matar?

E acariciava os sepultados...
na falta, gritava com a dor...
sufoco ausente da respiração dos afogados
gemia com as juntas desgastadas
como as camas velhas do século passado
a mente era um abandonado hospital
cega, para a visão dos médicos nos corredores.

- Quando se vive morto quem poderá salvar?

Haveria algo a mais naquela solidão atroz,
dos ecos e nos ais...o que vale
além do ganho secundário...
no amar a dor...
naquele canto
a louvar um apelo de atenção

Ao abraçar a dor e a pobreza estando em Liberdade
no banco das lágrimas de sangue,

era o principal algoz.

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 12.XI.07

Exercício de Oficina Poética
(Foto Pedro Moreira – olhares)

 

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 12/11/2007
Reeditado em 18/06/2010
Código do texto: T734257

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Sobre a autora
Rosangela Aliberti
Atibaia - São Paulo - Brasil
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Rosangela Aliberti

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