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Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva
Publicado por: Sonia de Fátima Machado Silva
Data: 24/11/2019
Classificação de conteúdo: seguro
Créditos:
TITULO: Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva
AUTOR: Fernando Pessoa
DECLAMAÇÃO: Sônia de Fátima Machado Silva
POEMA DISPONÍVEL EM : http://www.citador.pt/poemas/iluminase-a-igreja-por-dentro-da-chuva-fernando-pessoa


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (FERNANDO PESSOA). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Texto
Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

 
Cinco da manhã...
Despertam as horas no celular ...
No telhado, a chuva parece mais forte, mas docemente terna...




Rezo mentalmente o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Credo, a Salve Rainha e o Santo Anjo...
Decido se levanto ou se finjo que errei as horas...
A chuva me convida a ficar ali enrolada no edredon, mas o pouco de santa que existe em mim me toma pelas mãos e me faz sentar na beirada da cama...
Agradeço a Deus a noite que passou e o novo dia que chega...
Me apronto para  a missa...
Faz um friozinho e decido não vestir o look novo que criei para esse domingo ( referência à primavera e também a um passado longe, mas fica para depois). Isso também está me cansando, mas prometi à primavera que a faria mais florida em 2019 e então vesti a blusa verde com florzinhas pink.. O laço na frente e as mangas compridas me pareceram tão senhoris! Mas não me importei, afinal sou mesmo uma senhora...




Chamei por são Cristovão e dei marcha a ré no fusca para tirá-lo da garagem.
Sem portão eletrônico sai na chuva para fechá-lo tropeçando nos saltos do scarpin nude. A chuva fina e calma molhando os cabelos pintados na tarde de ontem com Koleston 9,1.

Seis horas e trinta minutos...



Lá está a matriz de Sant'Ana com seus 149 anos... A praça molhada da chuva... Alguns cachorros de rua... Eles vivem ali à porta da Igreja...
Poucas pessoas ainda chegando de guarda-chuva...
Chego cedo à igreja para encontrar vaga para entrar  com meu fusca na praça de frente perto da porta, pois meu esposo tem dificuldades de andar sozinho.  È proibido colocar carros lá dentro, mas o pessoal da Igreja não me proibiu por causa de meu esposo, pois sinto que preciso leva-lo comigo à missa de domingo porque a Eucarístia é o encontro mais real que temos com Jesus e isso para mim é sagrado.
A chuva cai mansa...
O canto litúrgico ecoa em meus ouvidos e fecho os olhos. Sinto Deus bem perto de mim. 

Padre Sérgio faz a procissão de entrada com os ministros e leitores do dia e ao longo da missa nos convida à conversão com aquele jeito tão santo! A conversão é difícil nos dias de hoje, mas ele tenta. É sua missão...
A
lguns dos cachorros entram na igreja e me tiram a atenção, coçando-se bem a meus pés... Cheiram mal... Meu estômago embrulha. Sinto compaixão... O abandono é tão triste! Somos tão covardes!
Termina a missa...
L​​​á fora não estavam os internos da Fazenda esperança vendendo pães e alface como sempre fazem.
Vou para casa com a chuva mansa.  O pensamento melâncólico... Não não farei poesia hoje... A poesia de hoje não terá fonemas, apenas sentidos.



Mas depois de tomar um café encontro-me com Fernando Pessoa em sua poesia como fosse a extensão da homilia de hoje. Interessante que ele falava da chuva e da igreja em seus versos...  
E enquanto chovia lá fora ele dizia
 
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro ...

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...

A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa ...

E eu fiquei pensando que existe algo de sacerdotal na poesia e na chuva...








Sem justificativas hoje, porque meu longo texto em si mesmo já justifica toda a minha manhã. Ah! Justifico o titulo do texto que roubei do poema de Fernando Pessoa, que inclusive, também declamei e postei na aba voz . Espero que gostem. Tenham um lindo domingo caros amigos.
 


Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 24/11/2019
Reeditado em 24/11/2019
Código do texto: T6802704
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 56 anos
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Sonia de Fátima Machado Silva

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