ROMANTISMO - CASIMIRO DE ABREU

CASIMIRO JOSÉ MARQUES DE ABREU

* 1839 – Barra de São João (Rio de Janeiro)

+ 1860 – Nova Friburgo – Fazenda em Indaiaçu – Tuberculose

VIDA

1853-1857 – Em Portugal – escreve Camões e Jaú – influência de Almeida Garret.

1856 – Representação de Camões e Jaú no teatro D. Fernando de Lisboa.

1858 – Carta “Aumentei o meu nome com o “de”, fica mais aristocrático, o que no entanto, não priva da pessoa ficar plebéia, como sempre”.

OBRAS

POESIA

As Primaveras – 1859

TEATRO

Camões e Jau – drama histórico sobre Camões

PROSA

Carolina – conto-romance

Camila – anotações de viagem - conto

A Virgem Loira – autobiografia

OBRA PRIMA

As Primaveras – 1859 – é contida em três Livros:

I – primeiro livro – Canção do Exílio

II – segundo livro – Brasilianas Cânticos

III – terceiro livro – Livro Negro, Poesias Avulsas

CARACTERÍSTICAS DE CASIMIRO DE ABREU

1 –O metro poético está mais presente do que o conteúdo, a sonoridade supera a razão.

O metro é bastante musical.

2 – O erotismo aparece disfarçado pela ternura

3 – Não é um poeta de pensamento, de vôos de idéia. Nada tem de filosófico. Apenas é sentimental.

4 – Sua imaginação não mistifica a realidade.

5 – Chamado por Antonio Cândido de Poeta Menor.

6 – Temática preferida são a saudade da pátria, do quadro da infância, poema amorosos e líricos, certo pendor religioso.

CRÍTICA

Camóes e Jau

Peça dramática de um ato

- na primeira cena aparece Camões em um quarto pobre; acompanha-o um fiel servidor, o javanês Antonio.

- febril, Camões monologa sobre o futuro glorioso que espera Portugal. Durante certo tempo ele fica nesse estado. De repente ao olhar através da janela ele vê que as caravelas de D. Sebastião vão descendo o Tejo em busca da guerra da África. Ao contemplá-las muda o sentido desse monólogo: passa a ser de mau agouro e pessimista. Camões previu o fracasso de Alcacerquibir.

Resolve, num ímpeto, lançar ao fogo o manuscrito e os Lusíadas, no que foi impedido por Jau.

- época – 1578 – 1580.

- Casimiro cometeu um erro de tempo, pois os Lusíadas já tinha sido publicado em 1572.

- Casimiro aproveitou-se de um mito sobre a vida de Camões.

CAMILA – é um conto incompleto cuja personagem chama-se Camila

CAROLINA –

PERSONAGENS:

Carolina – donzela

Fernando – vilão

Augusto – noivo

Augusto vai viajar durante dois anos pata ganhar dinheiro.

Fernando entra em cena para conquistar Carolina, levando-a à prostituição.

Augusto volta e se encontra com Fernando. Trocam confidências. Vão a um bordel e lá encontram Carolina.

Fernando morre ao vê-la, sente remorso.

Augusto acha em seu bolso, depois, cartas de Carolina justificando-se.

Gênero: dramalhão passional

OBRAS MAIS FAMOSAS

Amor e Medo – essencialmente lírico, canta o amor dirigido não à mulher em si, mas à mulher idealizada, que é motivo de dores e de delírios.

Meus Oito Anos – saudades da infância

Minha’Alma é Triste – canto da tristeza, da melancolia

No Lar – canto da família

EPÍTETO: Casimiro de Abreu é o poeta da saudade

EXEMPLO DE TEXTO:

MEUS OITO ANOS

Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias

Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é — lago sereno,

O céu — um manto azulado,

O mundo — um sonho dourado,

A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d'estrelas,

A terra de aromas cheia

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!

Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,

Eu ia bem satisfeito,

Da camisa aberta o peito,

— Pés descalços, braços nus

— Correndo pelas campinas

A roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo.

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

— Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

A sombra das bananeiras

Debaixo dos laranjais!

Apontamentos para Vestibular