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Biografia de MARCUS LUIZ BARROSO BARROS

Marcus Luiz Barroso Barros é um ilustre cidadão amazonense que com muita competência e dedicação construiu uma bem-sucedida carreira como médico, pesquisador, professor universitário e gestor público dos serviços de saúde. Tamanho potencial, suas realizações não se limitaram à medicina, pois ele emprestou parte de seus talentos para construção das políticas ambientais, fazendo história em Brasília como o profissional que por mais tempo ocupou a presidência do IBAMA.

Nascido no dia 29 de novembro de 1947, em Manaus, filho de mãe amazonense, Maria Vênus Barroso, e pai paraense, Luiz Barros. É o primogênito de quatro irmãos: Marcus, Martha, Maria dos Anjos e Luiz.

A genealogia de Marcus Barros é extremamente rica e reflete a mistura de povos e culturas típicas da região amazônica. Essa majestosa floresta ao longo dos séculos recebeu os mais diferentes migrantes e imigrantes que ali se dirigiram em busca de oportunidades.

Suas raízes maternas têm origem no estado do Ceará. O seu avô materno, Sr. Manuel Juvêncio Barroso, carinhosamente apelidado de “vô Passarinho”, liderou um grupo de cearenses da cidade de Itapipoca numa longa viagem para trabalharem na extração de látex dos seringais Bom Futuro e Pernambuco no rio Juruá. O “ouro branco da Amazônia”, como era chamada a borracha vegetal das seringueiras (Hevea brasiliensis), atraiu a partir do final do século XIX milhares de famílias nordestinas que, fugindo da seca, almejavam uma vida de prosperidade. Foi nesse contexto que “Passarinho” conheceu e se casou com Maria de Oliveira Barroso, sua avó “Nem” e tiveram quatro filhas. A mais nova delas, Maria Venus Barroso, é mãe de Marcus, cuja primeira infância passou na região do Juruá, precisamente no Riozinho da Liberdade, e mais tarde mudando-se para Fortaleza, já na adolescência.

A linhagem paterna tem raízes no Pará, de onde vem seu avô Francisco Barros, eletricista de uma companhia inglesa de bondes – que eram s meios de transporte comuns nas grandes cidades, antecessores dos ônibus e metrôs. Ele foi para o Juruá consertar os geradores do seringal dos Barroso. Aquela viagem que tinha a princípio o único objetivo de resolver um problema para um cliente mudou de vez a vida de Francisco Barros. Fez um bom trabalho conquistando a simpatia da família Barroso, em geral, e o coração de uma bela jovem, especialmente. No meio da floresta Francisco encontrou seu grande amor, casando-se com Maria dos Anjos (a avó “Dos Anjos” de Marcus). Retornaram juntos para Belém, onde nasceram os dois primeiros filhos. O segundo deles é Luiz Barros, pai de Marcus, que embora nascido em Belém, veio com a família para Manaus ainda menino. Cresceu, estudou e trabalhou a vida inteira no Porto de Manaus, precisamente na Manaus Harbour Limited, onde iniciou carreira aos 18 anos como conferente de carga, até tornar-se gerente da Companhia.

Já no início da década de 40 o avô materno de Marcus, “vô Passarinho” (que permanecia no Juruá) ficou cego por intoxicação de quinino – produto extraído da casca de uma árvore e utilizado em abundância pelos trabalhadores rurais para tratar os constantes casos de malária. Foi quando sua mãe, ainda jovem, mas já muito corajosa e determinada veio do Ceará para resgatar o pai da situação difícil em que se encontrava no interior da floresta. No caminho entre Fortaleza e o Juruá, ela passa por Manaus e conhece, Luiz Barros, cujas famílias já tinham laços de parentesco. Alguns anos depois, fortalecendo tais afinidades, Luiz Barros e Maria Venus Barroso casaram-se e tiveram quatro filhos, sendo Marcus Barros o primogênito.

Seus pais foram as pessoas que exerceram maior influência na sua formação, reconhece Marcus, que viveu uma infância livre, como a maioria dos meninos de Manaus na década de 50. Brincar na rua com papagaio, baladeira e tomar banhos de Igarapé, em particular no Igarapé de São Vicente, que quando seco se tornava um campo de futebol. Essas eram as diversões prediletas e possíveis para a garotada que vivia entre o Centro de Manaus e o bairro de São Geraldo.

Fez o primário em três diferentes colégios. Iniciou seu aprendizado numa pequena escola, em frente à sua casa, na Rua Frei José dos Inocentes. Depois prosseguiu seus estudos no Colégio São Geraldo, com as irmãs do Preciosíssimo Sangue de Cristo. Nessa fase foi a irmã Marília Menezes quem desempenhou importante destaque em sua formação no sentido ético-educacional e de liderança. Dali até o último ano do curso primário, no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

Em seguida, fez o ginasial no Instituto de Educação do Amazonas. Até hoje se recorda do nome de vários mestres que tiveram importância marcante em sua formação, como por exemplo: Martha Falcão, Garcitylzo do Lago e Silva, Armando Menezes, Etelvina Garcia, José e João Braga, entre outros.

Cursou o Científico no Colégio Estadual do Amazonas, de onde guarda ótimas lembranças dos professores Moacir Lima, Waldner Caldas, Ernani Barbosa e Manuel Otávio.

Ao tempo em que cursava o 3º ano do Científico, Marcus Barros serviu ao Exército Brasileiro como aluno do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), sendo condecorado, aos 18 anos, pelo primeiro lugar na turma, com a Medalha Corrêa Lima, tornando-se Oficial da Reserva. Aquela medalha foi motivo de grande comemoração para sua família. Seus pais, irmãos, primos, tios e amigos ficaram animados em ver seu precoce sucesso. Naquela data festiva, vários de seus entes queridos passaram a acreditar que aquela Medalha seria apenas a primeira homenagem de muitas outras conquistas que Marcus Barros iria alcançar ao longo de sua vida.

Em 1967, Marcus foi aprovado no Vestibular para a segunda turma de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O sonho de todos os pais é poder garantir um futuro melhor para seus filhos. Quando eles souberam da aprovação nesse importante vestibular ficaram bastante alegres. Mas, engana-se quem pensa que é só entrar na faculdade e o futuro está garantido.

Quando Marcus Barros ingressou em Medicina teve que se dedicar intensamente. Não só nos estudos, pois teve que se unir com amigos e professores para superar as primeiras dificuldades da implantação do curso médico, ainda sem hospital, sem laboratórios e sem biblioteca. Essa suplantação foi resultado da luta dos estudantes, num período de restrição de liberdade imposta pela Ditadura Militar. Os professores Mário Moraes, João Lúcio Machado, Djalma Batista, Carlos Augusto Borborema e Heitor Vieira Dourado, dentre outros, são destacados como referência ética, técnica e de pesquisa na área médica. Até hoje colegas dessa turma confraternizam-se e alguns se tornaram amigos da vida inteira, como é o caso do cirurgião Manoel Jesus Pinheiro Coelho.

Quando estava no segundo ano do curso, Marcus Barros conquistou sua primeira bolsa de estudos para os Estados Unidos e participou de um Seminário de Líderes (Brazilian Leadership Semminary) na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Nas décadas de 60 e 70, a ocupação da Amazônia era vista pelos militares como algo estratégico. Volumosos recursos financeiros foram destinados para incentivar projetos agrícolas, de pecuária e mineração, além de obras de infraestrutura, como: abertura de estradas, construção de usinas hidroelétricas, assentamentos rurais, implantação de redes de energia elétrica, construção de portos, aeroportos etc.

Como acadêmico e pesquisador, Marcus Barros já demonstrava seu interesse pelo estudo das Doenças Tropicais, que no seu entendimento era como poderia dar maior contribuição para diminuir os impactos regionais determinados por aqueles projetos de desenvolvimento que se implantavam. Seu primeiro trabalho acadêmico foi produzido quando cursava o 4º ano, sob a orientação de seu professor da disciplina de clínica, Antônio Loureiro, onde abordou a grande migração nordestina para os “rios borracheiros”, ao final do século XIX (1877) e sua relação com os primeiros focos de lepra identificados nos vales do Purus e Juruá. Nele, procurou mostrar as variáveis que fizeram da região uma das áreas de maior prevalência da endemia no mundo (20/1000 hab.).

Em 1972, formou-se Médico, e seguiu para o Rio de Janeiro onde fez pós-graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fez Residência no conceituado Hospital São Sebastião, com orientação dos professores Paulo de Almeida Lopes e Adrelírio Gonçalves Rios, atuando em pesquisas com Doença de Chagas e Leishmaniose em municípios do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

Em 1975, Imediatamente a sua volta à Manaus foi convidado por um amigo para ocupar o cargo de Coordenador do Convênio do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas com a FUNAI e a Prelazia da Igreja Católica na região do Alto Rio Solimões, nas proximidades da divisa com o Peru, que tinha como objetivo atender os índios Tikuna, considerados o maior grupo indígena da Amazônia. Nessa época, a Igreja Católica tinha forte atuação em questões sociais e políticas por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), apoiando os grupos mais carentes com base nos princípios da teologia da libertação. Com apoio do Bispo Dom Adalberto Marzi e sua equipe, implantaram no município de São Paulo de Olivença o Hospital Santa Isabel, hoje ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Aquele período com os Tikunas foi um divisor de águas na vida de Marcus Barros. Ali aprendeu bastante vendo a forma como os silvícolas usavam os recursos da floresta (ervas, frutos, essências etc.) no tratamento de males. Descreve como uma experiência extraordinária, na qual pôde ver, na prática, os aforismos do filósofo grego Hipócrates – considerado o pai da Medicina. Já tinha uma ligação forte com a história dos migrantes da Amazônia, e após esse período trabalhando com as comunidades indígenas adquiriu maior compromisso com as questões sociais e ambientais. Desde então, guarda a certeza da necessidade de valorizar a luta pela terra dos povos indígenas e a relação entre a posse da terra e a saúde.

Em 1976, retorna à Manaus e ingressa na Universidade Federal do Amazonas como Professor Adjunto do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde, ao mesmo tempo em que inicia sua carreira de médico e pesquisador na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado.

Como professor de Medicina, Marcus Barros desenvolveu uma formação humanista na convivência com profissionais das ciências humanas, como os até hoje amigos, Marilene Corrêa, Renan Freitas Pinto, Ednéia e Hildeberto Dias, Milton Hatoum e Ribamar Bessa, dentre outros.

Procurou desenvolver uma produção científica que expressasse sua observação cotidiana da patologia tropical e sua relação direta com a ocupação desordenada do espaço regional. Marcus Barros sabia que a derrubada da floresta e o aumento da poluição ocasionavam desequilíbrio nos ecossistemas criando ambientes propícios para proliferação de doenças contagiosas. Assim, estudou intensamente essa relação de causa-efeito na saúde das comunidades, empreendendo pesquisas com amigos e colaboradores em busca da cura de inúmeras enfermidades, tais como: Leishmaniose, Doença de Chagas, Lepra, Pinta, Micose de Jorge Lobo, Calazar, Dengue, Malária, Febre Amarela etc., atendendo pacientes e coletando dados em várias partes da Amazônia.

Quando percebeu que a resolução dos problemas de saúde tinha um caráter multiprofissional, engajou-se politicamente, na perspectiva de ampliar o horizonte decisório das políticas públicas em saúde. Nesse contexto foi eleito para implantar e dirigir o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), dando início à sua atuação na administração pública.

Marcus Barros iniciou suas atividades como gestor em 1981, ao implantar e dirigir o Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUGV/UFAM). Mesmo já tendo vasta experiência e grande bagagem intelectual, fez especialização em Administração Hospitalar pela Fundação São Camilo, São Paulo. O desejo de se aprimorar profissionalmente era uma constante que o motivava a superar metas e realizações. Nesse espírito, foi responsável pela reestruturação do hospital, que antes pertencia à rede estadual, promovendo várias inovações, como a instalação da primeira Central de Custos Hospitalares e a criação da primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Estado que reduziu de 66% para 6% a taxa de contaminação. Em decorrência desses e outros avanços, o HUGV transforma-se em Centro de Referência em Cirurgia Ortopédica e Traumato-Neurológica para a Amazônia Ocidental.

Após um período de três anos na administração do hospital, foi eleito Presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas (ADUA), para mandato de 1984 a 1986. O Brasil estava vivendo o fim do regime militar, com ampla mobilização popular pela volta dos direitos e liberdades políticas. Como representante de seus pares, Marcus Barros liderou o processo de democratização da Universidade Federal do Amazonas.

Em 1987, foi responsável pela coordenação do curso de especialização de Residência Médica em Medicina Tropical e do “Projeto Leishmaniose” do Instituto de Medicina Tropical do Amazonas (IMTAM), este último através de convênio com a Universidade de Harvard (EUA). Marcus Barros é reconhecido internacionalmente por ter descoberto a pentamidina – uma droga que cura os portadores dessa grave doença transmitida pela urina de ratos. Antes de sua descoberta, os pacientes eram obrigados a tomar até cem injeções de diversos medicamentos. Com a pentamidina a cura se tornou possível com apenas cinco injeções, evitando traumas para os enfermos e reduzindo o tempo e custos no tratamento.

O gosto pelo aprendizado e disposição para enfrentar desafios sempre foram marcas de sua trajetória. Marcus Barros ganhou uma bolsa e passou o ano de 1988 no Japão, na Universidade de Nagasaki, onde cursou especialização em Protozoologia (área de imunologia da Doença de Chagas).

Ao retornar à Manaus foi eleito Reitor da Universidade Federal do Amazonas para o período de 1989 a 1993, quando casa com a jornalista gaúcha Izane Torres de Barros.

Como Reitor da Universidade Federal do Amazonas, promoveu a interiorização com implantação de campus em onze municípios estratégicos, contribuindo para o desenvolvimento regional. A primeira etapa foi a formação de professores em nível de segundo grau (na época,  em toda região do Alto Solimões, por exemplo, havia apenas um professor de Matemática, formalmente habilitado). Na segunda etapa priorizou-se o combate ao analfabetismo, em convênio com as prefeituras locais. A terceira etapa foi a instalação de cursos que atendessem as demandas locais, como, Engenharia da Madeira, em Itacoatiara, e de Pesca, em Barcelos. A interiorização do exame vestibular também se deu em 60% dos municípios nesse período. Em Manaus, Marcus destaca a criação do Museu Amazônico, do Centro de Artes Hanhneman Bacelar, do Centro de Ciências do Ambiente e instalação dos cursos de Engenharia Florestal e Engenharia de Pesca, dentre outras iniciativas.

Ao retomar às atividades docentes e de pesquisa no Instituto de Medicina Tropical,  em 1995, detecta  por demanda hospitalar espontânea de pacientes, um surto epidêmico de febre amarela silvestre, numa área de 200km de raio, a partir de Manaus. Essa arbovirose, na forma silvestre, estava controlada no Estado do Amazonas desde 1984. Como Manaus é infestada pelo transmissor da forma urbana da doença (Aedes aegypti), apenas a presença de um homem com o vírus no sangue, vindo do interior, seria suficiente para disseminar a virose na metrópole. (O último surto de febre amarela urbana no Brasil havia ocorrido em 1942, no então Território Federal do Acre). Publicou os dados dessa observação na revista inglesa The Lancet e, em audiência com o Ministro da Saúde, Adib Jatene, apontou a necessidade de vacinar a população da Amazônia, que estava protegida apenas em 24%. Dos 16 enfermos, 15 haviam morrido e dois desses eram turistas estrangeiros, com passagem rápida pela periferia da capital amazonense. A cobertura vacinal de 82% em 1996, fez com que não houvesse mais casos de febre amarela na região, naquele ano.

Paralelamente, Marcus Barros aceitou o convite da presidência da Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ), para implantar e dirigir, em Manaus, o Escritório Técnico na Amazônia (embrião do Centro de Pesquisas Leônidas e Maria Deane). Coordenou com a equipe técnica do Escritório, a produção do atlas “Espaço & Doença – um olhar sobre o Amazonas”. Essa obra, ao fazer um diagnóstico das condições sanitárias do Estado, mostra para os tomadores de decisão, na área de saúde, caminhos para evitar a ocupação desordenada do espaço amazônico, geradora de doenças.

Nessa mesma época foi professor visitante de curso patrocinado pela UNESCO, na Universidade de Granada, e pelo período de 10 anos professor visitante da Universidade Autônoma de Barcelona, com abordagem nas doenças da Amazônia.

A essa altura, Marcus Barros já tinha três décadas de atuação profissional, sendo reconhecido como um profissional de sucesso. No entanto, a vida lhe surpreenderia com outras grandes missões.

Em 2002, ingressou na área científico-ambiental, como Diretor do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), respaldado pela aprovação da comunidade científica do instituto e do Comitê de Notáveis do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O INPA é reconhecido como um das mais conceituados celeiro de cientistas do Brasil, executando centenas de pesquisas em parceria com instituições nacionais e de diversos países.

Em 2003, aceitou o convite da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sendo nomeado Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), para o período de janeiro 2003 a abril 2007.

Administrar uma instituição do porte do IBAMA, com 499 unidades ramificadas em todos os 27 estados do Brasil, além de sua sede, em Brasília, foi tarefa gigantesca. E foi, sem dúvida, seu maior desafio. O IBAMA tem um leque enorme de responsabilidades, desde o monitoramento e fiscalização dos crimes ambientais, proteção das espécies ameaçadas de extinção, licenciamento de obras e atividades potencialmente poluidoras, execução de políticas públicas voltadas à promoção do desenvolvimento sustentável e da qualidade de vida em benefício dos brasileiros que moram nos centros urbanos até as populações tradicionais e ribeirinhas que habitam as regiões mais remotas. Durante sua permanência à frente do Instituto, Marcus Barros coordenou uma enorme equipe para obter significativos avanços.

Pela primeira vez na história do IBAMA, desde sua criação em 1989, realizou-se concursos públicos. Dois certames foram realizados, incorporando mais de 1.525 novos servidores. A maioria deles foi lotada em áreas carentes de pessoal, como na Amazônia, onde sua presença se tornou fundamental para a proteção dos recursos naturais.

No Licenciamento Ambiental houve aumento de processos aprovados, especialmente nas áreas de regulação do setor elétrico, concessão de autorizações para obras estratégicas para o desenvolvimento do país. Mesmo que os critérios para concessão de licenças se tenham tornado mais rigorosos, o IBAMA autorizou 882 licenciamentos para a exequibilidade de empreendimentos essenciais nas áreas de energia, transportes, mineração, exploração e produção de petróleo e gás.

Em 2004, foi lançado o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), intensificando a vigilância nessa e nas outras regiões do país. Em parceria com a Polícia Federal, Exército, Polícias Militar e Rodoviária e outros setores da administração, o IBAMA desencadeou entre 2005 e 2006,  17 grandes operações (mais de 400 nos quatro anos) para inibir os crimes ambientais. O acirramento do monitoramento, controle e fiscalização, combinados com outras ações, reduziram a taxa de desmatamento na Amazônia em mais de 50%. Contribuiu para a consecução exitosa desse trabalho, entre outras decisões, a adoção de um moderno sistema de vigilância por satélite. O Sistema Detecção em Tempo Real (DETER), operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INEP), transformou-se numa espécie de “big brother” da floresta, indicando, por meio de imagens, os pontos onde o IBAMA deveria intervir. Nesse sentido, mostrou-se eficaz a integração de três sistemas de informação, reunidos agora num módulo único denominado Sistema de Cadastro, Arrecadação e Fiscalização (SICAFI). Por ele, o Poder Público passou a desfrutar de informações precisas, rápidas e compartilhadas. Igualmente acertadas foram as providências de instalar Bases Operativas Avançadas na floresta e trabalhar por mudanças na legislação para aumentar o valor das multas contra os infratores. Fechando o cerco, foi decisiva a substituição das frágeis guias de papel intituladas Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) pelo sistema eletrônico Documento de Origem Florestal (DOF). A introdução do DOF, que na prática funciona como um extrato bancário à disposição nos computadores dos técnicos e fiscais, onde ficam registrados todos os dados relacionados à carga transportada, pôs fim à farra de fraudes e corrupção verificada nas precárias guias de ATPF.

O rigor na fiscalização, alentado por outros sistemas de controle criados, entre eles o de rastreamento da madeira em tora, combinados ao combate à grilagem de terras públicas e à apropriação por madeireiros de áreas de assentamentos agrários, alcançou o comércio de carvão vegetal extraído ilegalmente para abastecimento de polos siderúrgicos, culminando com a multa de oito siderúrgicas do Pará e do Maranhão em R$ 500 milhões. Indo além, foi posto em curso uma série de programas e projetos destinados a proteger o ambiente, como os Programas Áreas Protegidas da Amazônia e Pantanal. Nesse período, o IBAMA também criou 12 Florestas Nacionais (FLONA), área superior a 4 milhões de hectares protegidos e deixou em curso processos para instalar mais nove FLONAs.  Em parceria com organismos internacionais, desenvolveu planos de manejo florestal sustentável, trabalhando na reposição florestal e na recuperação de espécies ameaçadas de extinção pela sanha da indústria moveleira, como ocorreu com o mogno.

Os bons resultados obtidos na fiscalização dos delitos ambientais na Amazônia inspiraram ações semelhantes em relação a outros biomas, entre eles a Mata Atlântica, o mais desfigurado dos biomas brasileiros, e a fiscalização na área da Bacia do São Francisco. Nessas áreas, o satélite continua a ser um grande aliado, como, aliás, o é também no combate ao fogo nas florestas, assim como no rastreamento de embarcações. Onde o satélite não pode agir, como no setor de monitoramento de emergências ambientais (reestruturado na gestão Marcus Barros), o IBAMA centrou-se no esforço humano e de inteligência, como se tornou visível no combate à biopirataria, ao qual foi dada crescente importância por razões geoeconômicas e políticas. Tanto assim que autorizou a criação da Divisão de Acesso ao Patrimônio Genético, no âmbito da Diretoria de Proteção Ambiental.

Outro destaque de sua gestão trata-se da criação de diversas Unidades de Conservação (Uc). Entre 2003 e 2006, Foram criadas 21 Reservas Extrativistas (RESEX) e uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) em regiões do Brasil que careciam de desenvolvimento. Trata-se de uma área gigantesca, equivalente a 5,8 milhões de hectares, igual a dois terços do número de RESEXs criadas nos doze anos anteriores – um crescimento de 66%. Essas Reservas foram concebidas para prover economicamente as populações dos diversos biomas brasileiros, diversificar as atividades produtivas e geri-las em parceria com as populações tradicionais. Foram feitos investimentos na educação ambiental das comunidades para que elas próprias, associadas aos técnicos do IBAMA, contribuíssem no processo administrativo dessas áreas protegidas.

Na área de Fauna e Recursos Pesqueiros, deu-se ênfase a atividades que propiciassem a gestão eficiente dos recursos naturais e dos procedimentos de controle e monitoramento de espécies.

Ao fim de sua gestão, em abril de 2007, Marcus Barros saiu consagrado como o Presidente do IBAMA a ter vivenciado maior número de realizações e conquistas.

Ao voltar à Manaus, à convite do então Prefeito Serafim Corrêa, assumiu em maio de 2007 a Secretaria de Governo do Município de Manaus, cargo que ocupou até 31 de dezembro de 2008. Essa foi mais uma experiência nova que lhe permitiu contribuir na gestão pública, dessa vez no nível municipal.

A partir de 2009, retorna à sua “linha de base”, como costuma dizer. Embora aposentado da Universidade Federal do Amazonas, teima em não se cansar. Continua a formar Recursos Humanos para a saúde, na preceptoria dos internos e médicos residentes no Instituto de Medicina Tropical Heitor Dourado e na atividade médica junto a Unimed-Manaus.

Além de tudo isso, Marcus Barros ao longo das últimas décadas teve participação ativa em muitas outras entidades: Membro Fundador, Vice-Presidente e posteriormente Presidente da Associação de Docentes da Universidade do Amazonas (ADUA); Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; Membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica; Membro da Associação Brasileira de Educação Médica; Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia; Secretário Geral do Sindicato dos Médicos do Amazonas; Membro do Diretório Executivo do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras; Membro fundador e Diretor da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior – ANDIFES; Membro da Interplast, Inc. - Organização sem fins lucrativos para cirurgia reparadora da cidade de Palo Alto - Califórnia – USA; Vice-Presidente da Associação de Universidades da Amazônia (UNAMAZ); Membro da National Geographic Society – January 1996 – USA; Membro da Sociedade Espanhola de Medicina Tropical – Barcelona; Membro Instituidor da Fundação Djalma Batista – Manaus-Amazonas; Membro do Conselho Curador da Fundação Vitória Amazônica (1996-97) Manaus-Amazonas; Membro Fundador da Uni-Sol (Fundação de Apoio à Universidade do Amazonas); Membro da Sociedade Brasileira de Parasitologia; Membro da New York Academy of Science; Membro do Conselho Técnico Científico (CTC) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA; Membro da Academia Amazonense de Letras ocupando a cadeira no 11, cujo patrono é José Veríssimo; Membro do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa dos Estado do Amazonas (FAPEAM); Secretário Geral do Conselho do Museu da Amazônia (MUSA); Conselheiro do Conselho Diretor da Fundação Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

No decorrer de sua vasta carreira, Marcus Barros teve diversificada atividade acadêmica desenvolvida com pesquisas, projetos de extensão e docência em graduação e pós-graduação, com orientação e/ou julgamento de monografias, dissertações e teses em diversas universidades nacionais e internacionais.

Participou ativamente de eventos científicos por todo país e no exterior para apresentar resultados de pesquisas, como palestrante, conferencista e professor convidado, sempre promovendo intensos debates para despertar em governantes, acadêmicos, lideranças sociais, empresários e cientistas acerca da necessidade de construção de políticas públicas para desenvolvimento da Amazônia nas áreas de educação, saúde, reforma agrária, desenvolvimento tecnológico-científico, proteção ambiental etc.

É considerado um dos maiores intelectuais e pesquisadores da saúde pública do Amazonas, tendo publicado artigos em diversos congressos, revistas científicas, jornais e livros.

Como reconhecimentos aos seus valiosos serviços prestados, recebeu diversas homenagens e prêmios: Medalha Corrêa Lima do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), pelo Exército Brasileiro, em 1967; Diploma de Honra ao Mérito por Cooperação Eficiente à Pesquisa Científica na Amazônia. Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), em 1978; Prêmio Anual del Colegio Ibero-Latino Americano de Dermatologia por el trabajo – Doença de Jorge Lobo. Estudo de 22 casos novos (Lisboa/Portugal), em 1981; Diploma de Honra ao Mérito da Associação Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro (São João da Madeira/Portugal), em 1989; Prêmio Visão Amazônica 1993 na área de Contribuição ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Amazônia; Prêmio “Baiacu de Ouro” de personalidade do ano na área de Educação no Estado do Amazonas, em 1993; Prêmio Berimbau Azul por efetiva contribuição a divulgação e apoio à cultura Afro no Amazonas, em 1993; Professor Honoris Causa - concedido pela Universidade Federal do Espírito Santo, pelo trabalho desenvolvido na construção do projeto de autonomia para a Universidade Pública Brasileira, em 1993; Declaração de Notório Saber na área de Leishmaniose, emitida pelo Instituto Oswaldo Cruz - Ministério da Saúde, em 1996; Título de Cidadão Benemérito de São Paulo de Olivença – Amazonas, por sua atuação nos anos 1975/76 como médico no Alto Solimões, em 1998; Medalha “Imperador Dom Pedro II”, oferecida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, por relevantes serviços prestados à Instituição, em 2003; Diploma de Menção Honrosa da Universidade Federal do Amazonas pela contribuição para o desenvolvimento socioeconômico, político e cultural da Mesorregião do Alto Solimões, em 2003; Prêmio UPIS XIV, por haver contribuído para o desenvolvimento do Turismo, em 2003; “Comenda Verde”, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, em reconhecimento pela defesa do Meio Ambiente, em 2003; Prêmio "Reconocimento Internacional Foca Mediterrânea", pelo Centre D'Iniciatives Ecológiques Mediterrania em Tarragona, Espanha, em reconhecimento ao trabalho dedicado ao Meio Ambiente, em 2003; Diploma da Fundação Djalma Batista em reconhecimento à colaboração prestada nos dez primeiros anos de atividades da entidade, em 2004; Medalha “Ordem do Mérito Militar” no Grau de Comendador pelo Exército Brasileiro, em 2005; Medalha “Visconde de Mauá” por efetiva contribuição ao Ministério dos Transportes, em 2006.

A Amazônia sempre foi o foco prioritário do estudo e atuação de Marcus Barros, que nessas quatro décadas dividiu seu tempo entre a produção científica, a formação de recursos humanos, a gestão institucional, o ativismo socioambiental e o exercício da medicina.

Iniciou sua carreira nos anos 70 cheio de disposição e sonhos para fazer a diferença. Queria fazer bem mais do prescrever medicamentos e curar doenças. Marcus Barros sonhava em cuidar do corpo e da alma de seus pacientes. Quando olhamos para sua trajetória percebemos facilmente que ele alcançou seus objetivos, influenciando positivamente em vários segmentos para garantir melhor qualidade de vida de seus conterrâneos, especialmente, e de todos os brasileiros, de modo geral.

Indubitavelmente, ele é um profissional de sucesso, que labutou muito, liderou, ousou, ultrapassou barreiras, quebrou paradigmas, algumas vezes sendo tachado como revolucionário e idealista ... tudo fazendo de forma intensa e comprometida com as questões socioambientais.

Em toda sua vida e por todas as suas ações e realizações, Marcus Barros foi e continua sendo um idealista e revolucionário, um dos maiores médicos manauaras, que faz a diferença pela Amazônia e por todo Brasil!!!

 
BIBLIOGRAFIA:

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Brasília – DF, Novembro de 2014.

Giovanni Salera Júnior
E-mail: salerajunior@yahoo.com.br

Curriculum Vitae: http://lattes.cnpq.br/9410800331827187

Maiores informações em: http://recantodasletras.com.br/autores/salerajunior
Giovanni Salera Júnior
Enviado por Giovanni Salera Júnior em 18/11/2014
Reeditado em 01/05/2017
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Giovanni Salera Júnior
Palmas - Tocantins - Brasil
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