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Eu contemporâneo

Sou um homem do meu tempo, inserido no mundo tecnológico, adaptando-me ao "prazo líquido " e a intensa rotina de dias que não demoram a passar. O acúmulo de tarefas conhece um outro viés, a falta de tempo. Não como a da velha desculpa da desorganização, mas pelo fato de haver muitas tarefas e pouco tempo para resolver.  Não tenho nome, mas nomes, sou todo cidadão que vivencia nosso tempo. Grande parte dos trabalhos que antes eram bastante prestigiados, foram substituídos pela tecnologia. Aliás, eis o mais significativo avanço de nosso tempo.  À curto prazo, é provável que ela esteja dividindo ou superando a mão de obra humana.
A própria ideia de tempo passa a ter um significado antes, tão pouco prestigiado pelo homem, somos instantes. Nossa vida é como a faísca indo ao encontro do explosivo tempo. O tempo parcial, visto por nossa perspectiva.
Em meio ao quadro de histeria generalizada, o mau uso do tempo escancara-se por outras necessidades que não são cumpridas. Questões básicas de saúde, segurança e gestão pública, perdem significado se o mau proveito do tempo continua à todo vapor.
Portanto, em uma cíclica rotação do tempo, outras crises virão e, se não for por meios próprios, uma delas se encarregará de dar o desfecho à passagem humana. E toda areia da clepsidra existencial humana terá passado pelo funil do declínio.
Marcel Lopes
Enviado por Marcel Lopes em 25/06/2020
Reeditado em 26/06/2020
Código do texto: T6988051
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Marcel Lopes
Curitiba - Paraná - Brasil, 32 anos
662 textos (12555 leituras)
3 e-livros (53 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/07/20 17:35)
Marcel Lopes