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José Soares Batista

Por Nemilson Vieira de Morais (*)

José Soares Batista nasceu nos termos da antiga, Amaro Leite, hoje Mara Rosa/GO, em 13 de Fevereiro de 1937.

Os seus pais, Antônio Soares Sobrinho e, Joana Teotônio Segurada (ambos com origens na mesma cidade), viviam os dias a trabalharem num terreno de propriedade da família.

Por lá criavam um pequeno rebanho bovino, umas criações miúdas e, tocavam lavouras de subsistência…

Veio o primeiro e o único filho do casal: José Soares Batista. Tinham tudo para irem juntos na caminhada do amor até que a morte o separassem, mas não foram.

Um desconforme qualquer aconteceu naquele relacionamento que parecia ir tão bem…

Num dia o céu nublado se fez e logo veio à noite em que, as estrelas no firmamento ofuscaram-se a vista dos dois, para sempre.

Ao parecer-lhe nada mais ter sentido naquele matrimônio, a dona Joana deixou para trás o esposo, o filho, a casa…

Separou-se duma vês do seu Antônio Soares; não quis mais retornar ao esposo, ao lar que deixara.

Pelo normal seguiu na sua tristeza, no sentimento da perda.

Na ocasião, José ainda era uma criança e fora dada pelo pai a uma família descendente da (quê), havia-lhe criado; o fazendeiro Sr. Antônio Pereira Leão e dona Maria Correia. — Com eles, viveu rodeado de carinho e amor de pais.

A INFÂNCIA
O menino José teve uma infância normal, como as crianças interioranas do seu tempo, na família que o criou. Nos banhos de rio, nas caçadas de passarinho, nas armações de arapucas
e outras brincadeiras…

Não se lembra de ter ido muito adiante nos estudos. — Lhe perguntei até que série estudou :
“Quem estudava na roça, nem série tinha. Estudei um pouco, talvez o equivalente à quarta série”.

José Soares conta que ainda teve um irmão, por parte da mãe, por nome Cristino Teotônio Segurado.

O CASAMENTO/OS FILHOS
Em 1964 início do Regime Militar no Brasil, aos 27 anos, José Soares Batista casou-se com Divina Maria Batista (o grande amor da sua vida), na cidade que nasceram.

Com o tempo, a casa encheu-se da graça do Altíssimo; com a vinda de Sônia, José Luiz, Eli Carlos, Silvone, Simone, Alexandro, Alexandre. Como o coração de mãe e de pai sempre cabe mais um… Ainda tiveram uma filha adotiva, a Luzia.

PRECISOU DUM PARAÍSO
Por volta de 1967 a vida do casal não ia tão ruim, em Mara Rosa; alguns filhos já haviam nascido, mas José Soares sonhava com um paraíso além. Até  que se mudou ao Paraíso do Tocantins.
Por lá deteve-se por uns 5 anos, ainda comprou um terreno e as coisas não fluiam dentro do esperado... Desfez do mesmo e ficou pior. Desequilibrou as finanças e, passou a viver da prestação dum serviço a um, a outro, no lugar…

XINGUARA/PA
Década de 1970 — Xinguara, próximo a Rio Maria, nas “bordas” da Amazônia, segue a sua formação num rítimo frenético…
“[…] Cidade marcada por fluxos migratórios intensos advindo de muitas regiões brasileiras […]”.

Na época a notícia corria de boca em boca sobre essa região, no tocante à abundante extração mineral, madeireira e preços atrativos de terras…

José Soares com toda a sua família deixou para trás o Paraíso. Seguiu na busca por terreno barato em Xinguara, para tocar a sua vida…

No Estado do Pará numa vida dura de homem da roça, trabalhou a exaustão nas lavouras por uns 3 anos somente.

Com um certo desencanto com o lugar, a vontade de voltar, as notícias animadoras que chegavam a ele, sobre um garimpo de diamante na cidade de Almas/TO...
Creu haver chegado-lhe a oportunidade que faltava para mudar de vida, de atividades; virar um garimpeiro, ganhar um bom dinheiro…
Não perdeu tempo, ajuntou os “cacarecos”, a esposa, os filhos e ganhou a estrada de volta…

EM ALMAS/TO
Nessa cidade, no garimpo de diamante viveu 'na bacia das almas'; fora só decepções: não conseguiu um diamante sequer, ficou pouco tempo e mudou-se novamente.

DIANÓPOLIS/TO
Em Dianópolis virou empreendedor do ramo de hotelaria; abriu um restaurante e hotel na cidade. Com uns 2 anos na atividade, pelo balanço da empresa não daria mais para dar continuidade no negócio e desistiu do mesmo.

MONTE ALEGRE/GO
Quem já foi garimpeiro por um dia é complicado deixar de garimpar…
O homem havia saído decepcionado do Garimpo das Almas, ainda assim o garimpo não saira dele.
Como o insucesso do negócio em Dianópolis se deu nos tempos áureos dos Garimpos do Riacho dos Cavalos, não deu outra: José Soares arrumou as malas e fez a sua penúltima mudança com a família para Monte Alegre/GO.
Por lá labutou uns 2 anos na extração da cassiterita, do ouro…

CAMPOS BELOS/GO
Por Campos Belos ser uma praça melhor, em muitos aspectos, com o pouco que ganhou nas lavras do Riacho dos Cavalos comprou uma casa na Rua do Joaquim Barbeiro/Vila Baiana/Campos Belos.

Mudou-se então para a cidade por volta de 1981. Ainda garimpou bastante, por muitos anos, no cume do Morro das Almas e pela região; cristais, cassiterita, ouro…

O Senhor ganhou muito dinheiro na garimpagem seu José?
“Nunca ganhei dinheiro nos garimpos (referia-se a grandes cifras); só trabalhei. Nessa brincadeira perdi 20 anos, pra qui e pra li”.

O seu José soares há mais de 20 anos aceitou Cristo como Salvador da sua vida e se fez membro da Igreja Assembleia de Deus; a esposa Divina também (talvez tomara essa decisão primeiro que ele).

Depois de aposentado José Soares passou por seríssimos problemas de saúde da próstata, mas pela bondade de Deus, e muito tratamento em Campos Belos e principalmente em Goiânia, com medicamentos caríssimos facilitados pela fundação que leva o nome do cantor Leandro (da dupla sertaneja Lendro e Leonardo) restabeleceu-se do mal, superou e demonstra vitalidade.

Como o senhor vê o Campos Belos do passado e do presente?
“O de antes a gente achava bom, mas hoje está melhor”.
                                                     — José Soares Batista.

O irmão José como os domésticos da fé o chamam, já conta com os seus 84 anos bem-vividos; anda, ouve, enxerga, e se expressa com facilidade. Os seus filhos, noras e genros lhe deram uns 10 netos e 2 bisnetos maravilhos!
 
PALAVRAS DUM FILHO
"O meu pai sempre fora um sábio exemplo de vivência prática. Amor à família, comedido nas palavras; ouve mais do que fala. Costuma dizer que a paciência dá longevidade e, faz o homem prudente, em tudo o que fizer. Viveu "e ainda vive" a semear a paz na sua trajetória de vida".
                                                        — José Luiz Batista
PONDERAÇÕES FINAIS
Esse grande homem sempre fora uma pessoa humilde, atenciosa, calma ao extremo... Bastante conceituado na comunidade cristã e, campos-belense (os seus filhos são todos pessoas do bem), sempre contou com a estima dos membros da Família Vieira (vizinha e amiga deste, bem como dos seus familiares, desde que chegou na cidade).

Resta-nos a gratidão a Deus, aos pais (biológicos e adotivos de José Soares Batista), da cidade do Rio do Ouro (Mara Rosa) por gerar, criar e compartilhar conosco essa jóia de pessoa como pai, avô, amigo e irmão!

*Nemilson Vieira de Morais
Gestor Ambiental/ Acadêmico
Literário.
(21:02:21)
Texto feito com a colaboração do biografado e dum filho.
Nemilson Vieira de Morais
Enviado por Nemilson Vieira de Morais em 21/02/2021
Reeditado em 22/02/2021
Código do texto: T7190077
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Nemilson Vieira de Morais
Ribeirão das Neves - Minas Gerais - Brasil, 62 anos
157 textos (1421 leituras)
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Nemilson Vieira de Morais