JANIS JOPLIN
A incomparável voz do rock e do blues

 

   Janis Joplin iria gravar a voz da última canção de seu disco “Pearl” em 04 de outubro de 1970. “Buried alive in the blues”, canção de Nick Gravenites, não chegaria a receber a voz inimitável da cantora, pois, na madrugada daquele dia, Janis seria vítima de uma overdose acidental de heroína, misturada com álcool, em seu quarto de hotel em Hollywood. Calada a voz rascante que trazia a alma do blues para o rock, o mundo jamais encontraria quem a substituísse. 
   Janis Lyn Joplin nasceu na cidade petrolífera de Port Arthur, no Texas, em 19 de janeiro de 1943, e desde cedo demonstrou talento para a música. Era a mais velha de três irmãos. Aos sete anos já cantava no coro da igreja que os pais, Seth e Dorothy, frequentavam. Boa aluna e bastante popular até a adolescência, Janis sofreu com o bullying e se tornou uma rebelde nos anos seguintes, já cursando a Thomas Jefferson High School. 
   Em 1960, após se formar no ensino médio, Janis ingressa na Lamar State College os Technology, na cidade de Beaumont, e passa uma temporada na Califórnia, durante o verão. Passou um período em Los Angeles e frequentava a cena cultural de Venice, que naquela década se tornaria o caldeirão da contracultura nos Estados Unidos. Retornou a Port Arthur, mas em pouco tempo já estaria cantando profissionalmente, em Beaumont e Houston.
   Em 1962, Janis Joplin parte para a Universidade do Texas, em Austin, onde se inscreve no Fine Arts Program. Ela se apresenta solo e também com um conjunto de bluegrass. Nessa época, chegou a traficar maconha. No ano seguinte, mudaria para San Francisco, na Califórnia, em busca da agitação cultural do oeste – ocasião em que conhece vários músicos de sua futura banda, Big Brother and The Holding Company. Envolvia-se em confusões, brigas de rua e chegou a ser presa por furtar uma loja.
   Janis morou em Nova Iorque e passou por dificuldades, até retornar à cidade natal em 1965. Faz algumas apresentações até que, em maio de 1966, recebe o convite para uma audição para integrar a Big Brother, que ainda buscava uma vocalista. A voz e presença de Janis foram tão impactantes, que ela passou a integrar imediatamente a banda. A apresentação mais famosa do grupo aconteceria no Monterey Pop Festival, de 1967. 
   O grupo gravaria o álbum “Cheap Thrills”, em 1968, que trazia a voz rascante e surpreendente de Janis em canções que se tornariam clássicas, como “Ball and Chain”, “Piece of my heart” e a versão blues de “Summertime”. Querendo mais espaço criativo, Janis deixa a banda no final do ano. Em agosto de 1969, Janis assombra o mundo com sua lendária performance no Festival de Woodstock. “I Got Dem Ol’Kozmic Blues Again Mama!”, primeiro álbum solo, chegas às lojas um mês depois, com algum sucesso comercial.
   Porém, Janis morreria aos 27 anos, no auge da carreira. “Pearl”, álbum que traria o sucesso “Me and Bobby McGee”, além de algumas composições da própria Janis, como “Mercedes Benz”, seria lançado apenas em 1971, ajudando a manter vivo o seu legado.

 

(Parte da coletânea LENDAS DO ROCK, em produção, de William Mendonça. Direitos reservados.)