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CARTA DE NATAL

Prezado Papai Noel,

Mais uma vez está chegando o Natal e muitos irão te procurar para pedir mil coisas... Sabe  Papai  Noel? É até de rir, porque  muito embora nessa data  tenham decidido  num dado momento,  lembrar  o meu aniversário, mesmo não sendo de fato a data do meu nascimento, e nem sei por que tomaram essa decisão, mas como assim resolveram, eu aceitei.
Não reclamei, nem  nunca  te pedi nada. Nem  para os outros, nem para mim... Como também, jamais ganhei alguma coisa: Brinquedos, roupa ou doce  (por  mais simples que fosse...), de nenhuma dessas pessoas que tanto  se alegram  no  Natal. Tudo bem...  Não faz mal. Também, jamais ganhei coisa alguma daquelas outras pessoas que tanto se entristecem nessa  época do ano, lembrando  de  suas infâncias difíceis, da falta de brinquedos, pão e pano..  Pois, tudo  o que eu  queria  era  que  de fato lembrassem  de mim, como se lembra assim,  de qualquer  pessoa a quem se ama e que num determinado dia,  faz aniversário...  Eu só queria isso, Papai Noel: que se lembrassem de mim.
Nem  precisavam  me dar presente algum, nenhum  relicário, pois eu sei como  a vida  anda  difícil  para a  maioria das pessoas. Que os preços andam pela hora da morte e que no Natal eles ficam piores ainda... Mas, eu queria um abraço, um  sorriso, um  desejo de boa sorte, de Paz, de felicidade. Um minuto de atenção! Só um minuto, Papai Noel.
Mas, parece que as pessoas, que já andam muito ocupadas o ano inteiro com suas vidas, suas dívidas, seus compromissos, suas vontades...  No natal,  estão  de  novo ocupadas. Agora,  com as festividades, com  os presentes  que querem dar e receber... Se preparando, ou já com suas árvores armadas. Porém, o que no meu pensamento não cabe e eu não consigo entender, é que nem um desses presentes seja para mim. Por que será, Papai Noel? O senhor sabe?
Eu acho tão estranho, Papai Noel, que algumas pessoas dizem que esse é o momento da  caridade, da fartura, da alegria, do amor, da aproximação entre aqueles que se querem bem, ou que são queridos pelos outros... E muitos  reclamam  sua desventura, a falta de uma visita,  o som  de um telefone,  porque  se  sentem mal amados, desprezados, injustiçados... Contudo, não lembram de investir uma hora do seu precioso tempo num asilo  de  idosos  abandonados, levando  mais do que um panetone, um sorriso no rosto, um abraço sincero,  uma  vontade franca de lhes ouvir, de  cantar  com eles, de contar e ouvir estórias,  lembranças de tempos bons. De dar-lhes um aperto de mão, como símbolo de gratidão pelos seus anos dourados desperdiçados, ou não, com trabalhos realizados para que esse mundo fosse o que hoje é.
Eu acho curioso, Papai Noel, que algumas pessoas dizem que essa é uma época triste, já que tudo é comércio e que de fato ninguém mais lembra o verdadeiro  espírito  de  natal. E que, além disso, têm tantas lembranças tristes  de  tempos  passados,  e  até dos dias atuais, pois  sabem  que enquanto numa  esquina  as  luzes e sons de uma mansão em festa são vistos e  ouvidos  a  distância, noutra esquina tem uma criança chorando de fome...
Mas, nem  assim, tentam  ir a uma loja de brinquedos baratos e comprar meia dúzia que fosse, para  diminuir as  estatísticas dos que irão passar esse natal chorando,  por  não  receberem nada do Papai Noel... E não entenderem porque o senhor só vai às casas ricas, deixando de ir nas que mais precisam.
Eu acho peculiar ainda, que as pessoas passem o ano pedindo dinheiro e saúde,  em  orações.  Mas,  na  época  de  natal,  não  lembram  seus semelhantes  que  tristes  e solitários, passam dentro de um quarto de hospital, ou  pior:  num  corredor.  Deitados  em  macas, no chão, sem colchão,  nem  cobertor.  Sem  uma  visita, às vezes, até sem comida e quem é que acredita, sem nenhuma palavra, um gesto de amor?
Mas, de tudo isso o que eu acho mais bizarro em todas as verdades que aqui eu narro,  é  perceber, sem conseguir entender, por que as pessoas se preocupam tanto em dar e receber coisas boas o ano todo, passam o tempo inteiro me pedindo coisas... E eu as atendo, sabe Papai Noel?
Mas, no meu aniversário, elas se esquecem de mim... Isso me deixa tão triste...
Então, eu pensei que talvez, tu pudesses me ajudar só dessa vez, Papai Noel...  Ouvindo  o  meu  desabafo, já  que eu sei que por mais que tu queiras, não  poderás  me  dar o  presente que  tanto eu desejo...
Embora, o que eu queira seja algo muito simples. Pois, não sonho que tu me tragas presentes caros, mas almejo um presente tão valioso, que não há dinheiro que o pague. Eu não quero presentes difíceis de encontrar, mas apenas os mais sensíveis saberão onde achar algo tão precioso...
O presente que eu quero Papai Noel, e que eu acredito que mereço e tenho todo o direito de pedir, eu sei, é que os homens aprendam a amar uns aos outros, como eu vos amei...

Porque o dia que o homem apreender a amar seu semelhante como a si mesmo, não haverá mais miséria na face da Terra, nem dor, nem fome, nem guerra...

E só assim, nós poderíamos dizer com toda a sinceridade: _ FELIZ NATAL A TODOS!

Todavia, sabendo da dificuldade de ser ouvido, só posso continuar triste e cabisbaixo.
Mas, um pouco mais leve, por crer que alguém vai parar pra pensar em tudo isto... Agradeço a tua atenção, Papai Noel, despedindo-me com amor e assinando embaixo...

Jesus Cristo
Tânia Regina Voigt
Enviado por Tânia Regina Voigt em 22/12/2009
Reeditado em 16/01/2015
Código do texto: T1991467
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Tânia Regina Voigt
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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Tânia Regina Voigt