ADEUS

14 DE AGOSTO DE 2010

Não consigo entender o que aconteceu com aquele amor, com a nossa relação.

Você dizia que eu não a confiava, que não lhe amava. Engano seu. Eu te amava com todo o meu coração, eu confiava em você como um discípulo à seu mestre.

Mas sabes o que aconteceu?

Destruiu-se tudo. Acabaram-se os meus sonhos. Arruinou o meu futuro. Pois minha vida, meus sonhos e o meu futuro era você. Não sei porque não sei o futuro, antes eu sabia e tinha certeza, certeza que já não tenho mais.

Quando te conheci, descobri o prazer de amar, o prazer de viver uma intensa paixão. Te amei com todas as forças que pude, depositei toda confiança em você. Você era a mulher perfeita, era tudo o que eu mais queria, era o meu sonho realizado, era a mulher ideal pra me fazer um homem, e me fez tão bem.

Você era a mulher dos meus sonhos, a sereia do meu mar de paixão, a diva dos meus poemas, a Deusa do meu céu. Você era tudo, tudo o que eu queria, tudo na minha vida. Pra falar a verdade, você era a minha vida.

Você era a luz que me guiava, meu caminho a trilhar, pena que a luz apagou e o caminho acabou, e acabou à beira de um precipício. Um abismo, que destruiu o meu coração, acabou com minhas esperanças de ser feliz, pois era você a minha felicidade.

Não sei o que será da minha vida, nem do meu futuro, não sei o que vou fazer sem você, pois era a razão do meu viver. E agora? Viver o quê? Eu queria mesmo era morrer, pois viver não me adianta mais. Não são fingimentos aqui descritos, é a voz do meu coração escrevendo através dos meus dedos trêmulos e dos meus olhos afogados em lágrimas, assim como meu coração está afogado em mágoas e meus dedos tremem por não te tocarem mais.

Se ainda não morri e se veres meu corpo perambulando por aí, saiba que este é apenas um cadáver sem alma e sem coração, pois minha alma e meu coração não existem mais.

Tantas madrugadas, no frio da solidão e da distância que nos separava, eu agarrava o meu lençol e fingia sê-lo você. Fingia sê-lo seu corpo a me aquecer, beijava-o e imaginava a sua boca. O frio ia embora e como em delírio, sonhava contigo, amava-a até nos meus sonhos. Acordava, então, com um dia mais feliz.

E agora? O que fazer no frio da madrugada? E o que fazer dos meus dias que não mais surgem carregados de felicidade? Estou mergulhado numa treva infinda. A treva do desgosto, da solidão e do desprezo. Foi e é assim que me sinto: desprezado por aquela à quem dediquei os mais lindos poemas de amor.

Erramos e destruímos tudo. Fazer o que se o mundo está cheio de armadilhas. Por isso quero sair deste mundo.

Adeus, daquele que te amava.

ANTONIO JOSÉ SALES
Enviado por ANTONIO JOSÉ SALES em 14/08/2010
Reeditado em 06/09/2017
Código do texto: T2437429
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