RIO DE ABRIL

Rio de Janeiro, 21 de ABRIL de 2011

Querido ABRIL

Mês de Jorge, de chuva, de morte e de paixão, espero receber mais um presentão.

É um mês para se viver com alegria, mesmo diante de tanta dor, diante de tanto abandono, hoje vimos uma mulher jogar uma menina de dez dias, em uma lixeira. Como alguém pode fazer isso?

Um ser de vida, que sente, que registra, que sofre. Um animalzinho, sente o amor que oferecemos, retribui com atenção e mais amor ainda, imagine uma criança? Como nos devolverá esse abandono? Tenho uma gata, ela me ama tanto que é incapaz de me ferir com suas unhas, antes eu as cortava, mas percebi que ela tem todo cuidado quando está no meu colo, e nunca mais me feriu depois que cresceu, em retribuição eu deixo suas unhas grandes para que possa se proteger caso outro gato a ataque.

Um ser humano é parecido, se cuidamos com amor, se protegemos, se damos limites, é quase certo que teremos um amor eterno, é bem verdade que alguns seres nascem com desvio de caracter, nesse caso por mais que possamos oferecer uma boa educação, teremos surpresas desagradáveis no futuro. Mas é ai que está o valor do nosso amor, com paciência e muito bom exemplo, algo sempre modifica no outro, mesmo que seja uma pequenina mudança interna, que ao longo do tempo será uma semente em um coração árido, e no futuro distante, um dia nascerá uma flor de amor.

Amo muito esse mês de abril, porque foi nesse mês que um amor chegou em meu coração, como uma florzinha de abril, azul como o céu, verde de esperança, moleque como criança, amor cheio de esperança.

ABRIL de todos os anos, de todas as vidas e por que não dizer de todas as mortes? Nesse mês, disse adeus para minha mãe, em um lugar lindo! Com montanhas, flores, jenipapo, cana de açúcar, maracujá, um lugar cheio de história dos escravos do Brasil, em Nova Iguaçu, tem lugares lindos de viver e até mesmo de morrer. Cresci naqueles campos e muito aprendi, de amor, natureza, cultura e fiquei incomodada com a frieza que a Guanabara tinha para com a gente desse lugar, eu que sou filha da Guanabara, fui adotada por Nova Iguaçu. Quando acabar com as bobeiras bairristas, dessa gente idiota que se etiquetam como roupas de marca, teremos um Rio de Janeiro e Abril.