SEM SAÍDA

NA MADRUGADA DE 16 DE ABRIL DE 2013

Não houvéssemos nunca entrado na vida um do outro nem um dentro do outro, a vida fora um do outro teria permanecido possível. O terrível é que não se tem escolha, só se descobre o irremediável quando ele se mostra integralmente irremediável, irremediável até a medula dos ossos, irremediável até a medula das almas, irremediável até a medula das rimas e dos ritmos. Aí, já não há remédio mais para coisa nenhuma: as casas se tornam casas sem saída; as ruas se tornam, todas, ruas sem saída; os oceanos, oceanos todos sem saída; sem saída a vida... o poema... o silêncio...

Acima de tudo as palavras, as palavras, esses seres terríveis, essas magas, essas bruxas, essas sem saída, as mais sem-saída de todas as coisas vivas, essas que nos trouxeram um ao outro, essas que nos separaram e separam, essas que nos deram a vida, essas que nos assassinam. Essas que poderiam, talvez, nos ressuscitar, se lhes permitíssemos.

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