A MINHA PRIMEIRA E ÚLTIMA CARTA DE AMOR

Formalmente inicia-se uma carta citando a cidade em que se reside, perguntando como se tem passado.

A minha carta essa que transcrevo agora, não necessita dessas formalidades, não que já se tenha intimidade para tanto, não é isso, mas pelo simples fato de não ser uma carta convencional.

Eu jamais escreveria essa carta por minhas mãos, sim, ainda que um dos 'eus' a escreva.

Sou Flora Ribeiro, nascida e renascida de mim, um fragmento tão doce que por vezes penso ser inexistente, mas sim, existo, mesmo sendo só mais uma das tantas partículas desse meu tão complexo 'eu'.

...Ainda não consegui descobrir o que me prende a ti se claramente percebo que nada significo, sempre soube.

Sim, eu brinquei de acreditar ou de sonhar...

Sim, eu aceitei a espera, o termino de cada romance...Eu me fiz de cega...

Agora tenho pressa, sou alada mesmo tendo que fazer o caminho terrestre.

Perguntar dos teus dias seria redundância se deixas claro em teus versos cada passo da tua história, principalmente das paixões intensas que vives.

Sabe, ultimamente tem me doído ler-te, asas da tristeza me embalam e em instantes me faço inverno.

Gosto de ser primavera. Gosto de ter a força do calor do verão, de ser envolta com a luz do sol e vestir meu sorriso azul celeste.

Desaguo-me agora, mergulho n'um sentimento que desconhecia e que definitivamente não pretendo mais sentir.

Sou rio que segue o curso em liberdade [nesse momento sorrio de mim ,(um riso triste )]...

Sorrio das minhas fraquezas, dos meus enganos, das corredeiras que me arrastaram rio abaixo, do negrume da noite que por uma fração de segundo me lembrou a cor dos teus olhos, das estrelas que roubaram-me os sonhos...

Sorrio das minhas palavras apaixonadas e de recordar da voz que enlouquecia os meus sentidos.

Sorrio de tanto tempo de covardia por medo de perder-te...Sorrio ironicamente de mim porque na verdade eu nunca te tive.

Sou Flora Ribeiro, sou faceta da minha faceta, um grão apenas nesse vasto universo onde habito-me.

Sou eu e meus 'eus' que agora despedem-se da dor de um amor nunca correspondido.

Ah como dói dizer-te adeus...

Sou Flora Ribeiro, sou Mar, para alguns sou Gal, sou Gui, sou princesa, sou menininha, sou anjo, sou bb, sou Deusa, sou maninha, sou rosa, sou Gall Marttins...

Simplesmente eu SOU.

*Flora Ribeiro é um dos meus heterônimos, já esteve um tempo residindo aqui no Recanto Das Letras, costumo dizer que ela-eu, é a melhor parte de mim.

O nome é em homenagem a minha bisavó materna, uma linda mulher de cabelos cor de trigo e olhos da cor do céu, uma doce guerreira que ficou viúva aos 25 anos de idade e com bravura criou sozinha seus cinco filhos dentre eles a minha avó.

https://www.youtube.com/watch?v=4RWMzcRgYsc

"Viagem de ventania

Nem lembra se olhou pra trás

Ao primeiro passo, aço, aço...."

"E basta contar compasso

e basta contar consigo

Que a chama não tem pavio

De tudo se faz canção

E o coração

Na curva de um rio, rio..."

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Aglaure Martins
Enviado por Aglaure Martins em 12/07/2015
Reeditado em 12/07/2015
Código do texto: T5308285
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