Me perguntaram se sempre fui assim...
"Não ter medo de me aventurar ao lugar desconhecido"


Bendita arte da escrita que podemos ir atras das paredes da memoria , o tempo passa e alguns detalhes se apagam no rastro da nossa historia.

E como uma corda, puxar de lá do fundo, e uma lanterna fraca,  caracteristicas nossas que não paramos para pensar sobre nossa essencia, e descobrir o que nos da prazer...
Vamos lá, vou contar alguns relatos do passado já desbotado, outras que acontecem nos tempos atuais.

Quem disse que preciso de dinheiro para sentir um passeio? - Posso provar que não.

Quando terminei o primeiro grau, com quatorze anos, fui trabalhar, lembrando que de la pra cá, não houve uma janela, saia de um e, no outro dia estava em outro. Meu pai era rigido ao extremo, controlava horarios,
Amizades?

Nem pensar, antes de pensar ele ja vinha com as concluões feitas de arrepiar. 
Era sozinha...
Um dia estava entediada, resolvi pregar uma pequena mentirinha...Vou trabalhar sabado. Era o unico jeito.

Sai de madrugada na mesma hora dos dias normais...Não tinha nada em mente, o local do meu trabalho tinha uma estação de trem, olhei e disse pra mim mesmo, é pra lá que vou...O destino?
Nem mesmo eu sabia, meu momento comigo mesmo.

A principio pensei:
Vou até o final dele. E o final era a Estação do Brás.
Chegando lá olhei os itinerarios de outros trens,bati o olho e vi PARANAPIACABA, não tive duvidas, o nome era atrativo, e pra lá que vou. ...

Comprei a passagem  rumo a viagem. A janela aberta ,o vento batia seu frescor  no meu rosto.
As paisagens verdejantes me faziam sentir o prazer daquele instante.

Demorou um pouco...Ponto final. Comecei a andar, olhando para tras e curtindo aquela visão diferente, lembrando Londres, essa que conhecia por filmes e fotografias. Me senti encantada. Sem contar a liberdade ,esta pra mim sorria...Não pensava em nada, caminhando avistei um cemiterio,

Opa! vou fazer uma visita...Estranho isso, mas no cemiterio  sentia uma paz inegualavel, ali os mortos com certeza não me fariam nenhum mal. Além do mais, cedo, cidade pacata e pequena. Ninguem circulando por ali; as fotos dos que partiram...Alguns eram jovens, outros idosos.

Sem preocupação nenhuma olhava... Tinha uma foto que o menino estava sorrindo.Imaginei:
Poxa! tão jovem, qual sera a causa da morte?
A imaginação ia além, pensava em seus familiares, a dor, o tempo que percorrido, poderia estar vivendo uma vida..Não me lembro quanto tempo fiquei ali, talvez 15 minutos...Logo sai. Estava muito nostalgico o local.

Comecei subir uma rua, avistei uma moça aparentando mais ou menos dezesseis anos, estava varrendo a calçada, parei, com educação, e simpatia perguntei:
Moça, pode me dar uma informação?
Sim, claro - respondeu ela.
O que tem nessa cidade para ver?
Tem cachoeiras...Pelo visto você não conhece aqui? - Perguntou ela.

Não conheço nada aqui, gostaria de conhecer, e como faço para chegar lá.
(Note que essa sempre foi minha palavra chave, como faço pra chegar lá, e me acompanha até os dias de hoje, com educação, gentilezas.)

Se você esperar um pouco, posso ir com você, minha mãe esta para chegar do mercado, entre e esperamos.
Entrei, era uma casa de madeira, tipo pré fabricada,bem simples, me senti confortada,tomei um copo de agua.Enquanto isso bateram na porta.

Entre jonas, falou Tania...Essa é Rose. Estamos esperando minha mae, vamos na cachoeira, você pode ir com a gente?
Posso - respondeu.

Jonas era um rapaz, talvez tivesse uns dezesseis anos, com sotaque acentuado de carioca, muito simpático e prestativo. Eramos praticamente da mesma idade.
Quando D. Flora chegou, Tania me apresentou e pediu permissão para irmos a cachoeira. Ela permitiu e fomos.

Me lembro de subir ruas de terra, tinha repteis atravessando a rua, tinhamos que ficar parados esperando os bichos passarem (uma cobra gigante). Não é que danada ficou parada?

Tivemos que esperar sua boa vontade...Chegamos na cachoeira depois de andar muito..Não me lembro dos detalhes, afinal, faz muitos anos.
Se tivesse escrito, não teria perdido nenhum detalhe. Aqueles dois adolescentes me fizeram companhia,  eram namorados.

Então concluo:

Sempre quando sozinha, ontem e hoje, com excessão quando namorava, ou estava casada, participavamos juntos. Esse meu lado flui naturalmente e do mesmo jeitinho, uma forma de saber curtir momentos quando estou sem companhia afetiva.

Começo sempre perguntando como chego...E vou.
Tenho muitas historias assim nos dias de hoje...É prazeiroso, obvio, arrisco um pouco mais, talvez chegue no japão, depende do meu bolso, de tempo e principalmente dos meus cinco minutos. O local ?
Sabendo que vou me sentir bem, estando bem comigo.

Não se preocupem, cemiterio não faz meu genero. Prefiro passar por longe, não faz parte do meu pacote de passeios...

Vi uma frase no Cemiterio na cidade que morei (Nós que aqui estamos esperamos por vós) logico que vejo dois sentidos, mas é sério, oito anos lá, nunca tive coragem de entrar.

Para terminar, nesses passeios encontro pessoas mesmo com diferença de idades, jovens, mesma idade e idosos, naquele momento é uma amizade que temos o mesmo ideal.Independente dos costumes. Afinal, no dia a dia nos associamos conforme nosso convivio.O outro lado. Observando que hoje entendiada ou não, passeios brilham minha essencia.

"O proximo topico"       
O passeio solitario em Bariloche












 
isis inanna
Enviado por isis inanna em 29/06/2018
Reeditado em 29/06/2018
Código do texto: T6377466
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