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Em memória de Jhon do Cordas de Ouro

Essa é minha carta final a John.

Suas memórias foram vívidas suficiente para que eu possa realmente dizer-lhe um adeus, hoje eu enterro o violão de 6 cordas do Cordas de Ouro, atualmente temos apenas mais dois membros, que continuarão o legado da orquestra de ouro para o mundo, fazendo sinfonia para Deus através de nossas felicidades, do chão até os céus, dos céus até as estrelas, das estrelas até o universo, do universo até Deus e de Deus, para nossos corações.

Digo-lhes que posso abrir mão de suas memórias, mas não dos seus legados, coisas mundanas deixadas a nós para que possamos encontrar respostas, principalmente quando ele me opôs uma premissa que eu entendi seu significado, ‘você morrerá sozinho, passa-se anos, passa-se pessoas, passa-se corações, mas ser uno é o que lhe aguarda’, essa foi sua última frase de seus lábios para minha pessoa.

Primeiramente ele queria que eu refutasse tal frase, eu sou alguém que nunca poderá ser preso e limitado e ele colocar meu universo num jarro foi a coisa que me fez arder em busca de quebrar tais amarras, ninguém morre sozinho, independente do tempo que passe sempre entrarão o amor e eu achei, não é morrer sozinho, mas ser uno com a pessoa que você dedicará sua vida, se tornar um, criar laços, a limitação para o infinito, uma verdadeira dádiva de amor.

Percorre pelo mundo seu livro, livro único e que nunca será feito igual, páginas coloridas e algumas negras, todas as respostas para a pergunta que te dói o peito, resposta esta que é tomada por uma interrogação, procurando para que a resposta venha de seu agrado, interior e pura, sempre nos perderemos para poder nos achar, o tempo leva tempo, é sempre um tic e um tac, independente do quanto se atrase.

Deixo aqui minhas lágrimas, minhas alegrias, meus amores, meus pesares e minhas memórias a tal mestre, insubstituível, de alma única e que nunca existirá ninguém melhor que tal homem, o sorriso, o calor, sua compreensão mundana e espiritual, alguém que fez até seres superiores apaixonarem por seu carisma, que os Deuses o tenham e te amem da mesma forma que levou consigo parte de nossos corações. Mesmo diante de velórios, desgraças, penumbras e tristezas nunca deixou de sorrir, procurava o nosso melhor e até mesmo ensinou que a morte nunca foi um fim, um poeta é um Deus em sua poesia, e a poesia da vida nunca terá ponto final, somente termina em vírgulas.

Enterro-te ao lado do meu violino cerúleo, das cordas de ouro por cada fio dourado que entrelaçou nossas almas, não veja isso como uma despedida eterna ou até mesmo uma forma de ter tido mágoa do destino, atualmente me velho alguém feliz, pois encontrei alguém que me torna uno com ela, posso sentir que finalmente entendo todas as dúvidas que responderia se me contasse, mas não o fez para que eu seja independente e livre de todas as máculas da incerteza, eu te amo como o mestre da orquestra que sempre foi, o melhor amigo para todos os momentos, o pai que eu nunca tive, o irmão que aconselha o mais novo, o pai que cuida de sua prole, o Deus que abençoa seus mortais, e a batida que ecoa em vossos corações.

Em memória de John, Mestre do Cordas de Ouro, Senhor das línguas mortas, Querubim das Terras Desertas, Guia dos Alados, Filho da Magia, Amante do Desconhecido.

Independente dos inúmeros títulos que lhe ponham na cabeça como sua coroa de glória, sempre poderei chamar-lhe de amigo.

Isso é um tchau, nunca um adeus,

Uma vida só,

Que uma vida só.
Corvo Cerúleo
Enviado por Corvo Cerúleo em 09/10/2018
Código do texto: T6471445
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Corvo Cerúleo
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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Corvo Cerúleo