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Se ainda escrevo

" Se eu ainda escrevo é para lembrar você...Escrevo para não enlouquecer, talvez porque todas as tentativas são passos contrários que me aproximam cada vez mais de ti, a chuva cai lá fora e tão sensível quanto as teclas de um piano, ressonando uma melodia perfeita me devora! Em silêncio, não há palavras, nem expectativas, não há lágrimas, nem chegada ou partida, todas as minhas noites de insônia, mal dormidas, o copo vazio do lado da cama, as incertezas na mente, e a  espera do nascer do sol, as poesias que não escrevi, o sorriso que deixei de doar, o medo que me paralisou diante do teu olhar, e mais silêncio, é incrível, mas, nada pode ser mais profundo que o silêncio; talvez ele me incomode tanto porque sempre traz as respostas que nem sempre quero escutar.
As gotas escorrem nos vitrais, muitos corações batem descompassados na cidade, e quando me pego tendo aquela sensação de que longe de você eu jamais vou sentir algo inusitado novamente, então meus dias correm e feito fotografia estampam repetidamente momentos, movimentos, quando eu tenho você comigo então eu não preciso de direção, me solto feito um barco ao mar, e a minha vã tentativa de compor, escrever textos, poesias e músicas vem exatamente de toda a causalidade que coloca entre nós uma distância... o mais louco de tudo isso é que ao questionar a existência me pergunto se você é real, ou se existe somente quando eu lhe lanço luz, quando te crio em minhas canções, e poesias, será que esse teu sorriso leve é fruto da minha imaginação? Será que a física quântica será suficiente para confortar-me? Deixando uma margem para que existamos em diversas realidades...
Será que em alguma delas sou EU de verdade? Ou um personagem das cartas que escrevo? Talvez a solidão me caiba bem, tal qual o castigo dos Deuses, tal qual as estrelas...
A chaleira apita, o chá está pronto, a chuva continua a cair lá fora, o piano, os sorrisos, as cartas, os corações, as canções e tudo que foi então consumido, me olho no espelho e não me reconheço, por isso ainda escrevo como a costurar uma colcha de retalhos, são muitas vidas, muitas marcas, escrevo para onde quer que estejas me reconheças quando voltar para casa...."
Kemii Athon
Enviado por Kemii Athon em 09/01/2019
Código do texto: T6546996
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Kemii Athon
São Paulo - São Paulo - Brasil, 29 anos
30 textos (489 leituras)
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Kemii Athon