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Carta de MISS PURPURINA - De volta ás Origens!

Cidade quem sei o nome.                                                             Data linda, de um sol formoso!




   Gente amiga deste e de outros planetas, que eu nem sei mais o que dizer...

...Ah, quanto tempo estas doces linhas já não tem meu toque, estava morrendo, em purpurinas sólidas de saudade! Mas enfim, cá estou para afogar as mágoas deste mundo belo, desta vasta imensidão de pessoas no mar da vida. Em todo este tempo vivi novas experiências, e como te conheço bem vou contar pra tirar esta ruguinha de curiosidade da testa, por que isso te deixa horrível meu bem. Brincadeirinha, é Um charme em qualquer peça, porque curiosidade e rugas fazem parte de todos, aliás, apenas somos o que somos porque temos rugas e curiosidade... Elas são opostos, representam os antônimos lados de nossas vidas: As rugas ficam transparecidas na pele, são a máscara que usamos, expressa nosso falso ser. O nosso duro cotidiano, as formalidades e obrigações. A curiosidade é nosso lado criança, nosso jeito verdadeiro, descontraído, brincalhão, fantasioso, que fica guardado (nem sempre) no interior delicioso dos nossos corpinhos! E vezes por outras como somos imperfeitos mesmos, elas saem juntas a caminhar nas faces e nos deixar loucos!!!!
Em toda eternidade, sempre viajarei, conhecerei novas terras, lugares, porque esse mundo é tão grande, e penso que já que faço parte dele, é mais do que uma obrigação, ao menos tentar, já que não vou conseguir mesmo, conhecê-lo num todo, cada grão de areia que cobre um solo maior, porque este grãozinho carrega consigo uma identidade inigualável, uma história rica de detalhes, pessoas, ilustres desconhecidos que a fizeram tornar-se real, e que deve sobre todas as coisas ser respeitada, porque é uma pequena parte do que faz o mundo... E esse perigoso mundo ainda não é o limite, existem coisas maiores por vir, mas que a criatura divina ainda teme colocar em nossos olhos, quanto mais nas mãos: Pois o mundo como disse, por si só é perigoso, imaginem então o quanto nós somos perigosos, já nós quem o constituímos.
Mas por favor, não me deixem ir muito longe nessa estrada quilométrica, sou louca, sabem bem, e desvio do assunto como um macaco desvia da sua árvore por um cacho de bananas... E gosto de um papo. Ah, desculpe, lá ia muito eu mesma desviar novamente. Vamos ao que é certo, ao assunto desta cartinha (rsrsrs)
Viajei há um tempão, por isso linhas por mim não eram mais compostas, fui para a Inglaterra, visitar minha cidadezinha natal. Lá que eu nasci, e como conclui a brega composição: “Lá quero morrer!” Morram de inveja porque nasci na cidade dos Beatles, em Liverpool. Linda de viver, e de morrer também, pacata em meios termos, amada sem igual, cenário de grandes vivências. A última vez que estive lá ainda era homem, depois aqui neste amado Brasil que ama, que recebe suas pessoas como se fossem as últimas, deuses, agem como ninguém por seus visitantes, que eu fiz minha cirurgia, colocando tematicamente as asas da imaginação nas costas e podendo voar mais alto, sobre os campos onde realmente muito almejava desde sempre. Lá não era possível, porque é Inglaterra , Europa, conservadorismo bruto grita em toda parte, apesar do mútuo respeito pelas classes, respeito expressado, porque no fundo nos corações, o preconceito e sua chama ardente, queimam no íntimo.
E saibam que fiquei a imaginar então como eu, após mudar completamente, e repito: completamente, a minha vida, seria vista naqueles lugares, onde habitavam conhecidos, amigos, parentes, aquela língua deliciosa que nasci falando, mas que por via das circunstâncias e sonhos tive de abandonar, a fazendo de hobby e sinalizador de maior cultura, num país onde ela é sinônimo de fundo conhecimento. E como se fosse já total absurdo, contrariedade dos seres, eu iria com meu namorado, o Olívio, lindo, moreno, alto educado, simpático de bem viver, tudo de bom, amo-o de paixão-ternura-louca. E seria conforme disseram os amigos, uma tremenda loucura aparecer lá transformada e com aquele macho de chaveiro. Repensei noites seguidas sobre o fato, porque não representava apenas viajar de menininha com um gatinho carinhoso para um lugar de pessoas muito conhecidas, também significava deixar meus filhos no Brasil. E eternamente, o sempre fez seu caminho lapidado de rosas e espinhos na minha vida mais uma vez, e com apoio dos filhotes, pois “sabemos nos cuidar”, “você merece esta viagem, não se preocupe com a gente mãe”, eu fui, parti naquele avião sem coração na mão, há tantos anos... Deixei uma farta compra na dispensa dos babys, e crédito nos comércios ali perto para o que precisassem, era uma aventura, porque não tinha programado hotéis, nem roteiros, nem agendado visitas. Surpresa!... Sim, seria assim.
Os grãos daquelas estradas não eram mais grãos, mas sim lajotas de uma pedra forte ferida. Tinha o mapa em minhas veias, e palpitando nas pupilas como um robô destinado a matar o inimigo. Andei por tudo, lhe mostrei todos os pontos, e lugares que costumava freqüentar, freqüentamos! Cada passado que dava, ele repetiu comigo. Foi lindo, matei muitas saudades, até briguei  com uma vendedora numa loja se souvenirs, porque a cumprimentei achando que era a Fafá de Belém, mas era a Tina, doce e velha Tina, ela não aceitou viver o minuto Fafá, e brigamos, não somos mais amigas, um peso a morto a menos na carga pesada que levo nos ombros. E Era hora então do momento fatal, porque os lugares eram muito bons, tudo estava magnífico, mas os lugares não falavam, não pensavam, nem tinham reações, o momento de rever a família, liguei um dia antes combinando um almoço na casa de uma tia. Me atrasei simulando casamento, estreando de noiva. Há, há, cheguei na casa de titia, quase arrebentando o portão de ferro, não de nervosismo, mas ansiedade. Mãos suadas e coladas nas de Olívio. A porta das frente aberta, apenas me aguardando passa-la. Olívio resmungou: - Você ainda pode desistir!
 - Cala a boca menino! – Minha personalidade não estava ali pra desistir.
Entrei, e uma roda em volta de mesa farta, de comidas desgostosas, estava a me aguardar. Me olharam em silêncio dos pés a cabeça. Cada cutícula foi analisada. Os poros inspecionados.
E então sorrisos, e pularam, num abraço coletivo me beijando e fazendo sudações mil, o mesmo repetiu-se com o amor da minha vida. Me elogiaram tanto que nem sei. Fiquei estranha, porque eles esperavam minha nova forma, na breve investigação? Meus filhos haviam ligado e contado... Lindos da mãe! Então era família, me respeitavam, e amavam ainda mais porque havia me assumido, tinha a cara exposta ao universo sem vergonha, e com vergonha na cara para usá-la como bem entendia já que era minha. Amigos também presentes corresponderam ao carinho sem diferenças... Isso era família gente, cantando nossa canção, cultivando costumes, existindo sem preconceitos! E vivi os outros dias seguintes, com toda felicidade pertencendo apenas a mim, quem quisesse um pouco, teria que pedir, desculpe! Excuse-me!
E meus filhos, receberam todos os agradecimentos que passaram nas asas dessa louca bruxa loira... Comemoramos muito. Tabus já eram extintos, substituídos foram por ligações mais próximas, este santo Graham Bell, e sua invenção maravilhosa, que só mais maravilhosa era a invenção de Deus: famílias carinhosas, com respeito, compreensão e mente aberta!
Gente amada, rica, riquíssima, Vou cuidar de alguns afazeres, e ver como está o frango que coloquei no forno, depois conto mais desta louca vida de vocês próprios que nem sabem, hehehe...


Beijo quente e refrescante, molhado de glitter e gloss!



Walkíria Werônika
MISS PURPURINA

Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 20/09/2007
Reeditado em 20/09/2007
Código do texto: T660561
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco