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Carta solene

Carta solene para uma amiga, irmã, habitante terráquea, mestra das letras, filósofa nas horas noturnas, diurnas enfim... minha amiga de sempre, para todo o sempre, amém!  Rose Stteffen

Oi, minha amiga

Parece que o tempo não ajuda. Para conseguir que as 24horas durem pelo menos o dobro, teriam que inventar um relógio que pulasse o cronômetro do tempo.
Esqueci de lhe contar que roubaram o meu tempo. Assim, sem assalto a mão armada.
Parece até que nunca fui de mim mesma. Ou se algum dia fui, distraidamente, me perdi.
Mas não estou aqui para falar de mim. Nem posso. Senão o que já deixou de ser bilhete para virar carta, viraria um testamento. Ninguém merece.

Todas as manhãs acordo pensando no redemoinho. (engraçado, não descobri o significado disso no dicionário. Sabia que adoro um dicionário?) Mas acordo pensando que ele virá e fará um novo tempo. Tempo de recriação. Nós, humanos, viríamos com um saco de surpresas. Ei! Diferentemente desse que os humanos masculinos possuem.
Esse também viria acoplado em nosso corpo (onde? na verdade não achei um lugarzinho no corpo que fosse fácil o manuseio) e conforme as dificuldades, os problemas, os entraves iam surgindo, enfiaríamos a mão no saco e surpresa! “Manual de instrução: Seus problemas acabaram! Diga em alto e bom tom o que deseja e terá a solução imediata.”
Fico pensando. A carência é enoooooooorrrrrrrrrrme! Como faríamos para escolher o que seria imediato? Eu sei que engordaria uns 100 quilos, porque quando acordo já digo que estou faminta. Em alto e bom tom. Aliás, não tão alto, mas meu estômago logo fica quietinho e na espera. Então, ele ouve.
Pois é, amiga. Não sei se a esperança é uma praga que colou em mim, até nessa recriação eu penso.
Mas me conte de você. Também tem esses desejos que tudo estivesse onde ninguém espera? O óbvio é tão maçante! Fico à espera de algo que mostre o avesso do avesso. Já me imaginou diferente? Brava? Fria? Nem eu... Eu sou o óbvio. Até minha distração é óbvia por demais. Irrita-me muitas vezes, mas essa é nata. Perco os dentes, os cabelos, perco a calma, mas a distração não perco nunca... Ai, quero um saco de surpresa!
Amiga, prestenção, ainda bem que você existe. Nunca te vi. Mas estou esperando que aceite meu convite para que apareça em minha casa. Somos tão semelhantes e tão diferentes. Enquanto você fica estudando o cosmo eu estou nele, mas lustrando estrelas.
Mas saiba que você é a minha irmã de fato porque é de coração.
Beijos
Dora Leal
Enviado por Dora Leal em 26/09/2007
Código do texto: T670026

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Sobre a autora
Dora Leal
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Dora Leal